BC brasileiro coloca dinheiro no mercado após ação internacional coordenada
da Folha Online
O Banco Central voltou a mexer nos depósitos compulsórios dos bancos nesta quarta-feira com o objetivo de colocar outros R$ 23,2 bilhões no sistema financeiro nacional. A autoridade monetária brasileira também retomou, depois de cinco anos, a venda de dólares de sua reservas para conter a escalada do câmbio.
As iniciativas ocorreram no mesmo dia em que seis dos principais bancos centrais do mundo decidiram, em caráter emergencial, reduzir suas taxas de juros para baratear o custo do dinheiro e revitalizar o consumo.
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Segundo informou o BC brasileiro, as novas medidas visam a colocar mais "liquidez no mercado" (dinheiro disponível). O compulsório é a parcela do dinheiro depositado pelos clientes que os bancos precisam recolher junto ao BC. Esse mecanismo ajuda a autoridade monetária a controlar a quantidade de dinheiro que circula na economia.
| Raimundo Pacco/Folha Imagem |
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| Mercado financeiro teve mais um dia de negociações instáveis, entre altos e baixos |
Essa é a terceira mudança no compulsório promovida pelo BC desde o agravamento da crise internacional de crédito. Com as duas alterações anteriores, o total liberado na economia já chega a R$ 60 bilhões. Em agosto, o BC havia recolhido cerca de R$ 260 bilhões em todas as modalidades de compulsório.
Em uma das alterações anunciadas hoje, o BC mudou o desconto dado aos bancos no recolhimento compulsório sobre depósitos a prazo. Os bancos continuam obrigados a recolher 15% daquilo que os clientes depositam, mas poderá descontar desse valor R$ 700 milhões. Desde 2004, o desconto era de R$ 300 milhões. Com a iniciativa, o BC pretende injetar R$ 6,3 bilhões na economia.
A outra medida mexe com o adicional de recolhimento compulsório, que vale para depósitos a prazo, a vista e poupança. Nesse caso, foram reduzidas as alíquotas para os dois primeiros tipos de depósitos de 8% para 5%. A da poupança continua em 10%. A medida vai colocar mais R$ 16,9 bilhões na economia.
O impacto das duas medidas começa a ter efeito, respectivamente, nos dias 13 e 10 de outubro (próxima semana).
Câmbio
O dia também foi bastante instável no mercado de câmbio, forçando o Banco Central a sua intervenção mais pesada desde o início da crise.
Pela primeira vez em cinco anos, o BC vendeu dólares de sua reservas para conter a escalada do câmbio, realizando três leilões entre as 10h43 e 11h29, sem esquecer de um leilão de "swap" cambial, programado desde ontem, entre as 14h30 e 14h45.
Num sinal claro do nervosismo dos agentes financeiros, o preço da moeda americana oscilou entre a cotação máxima de R$ 2,480 e a mínima de R$ 2,177, para encerrar o dia a R$ 2,280 (venda), em baixa de 1,34%.
Intervenções
As autoridades monetárias internacionais têm redobrado os esforços para combater os efeitos mais dramáticos da crise: primeiro, a paralisia na circulação de crédito, com injeções bilionárias e regulares de dinheiro no sistema bancário; segundo, aumentando as garantias dos depósitos bancários, de modo a acalmar a população e evitar uma cena bastante conhecida na época da crise de 29: a corrida aos bancos.
| Kai Pfaffenbach/Reuters |
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| Bolsa de Frankfurt cai 5,88%; investidores ignoram ação de governos contra a crise |
Há semanas, os participantes do mercado financeiro reclamavam de uma ação coordenada das autoridades européias e americanas para enfrentar a crise, que já havia se expandido para além das fronteiras dos EUA e ganhava dimensão global.
Mas a iniciativa dos BCs internacionais hoje, capitaneada pelo Fed, não animou os mercados.
O termômetro da Bolsa, o Ibovespa, retrocedeu 3,85% no fechamento e atingiu os 38.593 pontos. Somente nos últimos cinco pregões, todos negativos, a Bovespa despencou 22,5%.
A Bolsa de Nova York, referência global para os mercados de capitais, despencou 2%. Na Europa, as Bolsas também encerraram a sessão em queda.
O secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, disse que "é preciso reconhecer que mesmo com os novos poderes do Tesouro, algumas instituições financeiras irão quebrar". A presidente da Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados), Nancy Pelosi, por sua vez, disse que o país precisa de um novo pacote de estímulo à economia, de US$ 150 bilhões.
| Arte Folha Online | ||
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Pelosi disse que um novo pacote de estímulo à economia pode ser necessário, aos moldes do que foi aprovado em fevereiro deste ano, de US$ 168 bilhões, para estimular o consumo e impedir a paralisação da economia americana.
O pacote de US$ 168 bilhões ajudou a fazer a economia americana andar: o dinheiro extra favoreceu os gastos dos consumidores entre abril e julho, o que se refletiu nos dados do PIB (Produto Interno Bruto). No segundo trimestre, a economia cresceu 2,8% (ligeiramente menor que os 3,3% em um cálculo prévio). Analistas dizem, no entanto, que, sem o benefício do dinheiro extra, nos próximos trimestres o desempenho econômico americano deverá ser inferior.
| Matilde Campodonico/AP |
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| Amorim defendeu que os Brics atuem de forma coordenada contra crise financeira |
G20
Em pronunciamento nos EUA, Paulson informou hoje que entrou em contato com o Brasil, que preside o G20 [grupo de países emergentes], para solicitar uma reunião que incluirá presidentes de bancos centrais e representantes das áreas econômicas e financeiras dos países em desenvolvimento para discutir "como agir coordenadamente a fim de minimizar os efeitos da turbulência nos mercados financeiros globais e a desaceleração econômica em nossos países".
O ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) também defendeu que os Brics (Brasil, Rússia, China, África do Sul e Índia) atuem de forma coordenada contra os efeitos da crise econômica.
"Eu acho muito importante e essa crise acentua a necessidade de coordenação com outras economias emergentes, como por exemplo, os chamados Brics. Nós temos um enorme comércio com esses países, que é crescente, e no entanto, não se pode deixar à mercê de dificuldades de crédito que possam vir de problemas dos países ricos", afirmou.
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