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Dinheiro
09/10/2008 - 15h42

Com mundo "à beira da recessão", FMI pede coordenação contra crise

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da Folha Online

O diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn, disse nesta quinta-feira que, com o mundo "à beira de uma recessão", uma ação ágil e coordenada entre os países é necessária para enfrentar a crise financeira.

Strauss-Kahn disse que "a situação é muito grave, mas ao mesmo tempo podemos resolver os problemas se agirmos de forma rápida, vigorosa e coordenada".

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Reuters
Dominique Strauss-Kahn, do FMI, advertiu hoje que o mundo está "à beira de recessão"
Dominique Strauss-Kahn, do FMI, advertiu hoje que o mundo está "à beira de recessão"

Ontem, o FMI divulgou o relatório "World Economic Outlook" ("Perspectiva Econômica Mundial"), no qual reduziu suas expectativas de crescimento global; para este ano, o FMI reduziu sua previsão de crescimento mundial de 4,1% para 3,9%; para 2009, a expectativa caiu de 3,9% para 3% --menor nível desde 2002 e considerado pelo Fundo como limite para a queda em uma recessão global.

As declarações do diretor do Fundo chegam um dia depois de seis dos mais importantes bancos centrais mundiais --Federal Reserve (Fed, o BC americano), Banco do Canadá, Banco da Inglaterra (BC britânico), BCE (Banco Central Europeu), Sveriges Riksbank (da Suécia) e SNB (Banco Nacional da Suíça, na sigla em inglês)-- terem reduzido suas taxas de juros, e de o governo britânico ter anunciado um pacote bilionário para evitar quebras de bancos no Reino Unido.

Essas ações se somam a injeções quase diárias de capital no sistema financeiro mundial, entre outras medidas, a fim de compensar a escassez de crédito entre instituições financeiras privadas. Os esforços governamentais, no entanto, não têm sido suficientes: após o anúncio de cada medida, as Bolsas mundiais reagem por um breve período, mas não têm conseguido chegar ao fim dos pregões em alta.

As Bolsas européias perderam terreno durante o dia --a Bolsa de Paris, por exemplo, chegou a subir mais de 2,6% durante o dia, mas fechou com perda de 1,5%. Nos EUA, o Dow Jones hoje chegou a operar em alta pela manhã, mas passou a cair mais de 1%. Na Ásia, a Bolsa de Tóquio fechou em ligeira queda hoje, mas ontem perdeu cerca de 10%, pior desempenho desde 1987.

Kai Pfaffenbach/Reuters
Bolsas européias caem: investidores ignoram ação de governos contra a crise financeira
Bolsas européias caem: investidores ignoram ação de governos contra a crise financeira

Strauss-Kahn destacou que não existe "solução doméstica" para os problemas. Em seguida, ele elogiou a decisão dos BCs ontem sobre a redução de juros e defendeu o uso de estímulos fiscais como arma contra a crise, mas que ferramentas tradicionais de política econômica e monetária não funcionarão se não forem atacados os problemas do sistema financeiro.

Outras ações conjuntas já foram tomadas: no dia 29 de setembro, dez BCs anunciaram uma oferta de US$ 620 bilhões em liquidez (oferta de dinheiro); em outra ação conjunta posterior, outros seis BCs anunciaram leilões de US$ 450 bilhões até o fim do ano para garantir que não ocorra falta de dinheiro. Na terça-feira (7) os países da UE (União Européia) se comprometeram a socorrer e dar apoio a grandes grupos financeiros para evitar uma crise generalizada.

Emergentes

Strauss-Kahn disse que as economias de países emergentes, como China e Brasil, não ficarão imunes aos efeitos da crise, mas que deverão ter um desempenho positivo. "Seria muito surpreendente se uma potência como a China ficasse olhando a crise de um camarote sem se preocupar muito", afirmou. "Mesmo assim, a taxa de crescimento [da China] continuará muito alta", disse, destacando que é importante que a economia chinesa continue a estimular o mercado doméstico.

O Brasil também sofrerá o impacto, mas, com os fundamentos da economia sólidos, o país conseguirá suportar a crise.

O diretor do Fundo disse que governos e responsáveis pelas políticas econômicas e monetárias dos diversos países fizeram um trabalho fraco na previsão da medida dos danos causados ao mundo pela crise. "Acho que é justo dizer que todos nós subestimamos a força da crise financeira (...) Ao que parece, as raízes dessa crise são maios profundas que o esperado."

Banco Mundial

O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, alertou hoje para possíveis "emergências bancárias" no mundo em desenvolvimento e crise nas balanças de pagamentos na medida em que a atual crise financeira avance. "A deterioração nas condições financeiras, combinada com um endurecimento monetário, provocará a quebra de empresas e possivelmente emergências bancárias", disse.

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, prometeu hoje, mais uma vez, uma "ação forte" contra a crise. "Eu assegurei a ele que os EUA terão uma ação forte para lidar com a atual situação econômica", afirmou Bush após encontro com o presidente da Eslováquia, Ivan Gasparovic

Mike Theiler /Efe
Bush diz estar confiante na eficácia do pacote e que fará o necessário para salvar sistema
Bush diz estar confiante na eficácia do pacote e que fará o necessário para salvar sistema

Bush receberá os ministros das Finanças dos países mais industrializados e os membros do FMI e do Banco Mundial para os debates sobre a crise econômica no sábado, anunciou nesta quinta-feira a Casa Branca.

Ontem, ele disse estar confiante na eficácia do pacote de resgate financeiro de US$ 700 bilhões, aprovado na semana passada no Congresso. Afirmou que "não há dúvida de que estamos em um tempo difícil", mas que "o que for necessário será feito".

Também ontem, o secretário do Tesouro, Henry Paulson, disse que, embora o governo americano esteja trabalhando para tirar o país da crise, "uma coisa é preciso reconhecer: mesmo com os novos poderes do Tesouro, algumas instituições financeiras irão quebrar".

Paulson disse que o povo americano precisará ter "um certo grau de paciência" enquanto o governo tenta fazer com que o processo de recuperação da estabilidade nos mercados financeiro "o mais efetivo possível". "Todo esforço vai exigir uma análise cuidadosa, deliberação e transparência, e algum grau de paciência do povo americano enquanto criamos o mais efetivo processo [de estabilização] possível."

Comentários dos leitores
Eduardo Giorgini (442) 04/12/2009 11h31
Eduardo Giorgini (442) 04/12/2009 11h31
Concordo!
Os especialistas se baseam em economias de primeiro mundo, onde as pessoas são mais "mimadas" e dependentes das parafernálias de consumo ficando mais vulneráveis à crises.
Nós, brasileiros, estamos acostumados com a crise. Temos uma cultura de recessão ao longo de nossa história, ou seja, não sofremos muito com eventuais problemas economicos.
Para viver no Brasil, tem que ser forte e lutador
[]s
Eduardo.
sem opinião
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celso assis (77) 03/12/2009 10h03
celso assis (77) 03/12/2009 10h03
Falando ironicamente :
Estou indignado com este Sr Krugman, premio Nobel de Economia, com o que ele falou sobre o Brasil. Ele positivamente não sabe nada, e deveria fazer estágio com:
- certos comentaristas de tele jornais que foram outrora famosos, e boa parte de midia - influenciadores que foram influenciados por algum fator motivacional,
- nossos banqueiros e empresários em que só os otários acreditam,
- pessao ligado a Bovespa, Creci, Secovi que só falam o que lhes interessam.
Afinal de contas Sr. Krugman, nós temos a Copa de 2014, e Olimpiadas de 16, tb com apagões energéticos, aéreos, transito caótico, saneamento básico ruim, dengue, meningite, politicos, etc
Olha tb temos o pré-sal, que produzirá no final da década que ainda vais iniciar-se, o óleo mais "salgado" do mundo. Para extrai-lo vão ser necessário muitos dolares por barril, muitas vezes mais que nos outros Paises. Lógico que qto mais se gasta, menso se ganha.
Bem feito sr. Krugman, o Jornal da Band, e o Nacional boicotaram vc, e nada noticiaram sobre seus palpites furados.
E VIVA NÓIS
19 opiniões
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Olmir Antonio de Oliveira (75) 03/12/2009 09h47
Olmir Antonio de Oliveira (75) 03/12/2009 09h47
A repeito da recuperação de mercados..... A dizer da econômia brasileira, no termo equilibrio, travessia, em termos econômicos um bom comparativo, uma ponte, com bons fundamentos (extrutura), tensionada, fortemente exigida, mas com capacidade para resistir, suportar "o uso" e "abusos". Com isto certamente possibilita um avanço significativo em termos econômicos, em ganhos em diversos niveis, um crecimento, uma melhoria de padrão geral, a formação de um novo conceito de solidez, de desenvolvimento como um todo. Imperativo o controle de gastos "em época eleitoral", os famosos desperdicios, as demagogias, erros, politicagem,propaganda enganosa. época que se faz nescessário ampliação de critérios, e cobranças com os gastos, em obras sem útilidade efetiva, e ou duradoura. Do história inicio de ano, época de férias.....atividades reduzidas, coisas se bem pensadas e organizadas podem dar bons resultados aos trabalhadores, empresas, consumidor, já no trimestre seguinte, cautela, controles, agilidade operacional, e de sistemas produtivos, ...... 2 opiniões
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