Países emergentes ganham importância diante da crise financeira
da Folha Online
da Efe, em Washington
O G20 financeiro realiza na noite deste sábado uma reunião de emergência na capital dos Estados Unidos para abordar a crise financeira, em uma cúpula que marca um ponto de inflexão para o grupo.
O grupo tem como membros a União Européia, o G7 (Grupo dos Sete, os sete países mais industrializados do mundo, formado por EUA, Canadá, Japão, Alemanha, Reino Unido, Itália e França), além de Coréia do Sul, Argentina, Austrália, Brasil, China, Índia, Indonésia, México, Arábia Saudita, África do Sul, Turquia e Rússia.
Os países emergentes terão um peso maior no encontro do que em algumas ocasiões anteriores e, apesar das quedas recentes em seus mercados e da depreciação de suas divisas, muitas destas economias não têm nem o grau de endividamento nem a dependência de financiamento a curto prazo de EUA e Europa.
A reunião, prevista para as 19h (Brasília) em Washington, será realizada a pedido dos EUA, que solicitaram o encontro extraordinário após realizarem consultas com o Brasil, que preside atualmente o grupo.
"Os mercados emergentes são agora os credores mundiais. Acumularam trilhões de dólares nos últimos anos para momentos difíceis e esses momentos estão aqui", afirmou na sexta-feira Alex Patelis, economista-chefe do Merrill Lynch, em coletiva de imprensa.
Patelis, que participou de um ato paralelo à assembléia anual do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial realizada neste fim de semana em Washington, disse que o mundo enfrenta "uma mudança total de papéis", e os países emergentes estão na posição de facilitar liquidez a seus parceiros ricos.
Além disso, segundo os dados do Merrill Lynch, as economias emergentes, lideradas por Brasil, Rússia, Índia e China, podem ter acumulado cerca de US$ 9 trilhões.
"Têm todas essas economias acumuladas e o mundo agora precisa desse dinheiro", disse Patelis.
O encontro acontece após a reunião realizada ontem pelo G7 em meio a um pânico global nos mercados e que foi concluída com o compromisso de tomar medidas "urgentes e excepcionais" para fazer frente a uma crise financeira sem precedentes.
Na noite passada, o grupo se comprometeu a utilizar todas as ferramentas possíveis para impedir a quebra de grandes bancos.
Seus membros também assegurarão que os programas de garantias de depósitos bancários sejam sólidos, tomarão medidas para que os bancos se recapitalizem com fundos públicos e privados, e atuarão para que o crédito volte a fluir e os mercados monetários funcionem.
O secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, disse estar confiante em que os outros membros do G20 darão hoje um forte respaldo ao plano de ação de cinco pontos aprovado ontem pelo G7.
"Eu ficaria surpreso (...) se não o apoiassem", disse Paulson em coletiva de imprensa. "Nunca antes tínhamos sido tão dependentes uns dos outros (...). Precisamos trabalhar juntos."
A reunião de hoje chega em meio a crescentes chamadas para a modernização da arquitetura financeira internacional, que exclui de seus principais centros de decisões países como Brasil, China e Índia com um crescente peso na economia mundial.
O G7 tem grande importância na economia global desde sua criação em 1970, mas o crescimento de várias economias emergentes faz com que cada vez sejam mais os que solicitam a ampliação do grupo.
Entre eles se encontra o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, que propôs na segunda-feira a modernização do G7 porque, segundo ele, o atual grupo "não funciona".
"Necessitamos de um grupo melhor para tempos diferentes", disse Zoellick, que pediu a criação de um bloco novo e flexível que inclua países como Brasil, China, Índia, México, Rússia e África do Sul, além dos atuais membros do G7.
Zoellick acredita que o novo grupo deveria "evoluir para se adaptar a algumas circunstâncias em transformação", ter flexibilidade suficiente para incorporar potências emergentes e servir como uma rede de interação freqüente.
"Precisamos de um Facebook para a diplomacia econômica multilateral", afirmou o presidente do Banco Mundial, em referência a um dos sites de relacionamento pessoal mais populares do planeta.
Novas ações
A reunião de Bush com o G7 e o encontro do G20 ocorre um dia depois do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, ter anunciado que o governo dos Estados Unidos vai comprar ações de instituições financeiras com fundos do pacote de US$ 700 bilhões aprovado pelo Congresso americano. "Estamos desenvolvendo estratégias (...) para adquirir participações nas instituições financeiras conforme for necessário para impulsionar a estabilidade nos mercados financeiros", disse Paulson.
Ontem, pouco antes, os países membros do G7 acordaram tomar "todas as medidas necessárias para desbloquear o crédito e os mercados monetários" para que os bancos disponham de "amplo acesso à liquidez" (oferta de dinheiro).
O grupo, reunido em Washington, anunciou a adoção de um "plano de ação" de cinco pontos para enfrentar a crise financeira internacional.
"O G7 concorda que a atual situação exige uma ação urgente e excepcional", destaca um comunicado do Tesouro dos Estados Unidos. "Nos comprometemos a prosseguir trabalhando juntos para estabilizar os mercados financeiros, restaurar o fluxo de crédito e apoiar o crescimento econômico global."
O G7 também se compromete a fazer o necessário para desbloquear o mercado de crédito hipotecário e destaca a necessidade de se conceder aos bancos a capacidade de elevar seu capital junto aos setores público e privado, visando a restabelecer a confiança.
Em pronunciamento nesta sexta-feira, Bush disse que o sistema financeiro americano não está isolado do resto do mundo e atribuiu relevância às reuniões entre o governo americano e representantes do G7 e do G20 para coordenar os trabalhos de salvamento do sistema financeiro.
Veja os pontos:
1 - Adotar ações decisivas e utilizar todas as ferramentas disponíveis para apoiar as instituições financeiras importantes para o sistema e evitar sua falência.
2 - Dar todos os passos necessários para descongelar os mercados de crédito e câmbio e garantir que os bancos e outras instituições financeiras tenham amplo acesso à liquidez e fundos.
3 - Garantir que bancos e outros intermediários financeiros maiores possam, segundo sua necessidade, reunir capital de fontes públicas e privadas, em volumes suficientes para restabelecer a confiança e prosseguir com os empréstimos para famílias e negócios.
4 - Assegurar que os respectivos seguros nacionais de depósitos e programas de garantias sejam suficientemente robustos e consistentes para que os pequenos correntistas mantenham a confiança no sistema.
5 - Atuar, quando for apropriado, para reativar os mercados secundários para hipotecas (os mercados de compra de hipotecas por entidades financeiras).
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Especial


Bem, essa forma de analise discordo. O que Obama fez em relação à crise foi a única opção e não devido a possíveis competências.
Isso acontece no Brasil tambem. Dizem que foi Lula que salvou o Brasil da crise, mas o que ele fez foi nada além de manter a inércia da política brasileira e com um pouco de sorte, deu certo de a crise não pegar tão forte.
Só que ao contrário do Brasil, o eleitorado Norte Americano exige mais, ainda mais depois do desastre de Bush.
Um presidente so quebra um país de for um ditador, caso contrário, setores da sociedade ajudam na tomada de decisões e o setor privado segura as pontas (que é o que acontece nos Estados Unidos e tambem no Brasil)
Inclusive hoje, um presidente não "pesa" tanto na condução de uma boa política de governo.
[]s
Eduardo.
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Eleitorado Norte-Americano é exigente. Quase 1 ano de Obama e a popularidade esta caindo e nem precisou se envolver em escandalos de corrupção.
Parabéns aos Norte-Americanos.
[]s
Eduardo.
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