Bolsas americanas encerram em queda em dia de corte de juros
da Folha Online
Nem mesmo um corte de juros emergencial pelo Fed (Federal Reserve, o BC dos Estados Unidos), o que no passado levaria alívio aos mercados, fez as Bolsas americanas subirem nesta quarta-feira. A decisão, de baratear o crédito com uma redução de juros, de 2% para 1,5%, foi uma ação coordenada com outros cinco bancos centrais para fazer frente à crise financeira.
A Nyse (Bolsa de Valores de Nova York, na sigla em inglês) fechou em baixa de 2%, indo para 9.258,10 pontos no índice Dow Jones --que ontem caiu mais de 5%. O índice S&P 500, também da Nyse, terminou em queda de 1,13%, indo para 984,94 pontos. A Bolsa Nasdaq fechou com recuo de 0,83%, indo para 1.740,33 pontos.
| Richard Drew/AP |
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| Tela em Bolsa nos EUA indica o corte emergencial de juros pelo Fed |
O fechamento dos mercardos coincidiu com a declaração do secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson. Segundo ele, embora o governo americano esteja trabalhando para tirar o país da crise, "uma coisa é preciso reconhecer: mesmo com os novos poderes do Tesouro, algumas instituições financeiras irão quebrar". A presidente da Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados), Nancy Pelosi, por sua vez, disse que o país precisa de um novo pacote de estímulo à economia, de US$ 150 bilhões.
Pelosi disse que um novo pacote de estímulo à economia pode ser necessário, aos moldes do que foi aprovado em fevereiro deste ano, de US$ 168 bilhões, para estimular o consumo e impedir a paralisação da economia americana.
O pacote de US$ 168 bilhões ajudou a fazer a economia americana andar: o dinheiro extra favoreceu os gastos dos consumidores entre abril e julho, o que se refletiu nos dados do PIB (Produto Interno Bruto). No segundo trimestre, a economia cresceu 2,8% (ligeiramente menor que os 3,3% em um cálculo prévio). Analistas dizem, no entanto, que, sem o benefício do dinheiro extra, nos próximos trimestres o desempenho econômico americano deverá ser inferior.
Juros
A ação do Fed foi seguida na redução de juros pelo Banco do Canadá, Banco da Inglaterra (BC britânico), BCE (Banco Central Europeu), Sveriges Riksbank (da Suécia) e SNB (Banco Nacional da Suíça, na sigla em inglês).
Segundo o banco, a piora no cenário da crise "elevou os riscos de baixa ao crescimento", reduzindo muito o risco de um descontrole de preços. "Algum afrouxamento nas condições monetárias globais é, portanto, necessário", diz o comunicado.
O Fed vem agindo através de injeções maciças de dinheiro no sistema bancário, em ações tanto em âmbito apenas doméstico como em conjunto com outros BCs mundiais: no dia 29 de setembro, o Fed e outros nove bancos centrais anunciaram uma injeção de US$ 620 bilhões, para evitar evitar escassez de dinheiro. Ontem, em outra ação conjunta, foram anunciados outros US$ 450 bilhões em leilões até o fim do ano.
Além disso, o governo britânico anunciou hoje uma ajuda de cerca de US$ 87 bilhões para evitar quebras no sistema bancário do Reino Unido.
Oito bancos --Abbey, que pertence ao espanhol Santander, Barclays, HBOS (que está sendo comprado pelo Lloyds TSB), HSBC, Lloyds TSB, Nationwide Building Society, Royal Bank of Scotland e Standard Chartered-- já se comprometeram com o plano de recapitalização, o que permitirá um aumento de seu capital até o fim do ano em um total de 25 bilhões de libras (US$ 45 bilhões).
| Arte Folha Online | ||
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