Bovespa fecha com retração de 3,97%, em sétimo dia de perdas
EPAMINONDAS NETO
da Folha Online
Atualizado às 17h50
Investidores voltaram às compras na última meia hora de pregão e evitaram que a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) concluísse o dia com perdas de quase 9%. Pela manhã, a Bolsa suspendeu os negócios por meia hora quando o índice Ibovespa desabou 10,19%. A Bolsa de Nova York, que chegou a retroceder 8% logo após a abertura, encerrou o dia em baixa de 1,49%.
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Segundo operadores, o mercado renovou suas expectativas por uma ação mais drástica das economias centrais, na forma de mais bilhões de dólares para embolsar os créditos podres que hoje paralisam o sistema financeiro mundial.
Desde ontem, o mercado está em pânico com notícias de que crise financeira começou a contaminar as empresas da "Main Street" nos EUA (apelido para as empresas não-financeiras, em Wall Street). Somente nesta semana, a Bolsa acumulou perdas de 20%, enquanto neste ano a retração já alcança 44,3%.
| Daniel Roland/AP |
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| Operador acompanha pregão na Alemanha, onde a Bolsa local fechou em queda de 7% |
O termômetro da Bolsa, o Ibovespa, recuou 3,97% no fechamento e atingiu os 35.609 pontos, o seu nível mais baixo desde setembro de 2006. O giro financeiro foi de R$ 5,42 bilhões.
O dólar comercial foi cotado a R$ 2,316 na venda, em alta de 5,36%. Em um dia bastante turbulento também para o câmbio, o Banco Central promoveu três leilões de venda de dólares, além de um leilão de "swap" cambial, o que equivalente a uma venda de moeda no mercado futuro.
"O fluxo está positivo e as entradas pelo lado das exportações têm superado as saídas pelo lado financeiro. Tem muita especulação nesse momento", comenta Maurício Lima, diretor da corretora de câmbio Confidence. "O mercado está parâmetros e é muito díficil fazer previsões sobre o dólar neste momento".
Os investidores já estavam nervosos com as notícias vindas dos EUA desde quinta-feira. Perto do encerramento, a Bolsa de Nova York desabou, arrastando consigo a Bovespa, em que um terço dos investidores é de "estrangeiros". Wall Street deu o sinal para que as Bolsas asiáticas desabassem: a Bolsa de Tóquio fechou em baixa de 9,62%. As Bolsas européias seguiram pelo mesmo caminho: em Londres, as ações caíram 8,9% (pelo índice FTSE), enquanto a Bolsa alemã perdeu 7%.
Hoje, a Bolsas americanas abriram o dia derretendo e continuaram com oscilações bruscas ao longo de todo dia. Perto do fim, o índice Dow Jones deu sinais de recuperação e cedeu apenas 1,49%, quase um "anticlimax" para uma jornada que prometia quedas muito maiores.
"Há alguma expectativa que neste final de semana possa surgir um novo corte de juros, ou mesmo, um novo pacotão financeiro estatizante, em que se compra os créditos podres na praça e coloca no bolso do governo. Mas isso está somente na cabeça das pessoas", comenta Expedito Araújo, operador da corretora Alpes, acrescentando: "o mercado está totalmente emocional. Está irracional".
Bush
Analistas afirmam que o mercado financeiro ainda aguarda uma atitude drástica do governo americano para deter a crise. Hoje, o presidente dos EUA, George W. Bush voltou a falar em cadeia nacional, destacando as reuniões que ocorrerão a partir de hoje entre o governo americano e representantes do G7 (grupo dos sete países mais ricos) e do G20 (grupo de países emergentes liderado pelo Brasil).
| Ron Edmonds/AP |
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| O presidente George Bush disse que os EUA não estão "isolados" para enfrentar a crise |
Segundo analistas, o mercado aguardava que o presidente Bush sinalizasse algum tipo de medida para garantir os depósitos bancários, o que não aconteceu. O maior temor dos investidores é que a crise precipite uma corrida aos bancos, nos moldes do desastre de 1929.
O pânico de hoje é provocado principalmente pela percepção dos investidores de que a crise financeira já atingiu em cheio a economia real. Ontem, a Bolsa de Nova York desabou 7,33% na última hora de operações, com as más notícias sobre as gigantes do setor automobilístico General Motors e Ford Motors, sob ameaça de rebaixamento de seus "ratings" (notas de risco de crédito).
Hoje, a seguradora japonesa Yamato, que quebrou sob dívidas bilionárias, ampliou o alcance geográfico da crise financeira e contribuiu para elevar ainda mais o nervosismo dos investidores.
O mercado brasileiro já tem um canal de contaminação imediato, pois um terço dos investidores que operam na Bolsa são "estrangeiros" ou "não-residentes". Outro canal de contaminação vem pelo preço das commodities (matérias-primas). As principais ações da Bovespa são de empresas como Petrobras, Vale do Rio Doce e CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), fortemente influenciadas pelas cotações do petróleo e das matérias-primas metálicas.
E com a perspectiva de uma recessão global, esses preços desabaram pesadamente. O barril de petróleo, que há alguns meses ameaçava bater a cotação histórica de US$ 200, como chegaram a supor algumas consultorias internacionais, é cotado nesta sexta-feira a US$ 77, em forte declínio de 10,27%.
Sem efeito
O nervosismo dos investidores é ainda mais grave porque sucede após uma série de medidas dos governos americanos e europeus para deter os desdobramentos da crise dos créditos "subprime" (empréstimos hipotecários de alto risco), sem que consiga acalmar os mercados financeiros.
Nas últimas semanas, o Congresso americano já aprovou um pacote bilionário (US$ 700 bilhões) para resgatar créditos problemáticos, ainda em fase de implantação; a medida que já foi replicada na Inglaterra e na Rússia; uma série de instituições financeiras já foram "salvas" da falência por intervenções diretas dos governos locais, a exemplo de gigante americana dos seguros, a AIG, ou do banco alemão Hypo Real Estate; e outros muitos bancos já foram engolidos por rivais de longa data, caso da Merrill Lynch, comprada pelo Bank of America.
Sem esquecer das injeções de bilhões de dólares quase diárias por parte dos bancos centrais para aquecer a circulação de recursos entre os bancos. No dia 29 de setembro, dez BCs anunciaram uma oferta de US$ 620 bilhões em liquidez (dinheiro); em outra ação conjunta posterior, outros seis BCs anunciaram leilões de US$ 450 bilhões até o fim do ano para garantir que não ocorra falta de dinheiro.
E nesta semana, seis bancos centrais --Federal Reserve (Fed, o BC americano), Banco do Canadá, Banco da Inglaterra (BC britânico), BCE (Banco Central Europeu), Sveriges Riksbank (da Suécia) e SNB (Banco Nacional da Suíça, na sigla em inglês)-- cortaram suas taxas de juros ao mesmo tempo, esperando que um barateamento do crédito aliviasse também a pressão sobre a taxa Libor (juro interbancário no mercado internacional), facilitando as trocas de capitais entre as instituições bancárias. Além disso, o governo britânico anunciou um pacote bilionário para evitar quebras de bancos.
Brasil
O governo brasileiro também já tomou uma série de medidas para prevenir o contágio do país. Desde a segunda quinzena de setembro, o Banco Central aumentou suas intervenções sobre o mercado de câmbio, promovendo leilões de venda de dólares, com queima de reservas, e de "swap" cambial.
O governo também mexeu no recolhimento de depósitos compulsórios, o dinheiro obrigatoriamente retido pelos bancos no BC. Em três medidas diferentes, já foram liberados R$ 60 bilhões para o sistema bancário, com alvo nos bancos pequenos e médios, os mais afetados pela crise.
| Arte Folha Online | ||
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A redução da desigualdade NUNCA havia sido feita por governo nenhum do país! (eu digo isso com muita tristeza).
O documentário feito pela BBC- MUIT ALÉM DO CIDADÃO KANE (disponível no youtube) - feito pela Inglaterra revela esta desigualdade social. O curioso é que ainda revela outras situações importantes que só dá pra discutir quem já assistiu (como o interesse da REDE GLOBO de influenciar nas eleições sempre para o lado que mais interessa à emissora e não a sociedade).
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Porém, a quantidade é inversamente proporcional à qualidade.
Foram gerados inumeros empregos, obras do PAC, inclusão social através do bolsa familia, aumento de universitários, porém, tudo de baixa qualidade.
E o que era de qualidade razoável, está ficando ruim tambem.
Do ponto de vista em nivelar "por baixo" , realmente o Brasil esta indo bem.
[]s
Eduardo.
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