Contra crise, líderes da zona do euro discutem resgate de bancos
da Folha Online
Os chefes de Estado e de governo dos 15 países do Eurogrupo devem anunciar planos de apoio a seus setores financeiros e garantam a estabilidade de bancos com problemas, disse o primeiro ministro britânico, Gordon Brown, neste domingo. O Reino Unido não faz parte dos Eurogrupo, que se reúne hoje em Paris para discutir medidas de combate à crise financeira, mas Brown se encontrou pela manhã com o presidente francês, Nicolas Sarkozy.
A France Presse informa que os países da zona euro estão prontos para, ao final do encontro, dar sua garantia às operações de refinanciamento dos bancos até o fim de 2009, segundo um projeto de declaração comum obtido pela agência de notícias.
| Charles Platiau/AP |
![]() |
| Primeiro-ministro britânico, Gordon Brown (dir.), não faz parte do Eurogrupo, mas foi convidado por Nicolas Sarkozy a participar |
Sarkozy afirmou neste domingo, antes da Cúpula do Eurogrupo, que esperava a adoção de um "plano ambicioso, coordenado, que dê soluções" para a crise financeira. E sinalizou que as medidas já adotadas por Londres seriam um modelo a seguir.
Londres pôs à disposição dos bancos um fundo para facilitar os créditos em troca de as entidades permitirem ao Estado vigiar sua gestão e a remuneração de seus dirigentes. Além disso, o governo britânico se comprometeu a garantir os intercâmbios bancários para facilitar o funcionamento diário do sistema financeiro. O jornal "Sunday Times" informou ainda que, amanhã, o governo deve anunciar empréstimos ao Royal Bank da Escócia (RBS), HBOS, Lloyds e Barclays.
Segundo fontes da Presidência francesa, o Eurogrupo apostará pôr em plano um meio-termo entre o aprovado nos Estados Unidos e o idealizado por Brown.
Da reunião de hoje em Paris, participam também o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, e do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet.
"Quarta-feira tentaremos colocar toda a Europa na mesma direção coordenada e ambiciosa", disse ainda o presidente francês. "Isto é o que eu espero, é que a Europa fale em uma só voz." Uma cúpula dos 27 países-membros da União Européia ocorrerá nesta quarta e quinta-feira em Bruxelas.
O objetivo do encontro deste domingo em Paris passa por abrir a porta a uma nacionalização parcial dos bancos, coordenar as intervenções de cada Estado, garantir os depósitos dos poupadores, garantir os intercâmbios diários entre entidades e controlar as remunerações dos dirigentes. Tudo para trazer de volta ao sistema a confiança perdida e fazer o crédito voltar a circular.
| Yoan Valat/Efe |
|
| A chanceler alemã, Angela Merkel, se encontrou com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, para discutir medidas contra a crise |
Ontem, porém, Sarkozy e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, rejeitaram a adoção um plano conjunto de resgate financeiro nos moldes do aprovado pelos Estados Unidos. Apesar disso, segundo as palavras ditas ontem por Merkel, "somente um ato de Estado pode devolver a confiança necessária".
Hoje, o presidente da comissão orçamentária no Bundestag (Câmara Baixa do Parlamento), o liberal Otto Fricke, disse que governo alemão prepara pacote de resgate para os bancos nacionais que pode chegar a 400 bilhões de euros.
Neste domingo, Barroso também já falou. Disse que a Europa deve ir "[além das decisões do G7]"http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u454909.shtml, tomadas sexta-feira em Washington. Os ministros das finanças dos sete países mais industrializados do mundo anunciaram um acordo sobre as medidas coordenadas para recapitalizar os bancos em dificuldades e desbloquear o crédito do mercado interbancário, sem no entanto especificar como irão colocar em prática tais compromissos.
Também hoje, do outro lado do mundo, Austrália e Nova Zelândia afirmaram que iriam garantir os depósitos bancários, e os Estados do Golfo Árabe tomaram medidas de emergência para impulsionar a confiança no sistema financeiro. Na Noruega, foi anunciado plano no valor de US$ 41 bilhões para aumentar a liquidez (circulação de dinheiro) absorvida pela crise financeira.
G20
A Cúpula em Paris ocorre um dia depois de reuniões em Washington. Ontem, o G20 financeiro, o grupo que reúne os principais países ricos e emergentes, comprometeu-se a "utilizar todos os instrumentos econômicos e financeiros para assegurar a estabilidade e o bom funcionamento dos mercados financeiros", segundo comunicado final divulgado após encontro do órgão.
A reunião contou com a presença inesperada do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que se sentou ao lado do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que preside atualmente o G20. A sua direita, estavam o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, e o presidente do Federal Reserve (o BC americano), Ben Bernanke.
FMI
| Yuri Gripas/Reuters |
![]() |
| Diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn (à direita), em reunião ontem |
Horas antes, os mesmos atores da reunião do G20 participaram da reunião do IMFC (Comitê Monetário e Financeiro Internacional, na sigla em inglês), principal órgão diretor do FMI (Fundo Monetário Internacional). Nesta reunião, eles resolveram dar um apoio "enérgico" ao plano de ação contra a crise financeira internacional do G7 (Grupo dos Sete, que reúne os sete países mais ricos do mundo: Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, Reino Unido, Itália e França).
"Os 185 membros estão comprometidos com o plano de ação" do G7, disse Youssef Boutros Ghali, ministro das Finanças do Egito e presidente do IMFC.
Do mesmo modo, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, disse esperar que os investidores "entendam" a importância do sinal enviado neste sábado aos governos de todo o mundo.
Em sua declaração, o IMFC também alertou que muitos países emergentes podem ser prejudicados pela crise e disse que o FMI está pronto para ajudá-los 'rapidamente' com empréstimos de emergência. "É fundamental que os países avançados e as economias emergentes coordenem ações conjuntas", afirma a nota.
G7
O plano do G7 foi anunciado na noite de sexta-feira e é baseado em um "plano de ação" de cinco pontos para enfrentar a crise financeira internacional.
"O G7 concorda que a atual situação exige uma ação urgente e excepcional", destacou um comunicado do Tesouro dos Estados Unidos. "Nos comprometemos a prosseguir trabalhando juntos para estabilizar os mercados financeiros, restaurar o fluxo de crédito e apoiar o crescimento econômico global."
O G7 também se comprometeu a fazer o necessário para desbloquear o mercado de crédito hipotecário e destaca a necessidade de se conceder aos bancos a capacidade de elevar seu capital junto aos setores público e privado, visando a restabelecer a confiança.
Veja os cinco pontos:
1 - Adotar ações decisivas e utilizar todas as ferramentas disponíveis para apoiar as instituições financeiras importantes para o sistema e evitar sua falência.
2 - Dar todos os passos necessários para descongelar os mercados de crédito e câmbio e garantir que os bancos e outras instituições financeiras tenham amplo acesso à liquidez e fundos.
3 - Garantir que bancos e outros intermediários financeiros maiores possam, segundo sua necessidade, reunir capital de fontes públicas e privadas, em volumes suficientes para restabelecer a confiança e prosseguir com os empréstimos para famílias e negócios.
4 - Assegurar que os respectivos seguros nacionais de depósitos e programas de garantias sejam suficientemente robustos e consistentes para que os pequenos correntistas mantenham a confiança no sistema.
5 - Atuar, quando for apropriado, para reativar os mercados secundários para hipotecas (os mercados de compra de hipotecas por entidades financeiras).
Com as agências internacionais France Presse, Efe e Reuters
Leia mais
- Pacote de resgate alemão pode chegar a 400 bilhões de euros
- Portugal, Austrália e Emirados Árabes oferecem garantia a depósitos bancários
- Europa debate medidas anticrise; Sarkozy pede "plano ambicioso"
- Merkel defende intervenção do estado para salvar os bancos
- Austrália anuncia que garante todos os depósitos bancários durante três anos
Livraria
- Saiba como foi criado o EURO, a moeda comum que hoje circula em quase toda a Europa
- Jornalista explica em livro papel do SISTEMA FINANCEIRO; leia capítulo
- Entenda a CRISE ECONÔMICA pela ótica de Karl Marx
Especial





Os especialistas se baseam em economias de primeiro mundo, onde as pessoas são mais "mimadas" e dependentes das parafernálias de consumo ficando mais vulneráveis à crises.
Nós, brasileiros, estamos acostumados com a crise. Temos uma cultura de recessão ao longo de nossa história, ou seja, não sofremos muito com eventuais problemas economicos.
Para viver no Brasil, tem que ser forte e lutador
[]s
Eduardo.
avalie fechar
O que me preocupa é q nesta aventura serao gastos 2/3 do Pib; talvez em algo inútil - em minha opiniao a dependencia do petroleo tende a diminuir com o avança cientifico de outras formas. Mas encherá os bolsos da tchurma como NUNCA ANTEZ NA HIZTÓRIA.
goebbels se revira no tumulo. a turma da propaganda do governo é mais eficiente. Bom, o povo sendo mais inculto facilita.
Diga-ma qual o erro deportugues mais forte que vistes...eu vi um tal de eduardo Souza num forum escrever falço. Voce viu algo pior?
avalie fechar
Estou indignado com este Sr Krugman, premio Nobel de Economia, com o que ele falou sobre o Brasil. Ele positivamente não sabe nada, e deveria fazer estágio com:
- certos comentaristas de tele jornais que foram outrora famosos, e boa parte de midia - influenciadores que foram influenciados por algum fator motivacional,
- nossos banqueiros e empresários em que só os otários acreditam,
- pessao ligado a Bovespa, Creci, Secovi que só falam o que lhes interessam.
Afinal de contas Sr. Krugman, nós temos a Copa de 2014, e Olimpiadas de 16, tb com apagões energéticos, aéreos, transito caótico, saneamento básico ruim, dengue, meningite, politicos, etc
Olha tb temos o pré-sal, que produzirá no final da década que ainda vais iniciar-se, o óleo mais "salgado" do mundo. Para extrai-lo vão ser necessário muitos dolares por barril, muitas vezes mais que nos outros Paises. Lógico que qto mais se gasta, menso se ganha.
Bem feito sr. Krugman, o Jornal da Band, e o Nacional boicotaram vc, e nada noticiaram sobre seus palpites furados.
E VIVA NÓIS
avalie fechar