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Dinheiro
12/10/2008 - 14h29

Contra crise, líderes da zona do euro discutem resgate de bancos

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da Folha Online

Os chefes de Estado e de governo dos 15 países do Eurogrupo devem anunciar planos de apoio a seus setores financeiros e garantam a estabilidade de bancos com problemas, disse o primeiro ministro britânico, Gordon Brown, neste domingo. O Reino Unido não faz parte dos Eurogrupo, que se reúne hoje em Paris para discutir medidas de combate à crise financeira, mas Brown se encontrou pela manhã com o presidente francês, Nicolas Sarkozy.

A France Presse informa que os países da zona euro estão prontos para, ao final do encontro, dar sua garantia às operações de refinanciamento dos bancos até o fim de 2009, segundo um projeto de declaração comum obtido pela agência de notícias.

Charles Platiau/AP
Primeiro-ministro britânico, Gordon Brown (dir.), não faz parte do Eurogrupo, mas foi convidado por Nicolas Sarkozy a participar
Primeiro-ministro britânico, Gordon Brown (dir.), não faz parte do Eurogrupo, mas foi convidado por Nicolas Sarkozy a participar

Sarkozy afirmou neste domingo, antes da Cúpula do Eurogrupo, que esperava a adoção de um "plano ambicioso, coordenado, que dê soluções" para a crise financeira. E sinalizou que as medidas já adotadas por Londres seriam um modelo a seguir.

Londres pôs à disposição dos bancos um fundo para facilitar os créditos em troca de as entidades permitirem ao Estado vigiar sua gestão e a remuneração de seus dirigentes. Além disso, o governo britânico se comprometeu a garantir os intercâmbios bancários para facilitar o funcionamento diário do sistema financeiro. O jornal "Sunday Times" informou ainda que, amanhã, o governo deve anunciar empréstimos ao Royal Bank da Escócia (RBS), HBOS, Lloyds e Barclays.

Segundo fontes da Presidência francesa, o Eurogrupo apostará pôr em plano um meio-termo entre o aprovado nos Estados Unidos e o idealizado por Brown.

Da reunião de hoje em Paris, participam também o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, e do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet.

"Quarta-feira tentaremos colocar toda a Europa na mesma direção coordenada e ambiciosa", disse ainda o presidente francês. "Isto é o que eu espero, é que a Europa fale em uma só voz." Uma cúpula dos 27 países-membros da União Européia ocorrerá nesta quarta e quinta-feira em Bruxelas.

O objetivo do encontro deste domingo em Paris passa por abrir a porta a uma nacionalização parcial dos bancos, coordenar as intervenções de cada Estado, garantir os depósitos dos poupadores, garantir os intercâmbios diários entre entidades e controlar as remunerações dos dirigentes. Tudo para trazer de volta ao sistema a confiança perdida e fazer o crédito voltar a circular.

Yoan Valat/Efe
A chanceler alemã, Angela Merkel, se encontrou com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, para discutir medidas contra a crise
A chanceler alemã, Angela Merkel, se encontrou com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, para discutir medidas contra a crise

Ontem, porém, Sarkozy e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, rejeitaram a adoção um plano conjunto de resgate financeiro nos moldes do aprovado pelos Estados Unidos. Apesar disso, segundo as palavras ditas ontem por Merkel, "somente um ato de Estado pode devolver a confiança necessária".

Hoje, o presidente da comissão orçamentária no Bundestag (Câmara Baixa do Parlamento), o liberal Otto Fricke, disse que governo alemão prepara pacote de resgate para os bancos nacionais que pode chegar a 400 bilhões de euros.

Neste domingo, Barroso também já falou. Disse que a Europa deve ir "[além das decisões do G7]"http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u454909.shtml, tomadas sexta-feira em Washington. Os ministros das finanças dos sete países mais industrializados do mundo anunciaram um acordo sobre as medidas coordenadas para recapitalizar os bancos em dificuldades e desbloquear o crédito do mercado interbancário, sem no entanto especificar como irão colocar em prática tais compromissos.

Também hoje, do outro lado do mundo, Austrália e Nova Zelândia afirmaram que iriam garantir os depósitos bancários, e os Estados do Golfo Árabe tomaram medidas de emergência para impulsionar a confiança no sistema financeiro. Na Noruega, foi anunciado plano no valor de US$ 41 bilhões para aumentar a liquidez (circulação de dinheiro) absorvida pela crise financeira.

G20

A Cúpula em Paris ocorre um dia depois de reuniões em Washington. Ontem, o G20 financeiro, o grupo que reúne os principais países ricos e emergentes, comprometeu-se a "utilizar todos os instrumentos econômicos e financeiros para assegurar a estabilidade e o bom funcionamento dos mercados financeiros", segundo comunicado final divulgado após encontro do órgão.

A reunião contou com a presença inesperada do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que se sentou ao lado do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que preside atualmente o G20. A sua direita, estavam o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, e o presidente do Federal Reserve (o BC americano), Ben Bernanke.

FMI

Yuri Gripas/Reuters
Diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn (à direita), em reunião ontem
Diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn (à direita), em reunião ontem

Horas antes, os mesmos atores da reunião do G20 participaram da reunião do IMFC (Comitê Monetário e Financeiro Internacional, na sigla em inglês), principal órgão diretor do FMI (Fundo Monetário Internacional). Nesta reunião, eles resolveram dar um apoio "enérgico" ao plano de ação contra a crise financeira internacional do G7 (Grupo dos Sete, que reúne os sete países mais ricos do mundo: Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, Reino Unido, Itália e França).

"Os 185 membros estão comprometidos com o plano de ação" do G7, disse Youssef Boutros Ghali, ministro das Finanças do Egito e presidente do IMFC.

Do mesmo modo, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, disse esperar que os investidores "entendam" a importância do sinal enviado neste sábado aos governos de todo o mundo.

Em sua declaração, o IMFC também alertou que muitos países emergentes podem ser prejudicados pela crise e disse que o FMI está pronto para ajudá-los 'rapidamente' com empréstimos de emergência. "É fundamental que os países avançados e as economias emergentes coordenem ações conjuntas", afirma a nota.

G7

O plano do G7 foi anunciado na noite de sexta-feira e é baseado em um "plano de ação" de cinco pontos para enfrentar a crise financeira internacional.

"O G7 concorda que a atual situação exige uma ação urgente e excepcional", destacou um comunicado do Tesouro dos Estados Unidos. "Nos comprometemos a prosseguir trabalhando juntos para estabilizar os mercados financeiros, restaurar o fluxo de crédito e apoiar o crescimento econômico global."

O G7 também se comprometeu a fazer o necessário para desbloquear o mercado de crédito hipotecário e destaca a necessidade de se conceder aos bancos a capacidade de elevar seu capital junto aos setores público e privado, visando a restabelecer a confiança.

Veja os cinco pontos:

1 - Adotar ações decisivas e utilizar todas as ferramentas disponíveis para apoiar as instituições financeiras importantes para o sistema e evitar sua falência.

2 - Dar todos os passos necessários para descongelar os mercados de crédito e câmbio e garantir que os bancos e outras instituições financeiras tenham amplo acesso à liquidez e fundos.

3 - Garantir que bancos e outros intermediários financeiros maiores possam, segundo sua necessidade, reunir capital de fontes públicas e privadas, em volumes suficientes para restabelecer a confiança e prosseguir com os empréstimos para famílias e negócios.

4 - Assegurar que os respectivos seguros nacionais de depósitos e programas de garantias sejam suficientemente robustos e consistentes para que os pequenos correntistas mantenham a confiança no sistema.

5 - Atuar, quando for apropriado, para reativar os mercados secundários para hipotecas (os mercados de compra de hipotecas por entidades financeiras).

Com as agências internacionais France Presse, Efe e Reuters

Comentários dos leitores
Eduardo Giorgini (444) 04/12/2009 11h31
Eduardo Giorgini (444) 04/12/2009 11h31
Concordo!
Os especialistas se baseam em economias de primeiro mundo, onde as pessoas são mais "mimadas" e dependentes das parafernálias de consumo ficando mais vulneráveis à crises.
Nós, brasileiros, estamos acostumados com a crise. Temos uma cultura de recessão ao longo de nossa história, ou seja, não sofremos muito com eventuais problemas economicos.
Para viver no Brasil, tem que ser forte e lutador
[]s
Eduardo.
2 opiniões
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mauro guanandi (50) 04/12/2009 10h32
mauro guanandi (50) 04/12/2009 10h32
sENHOR cELSO. eSTAS CERTO QUANTO AO PETRÓLEO.
O que me preocupa é q nesta aventura serao gastos 2/3 do Pib; talvez em algo inútil - em minha opiniao a dependencia do petroleo tende a diminuir com o avança cientifico de outras formas. Mas encherá os bolsos da tchurma como NUNCA ANTEZ NA HIZTÓRIA.
goebbels se revira no tumulo. a turma da propaganda do governo é mais eficiente. Bom, o povo sendo mais inculto facilita.
Diga-ma qual o erro deportugues mais forte que vistes...eu vi um tal de eduardo Souza num forum escrever falço. Voce viu algo pior?
sem opinião
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celso assis (79) 03/12/2009 10h03
celso assis (79) 03/12/2009 10h03
Falando ironicamente :
Estou indignado com este Sr Krugman, premio Nobel de Economia, com o que ele falou sobre o Brasil. Ele positivamente não sabe nada, e deveria fazer estágio com:
- certos comentaristas de tele jornais que foram outrora famosos, e boa parte de midia - influenciadores que foram influenciados por algum fator motivacional,
- nossos banqueiros e empresários em que só os otários acreditam,
- pessao ligado a Bovespa, Creci, Secovi que só falam o que lhes interessam.
Afinal de contas Sr. Krugman, nós temos a Copa de 2014, e Olimpiadas de 16, tb com apagões energéticos, aéreos, transito caótico, saneamento básico ruim, dengue, meningite, politicos, etc
Olha tb temos o pré-sal, que produzirá no final da década que ainda vais iniciar-se, o óleo mais "salgado" do mundo. Para extrai-lo vão ser necessário muitos dolares por barril, muitas vezes mais que nos outros Paises. Lógico que qto mais se gasta, menso se ganha.
Bem feito sr. Krugman, o Jornal da Band, e o Nacional boicotaram vc, e nada noticiaram sobre seus palpites furados.
E VIVA NÓIS
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