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Dinheiro
10/10/2008 - 10h42

Bovespa desaba 10,19% e pregão é suspenso por meia hora

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da Folha Online

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) desabou 10,19% e suspendeu as operações pela quarta vez em menos de 15 dias. O mecanismo do "circuit breaker" (interrupção do pregão) é acionado toda vez que o índice Ibovespa oscila 10%. O pregão deve ser interrompido durante meia hora. Os investidores estão em pânico com a possibilidade de uma recessão em nível global.

Na retomada dos negócios, o "circuit breaker" ganha novo limite: somente será acionado novamente se o Ibovespa desabar 15%. Nesse caso, o pregão é interrompido novamente, mas desta vez por uma hora. No último dia 6, quando o "circuit breaker" foi acionado por duas vezes, a Bovespa criou uma regra de ocasião, exclusiva para aquela jornada de negócios: o novo limite de queda passou a ser 20%.

O termômetro da Bolsa, o Ibovespa, caiu 10,19% por volta das 10h35. Nesse momento, o índice apontava 33.303 pontos. O giro financeiro era de R$ 530 milhões. O dólar comercial é cotado a R$ 2,313 na venda, com forte alta de 5,23%.

No epicentro da crise, a Bolsa de Nova York despenca mais de 11%, minutos após a abertura. Ontem, o índice Dow Jones caiu mais de 7%, na maior queda em 21 anos. Desde o seu pico, em 9 de outubro do ano passado, o principal índice da Bolsa nova-iorquina já recuou cerca de 40%.

Hoje, as notícias de Wall Street já fizeram as Bolsas asiáticas desabarem, a exemplo de Tóquio, onde a Bolsa local fechou com perdas de 9,62%, o pior dia desde o 'crash' de 1987. Na Europa, a Bolsa de Londres cai 9,06% e Frankfurt despenca 9,71%.

Sem efeito

O nervosismo dos investidores é ainda mais grave porque sucede após uma série de medidas dos governos americanos e europeus para deter os desdobramentos da crise dos créditos 'subprime', sem que consiga acalmar os mercados financeiros.

Nas últimas semanas, o Congresso americano já aprovou um pacote bilionário (US$ 700 bilhões) para resgatar créditos problemáticos, ainda em fase de implantação; uma medida que já foi replicada na Inglaterra e na Rússia; uma série de instituições financeiras já foram 'salvas' da falência por intervenções diretas dos governos locais, a exemplo de gigante americana dos seguros, a AIG, ou do banco alemão Hypo Real Estate; e outros muitos bancos já foram engolidos por rivais de longa data, caso da Merrill Lynch, comprada pelo Bank of America.

Sem esquecer das injeções de bilhões de dólares quase diárias por parte dos bancos centrais para animar a circulação de recursos entre os bancos. No dia 29 de setembro, dez BCs anunciaram uma oferta de US$ 620 bilhões em liquidez [oferta de dinheiro]; em outra ação conjunta posterior, outros seis BCs anunciaram leilões de US$ 450 bilhões até o fim do ano para garantir que não ocorra falta de dinheiro.

E nesta semana, seis bancos centrais --Federal Reserve (Fed, o BC americano), Banco do Canadá, Banco da Inglaterra (BC britânico), BCE (Banco Central Europeu), Sveriges Riksbank (da Suécia) e SNB (Banco Nacional da Suíça, na sigla em inglês)-- cortaram suas taxas de juros, esperando que um barateamento do crédito aliviasse também a pressão sobre a taxa Libor (juro interbancário no mercado internacional), facilitando as trocas de capitais entre as instituições bancárias. Além disso, o governo britânico anunciou um pacote bilionário para evitar quebras de bancos.

No Brasil, o governo já tomou uma série de medidas para prevenir o contágio do país. Desde a segunda quinzena de setembro, o Banco Central aumentou suas intervenções sobre o mercado de câmbio, promovendo leilões de venda de dólares, com queima de reservas, e de "swap" cambial.

O governo também mexeu no recolhimento de depósitos compulsórios, o dinheiro obrigatoriamente retido pelos bancos no BC. Em três medidas diferente, já foram liberados R$ 60 bilhões para o sistema bancário, com alvo nos bancos pequenos e médios, os mais afetados pela crise.

 

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