Bush conversa sobre crise financeira com Merkel e Lula
da France Presse, em Washinton
da Folha Online, em Brasília
Atualizada ás 17h
Em conversa com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, nesta quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva parabenizou o colega pela aprovação do pacote de ajuda financeira no Congresso norte-americano. Segundo interlocutores, o telefonema partiu de Bush, em resposta a uma ligação feita por Lula no último final de semana.
De acordo com interlocutores do Palácio do Planalto, Bush afirmou que dentro de duas semanas e meia serão sentidos os efeitos das medidas contidas no pacote de ajuda financeira.
Durante o diálogo, Lula teria afirmado ainda que as medidas aprovadas pelos norte-americanos vão trazer reequilíbrio para a economia mundial. O presidente brasileiro mencionou também a solidez da economia nacional.
Segundo interlocutores do presidente brasileiro, Bush concordou sobre a solidez da economia brasileira e os fundamentos da economia. Lula defendeu ainda que a crise econômica internacional seja utilizada para retomar as negociações para a conclusão da Rodada Doha.
Bush também telefonou nesta quarta-feira para a chanceler alemã, Angela Merkel. Assim como na conversa que teve com Lula, ele tratou "das várias medidas que os Estados Unidos estão tomando para dar estabilidade aos mercados, assim como sobre a importância de que todos os países atuem juntos para coordenar ações ante os problemas enfrentados pela economia mundial", como informou a porta-voz Dana Perino, em comunicado.
Interlocutores do Planalto não mencionaram o que foi falado sobre a ação coordenada de seis bancos centrais de reduzir as taxas de juros em caráter emergencial, conforme foi anunciado hoje. Além do Federal Reserve (Fed, o BC americano), se mobilizaram contra a possibilidade de paralisação das economias e a circulação de dinheiro o Banco do Canadá, o Banco da Inglaterra (BC britânico), o BCE (Banco Central Europeu), o Sveriges Riksbank (da Suécia) e o SNB (Banco Nacional da Suíça, na sigla em inglês).
G20
O secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, disse nesta quarta-feira que entrou em contato com o Brasil, que preside o G20 [grupo de países emergentes], para solicitar uma reunião que incluirá presidentes de bancos centrais e representantes das áreas econômicas e financeiras dos países em desenvolvimento para discutir "como agir coordenadamente a fim de minimizar os efeitos da turbulência nos mercados financeiros globais e a desaceleração econômica em nossos países".
O ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) também defendeu que os Brics (Brasil, Rússia, China, África do Sul e Índia) atuem de forma coordenada contra os efeitos da crise econômica. "Eu acho muito importante e essa crise acentua a necessidade de coordenação com outras economias emergentes, como por exemplo, os chamados Brics. Nós temos um enorme comércio com esses países, que é crescente, e no entanto, não se pode deixar à mercê de dificuldades de crédito que possam vir de problemas dos países ricos", afirmou.
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