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Dinheiro
10/10/2008 - 13h26

Crise financeira faz sua primeira vítima no Japão

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da France Presse, em Tóquio

A economia japonesa viveu um dia negro nesta sexta-feira, quando a Bolsa de Tóquio registrou sua pior queda em 21 anos e a crise mundial fez sua primeira vítima no setor financeiro do país, o grupo de seguros Yamato Life.

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O primeiro-ministro japonês, Taro Aso, se declarou disposto a convocar uma cúpula de emergência do G8 (clube das grandes potências presidido este ano pelo Japão) para buscar uma forma de amenizar o furacão financeiro. "A queda dos mercados financeiros chegou a um ponto que deve afetar a economia real", disse Aso.

Presa do pânico, a Bolsa de Tóquio fechou em baixa de 9,62%, sua pior queda desde outubro de 1987. A segunda praça mundial registrou um verdadeiro crack esta semana, com perda de 24,33%.

Junji Kurokawa/AP
Bolsa de Tóquio (Japão) afundou 11,3% após a abertura, no maior recuo desde 87
Bolsa de Tóquio (Japão) afundou 11,3% após a abertura, no maior recuo desde 87

A queda desta sexta-feira é a terceira maior desde à criação do Nikkei, índice principal do mercado, em 1950, superando a perda de 9,38% registrada na quarta-feira.

"É evidente que as turbulências nos mercados financeiros afetam o conjunto da economia", disse Taro Saito, economista do instituto de pesquisa NLI. "A queda dos preços das ações é um indicador da futura deterioração da economia japonesa", comentou.

A Yamato Life Insurance, uma companhia de seguros de vida de porte médio, se tornou nesta sexta-feira a primeira vítima direta da crise mundial no setor financeiro japonês, que até agora vinha resistindo às quebras.

Mergulhada em dívidas de 269,5 bilhões de ienes (2 bilhões de euros), superior ao total de seus ativos, a Yamato Life declarou a quebra no tribunal de Tóquio. Esta é a primeira vez em sete anos e somente a oitava desde 1945 que uma seguradora se declara em quebra no Japão.

"Devido aos casos no mercado financeiro e à contração do crédito, o valor de nossa carteira de ações caiu rapidamente. Foi além do que prevíamos", lamentou o presidente do grupo, Takeo Nakazono.

O ministro das Finanças japonês, Shoichi Nakagawa, disse que esta quebra se deve apenas à estrutura de gestão da Yamato Life e não reflete a fragilidade no conjunto do setor japonês de seguros.

Várias empresas do setor imobiliário japonês se declararam em quebra nas últimas semanas, vítimas da contração do crédito. A última delas, a New City Residence Investment, anunciou sua quebra na quinta-feira por incapacidade de obter fundos para comprar bens e pagar suas dívidas.

O Banco do Japão injetou nesta segunda-feira um total de 4,5 trilhões de ienes (34 bilhões de euros, 46 bilhões de dólares) no sistema bancário para ajudar as instituições financeiras a fazer frente às suas obrigações. Esta é a intervenção de urgência mais importante do Banco do Japão, que vem injetando liquidez no mercado há 18 dias, desde o início da crise.

Neste contexto de crise, o Japão participará nesta sexta-feira da reunião dos ministros das Finanças do G7 em Washington, onde aproveitará para propor um fundo de emergências de cerca de 200 bilhões de dólares para os países pequenos afetados pela crise financeira global.

 

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