Temor sobre crise derruba Bolsas e ameaça jogar mundo em recessão
da Folha Online
Atualizada às 8h33
As Bolsas européias vivem mais um dia de perdas acentuadas nesta sexta-feira, seguindo o rumo que já tomaram as Bolsas asiáticas hoje e a perda de mais de 7% ontem, em Nova York. As medidas tomadas por governos do mundo todo simplesmente não surtem efeito nenhum. A desconfiança persiste no mercado financeiro, o que faz secar a oferta de crédito, deixando a crise no setor mais financeiro cada vez mais perto de afetar a economia real e jogar o mundo em um período de recessão, cuja duração ninguém se arrisca a prever.
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| Akira Suemori/AP |
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| Pedestre observa em painel Bolsa de Londres operar em queda; demais européias desabam |
Às 7h27 (em Brasília) a Bolsa de Londres estava em queda de 7,60% no índice FTSE 100, indo para 3.986,08 pontos; a Bolsa de Paris desabava 8,20% no índice CAC 40, indo para 3.160.54 pontos; a Bolsa de Frankfurt tinha perda de 9,15% no índice DAX, operando com 4.439,91 pontos; a Bolsa de Amsterdã tinha queda de 7% no índice AEX General, que estava com 262,24 pontos; a Bolsa de Milão perdia 7,20% no índice MIBTel, que ia para 15.330 pontos; e a Bolsa de Zurique estava em baixa de 7,53%, com 5.361,92 pontos no índice Swiss Market.
A Bolsa de Moscou (Rússia), que havia suspendido os negócios na quarta-feira, com a queda de 14% registrada logo no início do pregão com o compromisso de reabrir hoje, sequer voltou a operar: a Bolsa russa permanecerá fechada agora até nova ordem das autoridades reguladoras do país. A Bolsa de Viena (Áustria) também suspendeu os negócios, após cair mais de 10% no início do dia.
Na Ásia, a Bolsa de Tóquio caiu 11,3% nas primeiras negociações; no fim do dia, o indicador fechou em queda de 9,62%, aos 8.276,43. Os mercados na Austrália, na Tailândia e nas Filipinas operavam todos com quedas superiores a 7%. A Coréia do Sul fechou o pregão com recuo de 4,13%. Xangai (China) encerrou o dia em baixa de 3,57%. Hong Kong terminou a sexta-feira em baixa de 7,19%. A Bolsa de Jacarta (Indonésia) teve os negócios indefinidamente suspensos na quarta-feira (8), depois de uma queda de mais de 10%.
Na Bolsa de Nova York ontem, o índice Dow Jones despencou 7,33%, ficando com 8.579,19 pontos, enquanto o ampliado S&P 500 recuou 7,62%, aos 909,92 pontos. Na Bolsa tecnológica Nasdaq, o indicador Nasdaq Composite teve baixa de 5,47%, aos 1.645,12 pontos. No Brasil, o índice Ibovespa desabou 3,92% e desceu para os 37.080 pontos.
Nesta semana, seis bancos centrais --Federal Reserve (Fed, o BC americano), Banco do Canadá, Banco da Inglaterra (BC britânico), BCE (Banco Central Europeu), Sveriges Riksbank (da Suécia) e SNB (Banco Nacional da Suíça, na sigla em inglês)-- cortaram suas taxas de juros, esperando que um barateamento do crédito aliviasse também a pressão sobre a taxa Libor (juro interbancário no mercado internacional), facilitando as trocas de capitais entre as instituições bancárias. Além disso, o governo britânico anunciou um pacote bilionário para evitar quebras de bancos.
| Reuters |
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| Bolsa na Indonésia manteve-se suspensa, devido a fortes perdas acarretadas pela crise |
Tudo isso se seguiu a um anúncio da União Européia (UE) de agir coordenadamente para salvar o setor financeiro da região e ao pacote de US$ 700 bilhões aprovado pelo Congresso americano, para evitar que novas quebras, como as dos bancos Lehman Brothers e Washington Mutual, voltassem a ocorrer --além de injeções quase diárias de capital para evitar escassez de dinheiro no sistema bancário mundial.
As medidas chegaram a surtir algum efeito ontem, com ligeiros avanços nas Bolsas européias durante parte do dia e logo na abertura dos negócios em Nova York. A desconfiança, no entanto, ofuscou as iniciativas governamentais. Temendo perder dinheiro emprestando para instituições, empresas e pessoas cuja capacidade de honrar compromissos não pode ser garantida, os bancos fecham a torneira do crédito e a economia mundial vai ficando cada vez mais paralisada.
FMI
Para o diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn, o mundo está "à beira de uma recessão". "A situação é muito grave, mas ao mesmo tempo podemos resolver os problemas se agirmos de forma rápida, vigorosa e coordenada", disse. O Fundo divulgou nesta semana o relatório "World Economic Outlook" ("Perspectiva Econômica Mundial"), no qual reduziu suas expectativas de crescimento global para este ano, de 4,1% para 3,9%. Para 2009, a expectativa caiu de 3,9% para 3% --menor nível desde 2002 e considerado pelo Fundo como limite para a queda em uma recessão global.
Strauss-Kahn destacou que não existe "solução doméstica" para os problemas. Em seguida, ele elogiou a decisão dos BCs ontem sobre a redução de juros e defendeu o uso de estímulos fiscais como arma contra a crise, mas que ferramentas tradicionais de política econômica e monetária não funcionarão se não forem atacados os problemas do sistema financeiro.
China e Brasil, além de outras economias emergentes, não ficarão imunes aos efeitos da crise, disse Strauss-Kahn, mas deverão manter um ritmo positivo. "Seria muito surpreendente se uma potência como a China ficasse olhando a crise de um camarote sem se preocupar muito", afirmou. "Mesmo assim, a taxa de crescimento [da China] continuará muito alta."
O Brasil também sofrerá o impacto, mas, com os fundamentos da economia sólidos, o país conseguirá suportar a crise.
Banco Mundial
O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, alertou para possíveis "emergências bancárias" no mundo em desenvolvimento e crise nas balanças de pagamentos na medida em que a atual crise financeira avance. "A deterioração nas condições financeiras, combinada com um endurecimento monetário, provocará a quebra de empresas e possivelmente emergências bancárias", disse.
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, prometeu ontem, mais uma vez, uma "ação forte" contra a crise. Ele receberá os ministros das Finanças dos países mais industrializados e os membros do FMI e do Banco Mundial para os debates sobre a crise econômica amanhã, segundo a Casa Branca.
Na quarta-feira (8), o secretário do Tesouro, Henry Paulson, disse que, embora o governo americano esteja trabalhando para tirar o país da crise, "uma coisa é preciso reconhecer: mesmo com os novos poderes do Tesouro, algumas instituições financeiras irão quebrar"; além disso, ele disse que o povo americano precisará ter "um certo grau de paciência' enquanto o governo tenta fazer com que o processo de recuperação da estabilidade nos mercados financeiro 'o mais efetivo possível".
| Arte Folha Online | ||
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Em São Paulo, capital, 5% do PIB é da administração pública, o resto é privado, ou seja, 95% de gente ralando de verdade.
Conclusão: Isso é um dado interessante de quem realmente trabalha nesse país e sustenta toda a embromação de , por exemplo, Brasília.
Brasil é isso: Todos ralando para sustentar Brasília que vive de 100% de dinheiro público.
[]s
Eduardo.
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