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Dinheiro
12/10/2008 - 16h36

Zona do euro dará recursos para bancos e abre porta a estatizações

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da Folha Online
da Efe, em Paris

Líderes dos países da zona do euro (países que adotam o euro como moeda única) reunidos hoje em Paris decidiram permitir um refinanciamento "limitado" até o final de 2009 para os bancos da região e de acordo com as "condições do mercado", disse o presidente francês, Nicolas Sarkozy, após a reunião.

Os países-membros da zona do euro ainda aprovaram que poderão "reforçar o capital dos bancos de seus respectivos países", segundo Sarkozy --abrindo espaço para estatizações parciais no setor bancário europeu.

"Não será um presente para os bancos", declarou o presidente francês. "O plano que aprovamos tem a vocação de se aplicado em cada um de nossos Estados-membros com a flexibilidade que se necessite em função da diversidade de nossos sistemas financeiros e de nossas regras nacionais."

O presidente francês assegurou que "é preciso devolver aos bancos a liquidez que precisam, que possam obter financiamento a médio prazo e reforçar seus fundos próprios."

Yoan Valat/Efe
A chanceler alemã, Angela Merkel, se encontrou com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, para discutir medidas contra a crise
A chanceler alemã, Angela Merkel, se encontrou com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, para discutir medidas contra a crise

"Os governos da zona do euro darão garantias públicas para operações de refinanciamento bancário. Este dispositivo temporário, até 31 de dezembro de 2009, será naturalmente devolvido em condições de mercado. Não se trata de dar um presente aos bancos, mas de permitir seu funcionamento", frisou Sarkozy.

O francês, que ocupa a Presidência rotativa da União Européia, explicou que "os Estados que quiserem poderão reforçar o capital dos bancos mediante a subscrição de ações preferenciais ou com títulos similares."

"Com uma estrutura financeira dos bancos que seja mais forte eliminaremos a pressão que pesa sobre o crédito", afirmou Sarkozy, que disse que os governantes dos 15 Estados da zona do euro manifestaram sua satisfação com as decisões tomadas pelo BCE (Banco Central Europeu) em relação à crise nas últimas semanas, como a injeção de recursos no sistema bancário para ampliar a liquidez e a redução da taxa de juros básica da região.

O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, "nos comunicou sua determinação absoluta para pôr tudo que for necessário em andamento para permitir o retorno à normalidade", assinalou Sarkozy.

Antes da reunião, o ministro das Finanças da Bélgica, Didier Reynders, disse que os países europeus vão anunciar até quarta-feira os valores que cada um colocará no plano coordenado para recapitalizar os bancos em dificuldades e garantir os empréstimos interbancários.

Sarkozy afirmou antes da Cúpula que esperava a adoção de um "plano ambicioso, coordenado, que dê soluções" para a crise financeira. E sinalizou que as medidas já adotadas por Londres seriam um modelo a seguir.

Londres pôs à disposição dos bancos um fundo para facilitar os créditos em troca de as entidades permitirem ao Estado vigiar sua gestão e a remuneração de seus dirigentes. Além disso, o governo britânico se comprometeu a garantir os intercâmbios bancários para facilitar o funcionamento diário do sistema financeiro. O jornal "Sunday Times" informou ainda que, amanhã, o governo deve anunciar empréstimos ao RBS (Royal Bank da Escócia), HBOS, Lloyds e Barclays.

"Quarta-feira tentaremos colocar toda a Europa na mesma direção coordenada e ambiciosa", disse ainda o presidente francês. "Isto é o que eu espero, é que a Europa fale em uma só voz." Uma cúpula dos 27 países-membros da União Européia ocorrerá nesta quarta e quinta-feira em Bruxelas.

Neste domingo, Barroso também já falou. Disse que a Europa deve ir além das decisões do G7, tomadas sexta-feira em Washington. Os ministros das finanças dos sete países mais industrializados do mundo anunciaram um acordo sobre as medidas coordenadas para recapitalizar os bancos em dificuldades e desbloquear o crédito do mercado interbancário, sem no entanto especificar como irão colocar em prática tais compromissos.

Também hoje, do outro lado do mundo, Austrália e Nova Zelândia afirmaram que iriam garantir os depósitos bancários, e os Estados do Golfo Árabe tomaram medidas de emergência para impulsionar a confiança no sistema financeiro. Na Noruega, foi anunciado plano no valor de US$ 41 bilhões para aumentar a liquidez (circulação de dinheiro) absorvida pela crise financeira.

G20

A Cúpula em Paris ocorre um dia depois de reuniões em Washington. Ontem, o G20 financeiro, o grupo que reúne os principais países ricos e emergentes, comprometeu-se a "utilizar todos os instrumentos econômicos e financeiros para assegurar a estabilidade e o bom funcionamento dos mercados financeiros", segundo comunicado final divulgado após encontro do órgão.

A reunião contou com a presença inesperada do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que se sentou ao lado do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que preside atualmente o G20. A sua direita, estavam o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, e o presidente do Federal Reserve (o BC americano), Ben Bernanke.

Horas antes, os mesmos atores da reunião do G20 participaram da reunião do IMFC (Comitê Monetário e Financeiro Internacional, na sigla em inglês), principal órgão diretor do FMI (Fundo Monetário Internacional). Nesta reunião, eles resolveram dar um apoio "enérgico" ao plano de ação contra a crise financeira internacional do G7 (Grupo dos Sete, que reúne os sete países mais ricos do mundo: Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, Reino Unido, Itália e França).

"Os 185 membros estão comprometidos com o plano de ação" do G7, disse Youssef Boutros Ghali, ministro das Finanças do Egito e presidente do IMFC. Do mesmo modo, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, disse esperar que os investidores "entendam" a importância do sinal enviado neste sábado aos governos de todo o mundo.

Em sua declaração, o IMFC também alertou que muitos países emergentes podem ser prejudicados pela crise e disse que o FMI está pronto para ajudá-los 'rapidamente' com empréstimos de emergência. "É fundamental que os países avançados e as economias emergentes coordenem ações conjuntas", afirma a nota.

O plano do G7 foi anunciado na noite de sexta-feira e é baseado em um "plano de ação" de cinco pontos para enfrentar a crise financeira internacional.

"O G7 concorda que a atual situação exige uma ação urgente e excepcional", destacou um comunicado do Tesouro dos Estados Unidos. "Nos comprometemos a prosseguir trabalhando juntos para estabilizar os mercados financeiros, restaurar o fluxo de crédito e apoiar o crescimento econômico global."

O G7 também se comprometeu a fazer o necessário para desbloquear o mercado de crédito hipotecário e destaca a necessidade de se conceder aos bancos a capacidade de elevar seu capital junto aos setores público e privado, visando a restabelecer a confiança.

Veja os cinco pontos:

1 - Adotar ações decisivas e utilizar todas as ferramentas disponíveis para apoiar as instituições financeiras importantes para o sistema e evitar sua falência.

2 - Dar todos os passos necessários para descongelar os mercados de crédito e câmbio e garantir que os bancos e outras instituições financeiras tenham amplo acesso à liquidez e fundos.

3 - Garantir que bancos e outros intermediários financeiros maiores possam, segundo sua necessidade, reunir capital de fontes públicas e privadas, em volumes suficientes para restabelecer a confiança e prosseguir com os empréstimos para famílias e negócios.

4 - Assegurar que os respectivos seguros nacionais de depósitos e programas de garantias sejam suficientemente robustos e consistentes para que os pequenos correntistas mantenham a confiança no sistema.

5 - Atuar, quando for apropriado, para reativar os mercados secundários para hipotecas (os mercados de compra de hipotecas por entidades financeiras).

Comentários dos leitores
Eduardo Giorgini (442) 04/12/2009 11h31
Eduardo Giorgini (442) 04/12/2009 11h31
Concordo!
Os especialistas se baseam em economias de primeiro mundo, onde as pessoas são mais "mimadas" e dependentes das parafernálias de consumo ficando mais vulneráveis à crises.
Nós, brasileiros, estamos acostumados com a crise. Temos uma cultura de recessão ao longo de nossa história, ou seja, não sofremos muito com eventuais problemas economicos.
Para viver no Brasil, tem que ser forte e lutador
[]s
Eduardo.
sem opinião
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celso assis (77) 03/12/2009 10h03
celso assis (77) 03/12/2009 10h03
Falando ironicamente :
Estou indignado com este Sr Krugman, premio Nobel de Economia, com o que ele falou sobre o Brasil. Ele positivamente não sabe nada, e deveria fazer estágio com:
- certos comentaristas de tele jornais que foram outrora famosos, e boa parte de midia - influenciadores que foram influenciados por algum fator motivacional,
- nossos banqueiros e empresários em que só os otários acreditam,
- pessao ligado a Bovespa, Creci, Secovi que só falam o que lhes interessam.
Afinal de contas Sr. Krugman, nós temos a Copa de 2014, e Olimpiadas de 16, tb com apagões energéticos, aéreos, transito caótico, saneamento básico ruim, dengue, meningite, politicos, etc
Olha tb temos o pré-sal, que produzirá no final da década que ainda vais iniciar-se, o óleo mais "salgado" do mundo. Para extrai-lo vão ser necessário muitos dolares por barril, muitas vezes mais que nos outros Paises. Lógico que qto mais se gasta, menso se ganha.
Bem feito sr. Krugman, o Jornal da Band, e o Nacional boicotaram vc, e nada noticiaram sobre seus palpites furados.
E VIVA NÓIS
19 opiniões
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Olmir Antonio de Oliveira (75) 03/12/2009 09h47
Olmir Antonio de Oliveira (75) 03/12/2009 09h47
A repeito da recuperação de mercados..... A dizer da econômia brasileira, no termo equilibrio, travessia, em termos econômicos um bom comparativo, uma ponte, com bons fundamentos (extrutura), tensionada, fortemente exigida, mas com capacidade para resistir, suportar "o uso" e "abusos". Com isto certamente possibilita um avanço significativo em termos econômicos, em ganhos em diversos niveis, um crecimento, uma melhoria de padrão geral, a formação de um novo conceito de solidez, de desenvolvimento como um todo. Imperativo o controle de gastos "em época eleitoral", os famosos desperdicios, as demagogias, erros, politicagem,propaganda enganosa. época que se faz nescessário ampliação de critérios, e cobranças com os gastos, em obras sem útilidade efetiva, e ou duradoura. Do história inicio de ano, época de férias.....atividades reduzidas, coisas se bem pensadas e organizadas podem dar bons resultados aos trabalhadores, empresas, consumidor, já no trimestre seguinte, cautela, controles, agilidade operacional, e de sistemas produtivos, ...... 2 opiniões
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