Bolsas da Ásia fecham sem tendência definida após corte de juros
da Folha Online
Atualizado às 07h07.
As Bolsas da Ásia fecharam nesta quinta-feira sem tendência definida, mesmo após o corte realizado por seis Bancos Centrais mundiais e abriram no azul, após fortes perdas nesta semana. Alguns mercados zeraram os ganhos, após operar parte do dia no azul --como Tóquio (Japão)--, enquanto outros encerraram o pregão em terreno positivo.
Comparados com os resultados de ontem --quando as Bolsas do continente fecharam em quedas que variaram entre 3% e 10%--, a quinta-feira foi de certo alívio. "Os investidores voltaram às compras, e ficaram aliviados em ver alguma ação de governos para evitar as incertezas da crise financeira", afirmou Kazuhiro Takahashi, da Daiwa Securities.
| Reuters |
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| Bolsa de Jacarta (Indonésia) permaneceu fechada hoje, após cair mais de 10% ontem |
O índice Nikkei terminou o pregão com retração de 0,5%, aos 9.157,49 pontos, um dia depois de despencar 9,38% na pior queda em 21 anos, diante da persistência da crise financeira mundial e da alta do iene em relação ao dólar.
Nem a decisão do BoJ (Banco do Japão, o BC do país) de injetar mais 4 trilhões de ienes (US$ 39,781 bilhões) para aliviar a situação dos mercados financeiros melhorou os ânimos em Tóquio. Esta é a 17ª injeção monetária seguida promovida pelo banco, que já soltou mais de US$ 312 bilhões no mercado desde a quebra do banco de investimento americano Lehman Brothers, em setembro.
A Bolsa de Hong Kong fechou com alta de 3,31%, aos 15.943,20 pontos; em Seul (Coréia do Sul), o mercado subiu 0,64% no final do dia; já na Austrália e na China, as Bolsas recuaram 1,80% e 0,84%, respectivamente. Na Indonésia, a Bolsa ficou fechada após a queda de 10%, ontem.
O principal motivo apontado pelos analistas para as altas observadas hoje é o corte de 0,5 ponto percentual promovido pelos BCs dos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Suécia, Suíça e o BCE (Banco Central Europeu).
Quedas
Ontem, o temor de recessão na Europa e nos EUA impregnou os mercados e derrubou as Bolsas. A Bolsa de Nova York, referência global para os mercados de capitais, despencou 2%. Na Europa, as Bolsas também encerraram a sessão em queda, após um pregão com paralisação na França e na Rússia.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, disse que o corte dos juros servirá para garantir aos cidadãos que "estão sendo tomadas todas as ações" para permitir que a atividade econômica "se movimente para frente".
Brown já havia se dirigido aos mercados nesta quarta, ao anunciar um plano de resgate de 50 bilhões de libras (cerca de US$ 87 bilhões) aos moldes do pacote dos EUA, para evitar que os bancos do Reino Unido tenham destino semelhante ao do Lehman Brothers, cuja quebra marcou o início do segundo ciclo da crise, iniciado no ano passado.
O Fed e outros bancos têm colocado no sistema financeiro bilhões de dólares nos últimos meses. O BCE tem feito injeções quase diárias de US$ 50 bilhões para garantir as transações entre os bancos. Em ações coordenadas, os bancos também têm feito ofertas bilionárias para o sistema bancário: no dia 29 de setembro, dez BCs anunciaram uma oferta de US$ 620 bilhões em liquidez [oferta de dinheiro]; na terça-feira, em nova ação conjunta, outros seis BCs anunciaram leilões de US$ 450 bilhões até o fim do ano para garantir que não ocorra falta de dinheiro.
| Evan Vucci/AP |
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| Secretário do Tesouro dos EUA advertiu algumas instituições financeiras irão quebrar |
O secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, disse que "é preciso reconhecer que mesmo com os novos poderes do Tesouro, algumas instituições financeiras irão quebrar". A presidente da Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados), Nancy Pelosi, por sua vez, disse que o país precisa de um novo pacote de estímulo à economia, de US$ 150 bilhões.
Brasil
O Brasil não ficou imune às quedas. Termômetro da Bolsa no país, o Ibovespa retrocedeu 3,85% no fechamento e atingiu os 38.593 pontos. Somente nos últimos cinco pregões, todos negativos, a Bovespa despencou 22,5%.
O Banco Central voltou a mexer nos depósitos compulsórios ontem com o objetivo de colocar outros R$ 23,2 bilhões no sistema financeiro nacional. A autoridade monetária brasileira também retomou, depois de cinco anos, a venda de dólares de sua reservas para conter a escalada do câmbio.
Segundo informou o BC brasileiro, as novas medidas visam a colocar mais "liquidez no mercado" (dinheiro disponível). O compulsório é a parcela do dinheiro depositado pelos clientes que os bancos precisam recolher junto ao BC. Esse mecanismo ajuda a autoridade monetária a controlar a quantidade de dinheiro que circula na economia.
Com Reuters
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