Publicidade

Dinheiro
08/10/2008 - 20h18

BC brasileiro coloca dinheiro no mercado após ação internacional coordenada

Publicidade

da Folha Online

O Banco Central voltou a mexer nos depósitos compulsórios dos bancos nesta quarta-feira com o objetivo de colocar outros R$ 23,2 bilhões no sistema financeiro nacional. A autoridade monetária brasileira também retomou, depois de cinco anos, a venda de dólares de sua reservas para conter a escalada do câmbio.

As iniciativas ocorreram no mesmo dia em que seis dos principais bancos centrais do mundo decidiram, em caráter emergencial, reduzir suas taxas de juros para baratear o custo do dinheiro e revitalizar o consumo.

Leia cobertura completa da crise financeira
Entenda a evolução da crise que atinge a economia dos EUA
Veja a lista de medidas já anunciadas no Brasil para combater a crise

Segundo informou o BC brasileiro, as novas medidas visam a colocar mais "liquidez no mercado" (dinheiro disponível). O compulsório é a parcela do dinheiro depositado pelos clientes que os bancos precisam recolher junto ao BC. Esse mecanismo ajuda a autoridade monetária a controlar a quantidade de dinheiro que circula na economia.

Raimundo Pacco/Folha Imagem
Mercado financeiro teve mais um dia de negociações instáveis, entre altos e baixos
Mercado financeiro teve mais um dia de negociações instáveis, entre altos e baixos

Essa é a terceira mudança no compulsório promovida pelo BC desde o agravamento da crise internacional de crédito. Com as duas alterações anteriores, o total liberado na economia já chega a R$ 60 bilhões. Em agosto, o BC havia recolhido cerca de R$ 260 bilhões em todas as modalidades de compulsório.

Em uma das alterações anunciadas hoje, o BC mudou o desconto dado aos bancos no recolhimento compulsório sobre depósitos a prazo. Os bancos continuam obrigados a recolher 15% daquilo que os clientes depositam, mas poderá descontar desse valor R$ 700 milhões. Desde 2004, o desconto era de R$ 300 milhões. Com a iniciativa, o BC pretende injetar R$ 6,3 bilhões na economia.

A outra medida mexe com o adicional de recolhimento compulsório, que vale para depósitos a prazo, a vista e poupança. Nesse caso, foram reduzidas as alíquotas para os dois primeiros tipos de depósitos de 8% para 5%. A da poupança continua em 10%. A medida vai colocar mais R$ 16,9 bilhões na economia.

O impacto das duas medidas começa a ter efeito, respectivamente, nos dias 13 e 10 de outubro (próxima semana).

Câmbio

O dia também foi bastante instável no mercado de câmbio, forçando o Banco Central a sua intervenção mais pesada desde o início da crise.

Pela primeira vez em cinco anos, o BC vendeu dólares de sua reservas para conter a escalada do câmbio, realizando três leilões entre as 10h43 e 11h29, sem esquecer de um leilão de "swap" cambial, programado desde ontem, entre as 14h30 e 14h45.

Num sinal claro do nervosismo dos agentes financeiros, o preço da moeda americana oscilou entre a cotação máxima de R$ 2,480 e a mínima de R$ 2,177, para encerrar o dia a R$ 2,280 (venda), em baixa de 1,34%.

Intervenções

As autoridades monetárias internacionais têm redobrado os esforços para combater os efeitos mais dramáticos da crise: primeiro, a paralisia na circulação de crédito, com injeções bilionárias e regulares de dinheiro no sistema bancário; segundo, aumentando as garantias dos depósitos bancários, de modo a acalmar a população e evitar uma cena bastante conhecida na época da crise de 29: a corrida aos bancos.

Kai Pfaffenbach/Reuters
Bolsa de Frankfurt cai 5,88%; investidores ignoram ação de governos contra a crise
Bolsa de Frankfurt cai 5,88%; investidores ignoram ação de governos contra a crise

Há semanas, os participantes do mercado financeiro reclamavam de uma ação coordenada das autoridades européias e americanas para enfrentar a crise, que já havia se expandido para além das fronteiras dos EUA e ganhava dimensão global.

Mas a iniciativa dos BCs internacionais hoje, capitaneada pelo Fed, não animou os mercados.
O termômetro da Bolsa, o Ibovespa, retrocedeu 3,85% no fechamento e atingiu os 38.593 pontos. Somente nos últimos cinco pregões, todos negativos, a Bovespa despencou 22,5%.

A Bolsa de Nova York, referência global para os mercados de capitais, despencou 2%. Na Europa, as Bolsas também encerraram a sessão em queda.

O secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, disse que "é preciso reconhecer que mesmo com os novos poderes do Tesouro, algumas instituições financeiras irão quebrar". A presidente da Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados), Nancy Pelosi, por sua vez, disse que o país precisa de um novo pacote de estímulo à economia, de US$ 150 bilhões.

Arte Folha Online

Pelosi disse que um novo pacote de estímulo à economia pode ser necessário, aos moldes do que foi aprovado em fevereiro deste ano, de US$ 168 bilhões, para estimular o consumo e impedir a paralisação da economia americana.

O pacote de US$ 168 bilhões ajudou a fazer a economia americana andar: o dinheiro extra favoreceu os gastos dos consumidores entre abril e julho, o que se refletiu nos dados do PIB (Produto Interno Bruto). No segundo trimestre, a economia cresceu 2,8% (ligeiramente menor que os 3,3% em um cálculo prévio). Analistas dizem, no entanto, que, sem o benefício do dinheiro extra, nos próximos trimestres o desempenho econômico americano deverá ser inferior.

Matilde Campodonico/AP
Amorim defendeu que os Brics atuem de forma coordenada contra crise financeira
Amorim defendeu que os Brics atuem de forma coordenada contra crise financeira

G20

Em pronunciamento nos EUA, Paulson informou hoje que entrou em contato com o Brasil, que preside o G20 [grupo de países emergentes], para solicitar uma reunião que incluirá presidentes de bancos centrais e representantes das áreas econômicas e financeiras dos países em desenvolvimento para discutir "como agir coordenadamente a fim de minimizar os efeitos da turbulência nos mercados financeiros globais e a desaceleração econômica em nossos países".

O ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) também defendeu que os Brics (Brasil, Rússia, China, África do Sul e Índia) atuem de forma coordenada contra os efeitos da crise econômica.

"Eu acho muito importante e essa crise acentua a necessidade de coordenação com outras economias emergentes, como por exemplo, os chamados Brics. Nós temos um enorme comércio com esses países, que é crescente, e no entanto, não se pode deixar à mercê de dificuldades de crédito que possam vir de problemas dos países ricos", afirmou.

Comentários dos leitores
Aldevino De Zan (29) 16/12/2009 10h41
Aldevino De Zan (29) 16/12/2009 10h41
A china comprará o minério da Vale mais barato, e venderá seus carros, aqui no Brasil, também mais barato.Já tá na hora da China invadir o mercado de automóveis no Brasil, pois vários outros setores estão sofrendo a pressão chinesa, com muitas demissões, pequenas fábricas quebrando.Seria bom um ataque chines a indústria automobilistica, pra acordar o Lula e o PT. 4 opiniões
avalie fechar
JOSE MOTTA (75) 15/12/2009 19h55
JOSE MOTTA (75) 15/12/2009 19h55
POLITICOS VAIDOSOS E INGENUOS? NÃO, SABEM MUTO BEM O QUE ESTÃO FAZENDO, INCLUSIVE O PRESIDENTE. MANTER O POVO SEM CULTURA E EDUCAÇÃO FAZ PARTE DO ESQUEMA. POVO CULTO E EDUCADO JAMAIS VOTARIAM NAS PESSOAS QUE GOVERNAM ESSE PAIS E E ESQUEMA DESABARIA. 4 opiniões
avalie fechar
André Nader (7) 14/12/2009 12h51
André Nader (7) 14/12/2009 12h51
Essa medida da china em segurar a especulação imobiliária seria uma boa ideia para ser utilizada aqui em Brasília, onde a TERRACAP, empresa responsável por licitar os imóveis, ajuda os especuladores colocando os valores dos terrenos a preço de ouro o que ajuda a explicar porque o metro quadrado de Brasília está se tornando rapidamente o mais caro do BRASIL.
Isso se deve a distribuição de "PANETONES" a filiados politicos que "LAVAM" esse dinheiro comprando propriedades em nomes de terceiros ou justificando que um imóvel comprado a um ano por R$1.000,00 possa ser vendido no ano seguinte por R$3.000,00.
VERDADEIRA VERGONHA NACIONAL.
7 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (4436)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca