Dinheiro
11/10/2008 - 14h39

Sistema financeiro global está perto de derreter, afirma FMI

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da Reuters
da Folha Online

Atualizada às 15h40

O FMI (Fundo Monetário Internacional) alertou neste sábado que os bancos endividados têm empurrado o mercado financeiro global para o que chamou de "derretimento", e afirmou que as nações ricas falharam, por enquanto, em restaurar a confiança.

"As intensas preocupações sobre o resgate de algumas dos maiores instituições financeiras dos EUA e da Europa empurraram o sistema financeiro global para perto do derretimento sistêmico", disse o chefe do FMI, Dominique Strauss-Khan.

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Yuri Gripas/Reuters
Diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn (à direita), em reunião do Fundo
Diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn (à direita), em reunião do Fundo

As declarações foram feitas na abertura de reunião do Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC, na sigla em inglês), órgão que estabelece as estratégias do FMI, na sede em Washington.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, que também discursou, defendeu que o sistema financeiro que surgir após a crise deve ter mecanismos de supervisão de mercados. "Depois de controlada a turbulência, teremos que estabelecer um novo conjunto de práticas para fortalecer e proteger o sistema financeiro, mas sem desviá-lo para as práticas dos países avançados", disse.

FMI e Banco Mundial tomaram parte, na manhã desta sexta, de uma reunião entre o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, com o G7 --grupo dos sete países mais industrializados do mundo, Alemanha, Canadá, EUA, França, Reino Unido, Itália e Japão.

Ainda neste sábado, à noite, FMI e Banco Mundial participam da reunião com o G20 financeiro --20 nações mais ricas, incluídas na lista China, Índia e Brasil, que exerce a atual presidência do grupo. Mantega e Henrique Meirelles (presidente do banco Central) participam. A reunião foi convocada a pedido do secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson.

Enquanto o FMI alertou para um futuro com "condições financeiras muito difíceis, retendo as perspectivas de crescimento global", Bush pediu paciência. "Estou confiante de que as maiores economias do mundo podem superar os desafios que enfrentamos", disse Bush.

"Os benefícios [do pacote de US$ 700 bilhões] não serão realizados da noite para o dia, mas, quando essas ações foram implementadas, ajudarão a restaurar a estabilidade de nossos mercados e a confiança das nossas instituições financeiras", continuou o presidente em discurso feito pela manhã.

"Todos nós reconhecemos que esta é uma séria crise global e por isso precisa de uma resposta global séria para o bem de nossas populações", afirmou Bush após se reunir com os ministros do G7. "Estamos envolvidos nisso juntos, e sairemos juntos." Segundo o presidente, todos estão determinados a "continuar os grandes esforços para levar suas economias de volta ao caminho da estabilidade e do crescimento de longo prazo".

A reunião de Bush e dos ministros do G7 ocorre ao final do que representou a pior semana da história para os mercados mundiais, na qual a Bolsa de Nova York perdeu 21% de seu valor e a Bolsa de Tóquio desabou 24%. No Brasil, a Bovespa despencou 20% na semana.

Ação conjunta

A reunião de Bush com o G7 e o encontro do G20 ocorre um dia depois do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, ter anunciado que o governo dos Estados Unidos vai comprar ações de instituições financeiras com fundos do pacote de US$ 700 bilhões aprovado pelo Congresso americano. "Estamos desenvolvendo estratégias (...) para adquirir participações nas instituições financeiras conforme for necessário para impulsionar a estabilidade nos mercados financeiros", disse Paulson.

Ontem, pouco antes, os países membros do G7 acordaram tomar "todas as medidas necessárias para desbloquear o crédito e os mercados monetários" para que os bancos disponham de "amplo acesso à liquidez" (oferta de dinheiro).

O grupo, reunido em Washington, anunciou a adoção de um "plano de ação" de cinco pontos para enfrentar a crise financeira internacional. (veja abaixo)

"O G7 concorda que a atual situação exige uma ação urgente e excepcional", destaca um comunicado do Tesouro dos Estados Unidos. "Nos comprometemos a prosseguir trabalhando juntos para estabilizar os mercados financeiros, restaurar o fluxo de crédito e apoiar o crescimento econômico global."

O G7 também se compromete a fazer o necessário para desbloquear o mercado de crédito hipotecário e destaca a necessidade de se conceder aos bancos a capacidade de elevar seu capital junto aos setores público e privado, visando a restabelecer a confiança.

Em pronunciamento nesta sexta-feira, Bush disse que o sistema financeiro americano não está isolado do resto do mundo e atribuiu relevância às reuniões entre o governo americano e representantes do G7 e do G20 para coordenar os trabalhos de salvamento do sistema financeiro.

Veja os pontos:

1 - Adotar ações decisivas e utilizar todas as ferramentas disponíveis para apoiar as instituições financeiras importantes para o sistema e evitar sua falência.

2 - Dar todos os passos necessários para descongelar os mercados de crédito e câmbio e garantir que os bancos e outras instituições financeiras tenham amplo acesso à liquidez e fundos.

3 - Garantir que bancos e outros intermediários financeiros maiores possam, segundo sua necessidade, reunir capital de fontes públicas e privadas, em volumes suficientes para restabelecer a confiança e prosseguir com os empréstimos para famílias e negócios.

4 - Assegurar que os respectivos seguros nacionais de depósitos e programas de garantias sejam suficientemente robustos e consistentes para que os pequenos correntistas mantenham a confiança no sistema.

5 - Atuar, quando for apropriado, para reativar os mercados secundários para hipotecas (os mercados de compra de hipotecas por entidades financeiras).

 

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