Dinheiro
13/10/2008 - 14h02

Um dia após acordo anticrise, países europeus liberam US$ 2 trilhões

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da Folha Online

Um dia após decidirem injetar recursos para refinanciar bancos e garantir a liquidez nos empréstimos interbancários, os países da zona do euro (que usam o euro como moeda única) iniciaram os anúncios de quanto irão gastar nesta missão. A medida também já foi tomada por outros países europeus que não fazem parte deste grupo, como Inglaterra e Rússia, e o montante praticamente já chegou a US$ 2 trilhões.

Os 15 países concordaram no domingo, em Paris, em criar um plano conjunto para atacar a crise centrado em dois pilares: a garantia dos empréstimos interbancários e o apoio às entidades para evitar sua quebra, recorrendo, inclusive, a recapitalizações. Esta "caixa de ferramentas" será aplicada em nível nacional, de acordo com a disponibilidade financeira e com as prioridades de cada um dos países.

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Até o início da tarde de hoje, sete dos 15 países que estão na zona do euro e já liberaram recursos na ordem de 1,32 trilhão de euros (cerca de US$ 1,78 trilhão): Alemanha (500 bilhões de euros, ou cerca de US$ 815 bilhões), França (360 bilhões de euros, ou cerca de US$ 490 bilhões), Holanda (200 bilhões de euros, ou cerca de US$ 270 bilhões), Espanha (100 bilhões de euros, ou cerca de US$ 136 bilhões), Áustria (100 bilhões de euros), Itália (40 bilhões de euros, ou cerca de US$ 54 bilhões) e Portugal (20 bilhões de euros, ou cerca de US$ 27 bilhões).

Além dos países da zona do euro, a Inglaterra também tinha anunciado um pacote semelhante de ajuda de 50 bilhões de euros (cerca de US$ 68 bilhões), a serem usados para comprar ações dos principais bancos do país. O governo local anunciou que recapitalizará os bancos RBS (Royal Bank of Scotland), HBOS e Lloyds TSB com esses recursos para manter os mesmos em boa situação. Esse pacote foi considerado o "modelo" para a medida dos países da zona do euro.

Já na Rússia, o governo sancionou um pacote de leis para estabilizar os mercados financeiros. "Assinei uma série de leis que foram preparadas rapidamente por ordem minha e por iniciativa do governo, e aprovadas pelo parlamento na semana passada", declarou o presidente Dmitri Medvedev, citado pela agência Interfax. Os analistas cifram o plano russo em mais de US$ 150 bilhões.

A maior parte dos recursos disponibilizados pelos países europeus para acalmar os ânimos do setor financeiro será usado para garantir empréstimos interbancários. Mas austríacos, alemães e franceses também liberaram dinheiro para a compra de ações dos bancos mais prejudicados.

Apesar do alívio que a injeção de recursos pode gerar, a chanceler alemã Angela Merkel afirmou que as medidas tomadas só funcionarão se vierem acompanhadas de uma melhor regulação internacional, que ponha "fim aos excessos do mercado".

"As medidas de hoje são o primeiro elemento de uma nova carta para o mercado financeiro, mas só valerão a pena se vierem acompanhadas de um segundo elemento, em particular uma mudança nas regras internacionais", afirmou durante o anúncio da parte alemã do pacote. "Nós nos vimos confrontados com os excessos do mercado."

Bancos centrais

Além das iniciativas dos governos, outra frente foi aberta na Europa para tentar reduzir o impacto da crise financeira global. Os bancos centrais do continente anunciaram hoje que proporcionarão quantidades ilimitadas de créditos em dólares em períodos compreendidos entre uma semana e 84 dias.

O BCE (Banco Central Europeu), o Banco da Inglaterra e o SNB (Swiss National Bank) oferecerão empréstimos em dólares para períodos de sete, 28 e 84 dias "a juros fixos", afirmou o BCE em um comunicado.

"Os bancos poderão pegar empréstimos no valor que quiserem com estas operações", indicou a instituição européia, com sede em Frankfurt [oeste da Alemanha], que pretende enviar assim uma mensagem forte e positiva aos mercados.

Como conseqüência, a quantia dos acordos de "swap" entre o Federal Reserve (Fed, o BC americano) e os bancos centrais europeus --que servem para emprestar dinheiro entre eles-- aumentará para ser adaptada à quantidade de dólares solicitada pelos bancos, conforme indicou o BCE.

"Os bancos centrais continuarão trabalhando conjuntamente e estão dispostos a adotar todas as medidas necessárias para conceder dinheiro suficiente aos mercados", disse o BCE.

Na semana passada, o banco havia decidido, de forma coordenada, com seus cinco correspondentes, um corte de meio ponto das taxas de juros, numa tentativa de conter a queda vertiginosa dos mercados financeiros e restabelecer a confiança dos bancos, que se negam a empestar dinheiro entre eles.

A instituição européia prosseguirá, além disso, enquanto for necessário, com as injeções de dólares a muito curto prazo (24 horas) que já vem realizando diariamente desde o início da crise. As medidas em dólares se somam a todas as operações em euros realizadas pelo BCE, de forma regular ou excepcional. O conjunto do dispositivo se manterá pelo menos até janeiro de 2009.

Com agências internacionais

Comentários dos leitores
joao martins (60) 13/11/2009 13h41
joao martins (60) 13/11/2009 13h41
O QUE IMPORTA É EXPORTAR, E BASTANTE, QUE VENHA BASTANTE DOLARES PRO BRASIL. Agora se a moeda fica forte o pais fica forte né??? Como os Estados Unidos não desvaloriza a sua moeda se esta numa crise de dar pena???? Meireles com a palavra!!!! 3 opiniões
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Eduardo Giorgini (402) 13/11/2009 12h14
Eduardo Giorgini (402) 13/11/2009 12h14
Estratégias?
O governo brasileiro joga na sorte.
Se a economia vai mal, a culpa é dos estrangeiros, e se vai bem(acompanha o crescimento mundial), é porque somos potência.
Dançamos conforme a música.
[]s
Eduardo.
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Manoel Francisco Pereira (72) 13/11/2009 12h02
Manoel Francisco Pereira (72) 13/11/2009 12h02
AS OLIGARQUIAS E OS CORONEIS NO INTERIOR DO BRASIL

Historicamente quem centraliza e direciona as decisões políticas nos municípios são as oligarquias regionais que normalmente dirigem o poder executivo da cidade, controlam tudo e a todos, até mesmo os aparelhos e a instituição do Estado, exercendo uma forte influencia junto às autoridades dos outros poderes, principalmente do legislativo e judiciário. No interior do Brasil essas oligarquias geralmente são comandadas por um coronel político que tem as rédeas do poder local em suas mãos, detém o controle da situação política e social da comunidade com extremado autoritarismo. Suas ações aparentemente são generosas, mas visam somente ainda mais centralizar o poder em suas mãos, e em situações extremas que ameace sua hegemonia à sua reação sempre será contra o regime democrático e o estado de direito.
O coronel político é extremamente poderoso, manda e desmanda, exerce forte dominação política, econômica e social em todos os setores da comunidade, e qualquer manifestação de oposição, essa atitude é entendida como afronta ao coronel local e a resposta geralmente vem com extremada truculência acompanhada de uma perseguição implacável, tenta até mesmo armar ciladas para desmoralizar publicamente seus oponentes, sua mão tem longo alcance com grande poder de intervenção atinge todos os degraus da pirâmide social, o topo, o meio e a base com a mesma força repressiva. Essas oligarquias comandadas pelos coronéis são truculentas e antidemocráticas, são contra a modernidade nas relações políticas não acompanharam o quadro evolutivo do mundo globalizado, pois a manutenção do atual quadro é fundamental para manterem-se no poder. O que é mais grave, é que essas oligarquias e seus coronéis são os responsáveis diretos pelo baixo nível intelectual e do alto índice de analfabetismo da população, também são responsáveis pela baixa qualidade de vida e péssimas condições sanitárias em que vivem, soma se a isso a ausência de renovação das lideranças políticas.
Os coronéis da política tradicional que são dirigentes das oligarquias locais elevam ao poder somente membros das mesmas famílias ou pessoas que, por algum motivo, dependem desses oligarcas e não podem contrariar seus interesses. Quando penetramos pelo interior do Brasil, podemos constatar a existência das tais famílias tradicionais que geralmente pertencem há uma oligarquia local, é neste cenário que encontramos a figura do velho coronel político que é o oposto da democracia. Nessas regiões, embora o sistema democrático garanta a pluralidade no contexto local, esses preceitos não acontecem teoricamente essas oligarquias respeitam as formalidades democráticas, entretanto nos bastidores a coisa é bem diferente, um lençol oculta uma realidade cruel, eleições são realizadas com voto secreto e tudo, aparentando uma aparente normalidade, mas tudo acontece sob a supervisão, vigilância e controle dos coronéis oligarcas; de tal forma que as manifestações oposicionistas atingem apenas aspectos exteriores e não afetam o poder de comando das oligarquias.
É importante assinalar que, o sistema político atual favorece o predomínio dessas oligarquias. A legislação eleitoral é um recepiciente favorável para que essas diferenças prevaleçam, e quando alguém ligado politicamente ou afetivamente ao coronel político comete alguma ilegalidade é difícil investigá-lo e muito mais ainda efetuar a sua punição nos termos da lei, pois eles pressionam as pessoas, intimidam testemunhas, desqualificam depoentes e o pior de tudo é que persegue implacavelmente seus opositores com a mesma truculência da época da ditadura militar, o que faz muitos da oposição encolher e ficar intimidados pela reação violenta, e o mais grave é que a sociedade sabe de tudo e fica omissa, aceita tudo passivamente.
Neste processo são feitas concessões aparentes naturais do jogo político, aproveita-se a pobreza e a ignorância do povo que é indispensável para preservar o comando político, e os coronéis querem perpetuar no poder, por isso a transferência do mesmo é feita aos seus descendentes diretos, como na monarquia absolutista imperial. Apesar dos métodos sofisticados de domínio, existe o fato inegável de que em grande número dos Estados, podemos assim dizer, que os dirigentes locais dos partidos são os coronéis, e o que resta ao povo é a pratica das formalidades da lei e aceitar o jogo pesado do poder. Além do que, a presença das oligarquias comandada por um coronel político com poderes quase absolutos e que, freqüentemente abusam desses poderes para favorecer a si próprio, seus familiares e seus comparsas parasitas do poder. A única interferência do povo no governo é quando votam, mas quase sempre a opção de escolha é entre membros dos oligarcas locais em disputa pelo comando do governo, raramente surge alternativa que emana do meio das forças populares, e quando surge a estrutura é insuficiente para romper a hegemonia das oligarquias.
Mas temos que entender como funciona a cabeça do coronel político do interior do Brasil, ele é uma figura presente na política tradicional e cientificamente é considerado um psicopata social extremamente rancoroso e vingativo, do tipo ex-Deputado Federal do Acre Hildebrando Pascoal, que mandava serrar vivo ao meio seus desafetos políticos e pessoais com moto-serra, o coronel político não admite ser contestado ou contrariado, acha que é dono da vida e do destino das pessoas da comunidade, quem se opõem a ele é considerado seu inimigo de morte e não apenas seu adversário político. E o pior é que seus comandados são arrogantes, prepotentes e autoritários, adotam o mesmo estilo, circulam pela cidade de carrões e óculos escuros, se sentem acima do poder e das leis, contam sempre com a certeza da impunidade e da força da influencia política para cometer seus desatinos... Nascem os novos coroneizinhos.
Antigamente os métodos de perseguição eram outros, hoje são mais sofisticados, quase ninguém percebe. Se o opositor é dono de jornal ou algum programa de radio, os anunciantes são pressionados a retirar anúncios e os colaboradores são assediados com proposta financeira, se o opositor é comerciante ou profissional liberal seus caminhos são dificultados ao extremo. Aos inimigos os rigores da lei, e aos amigos a brecha e as benesses da lei, é assim que pensa o coronel político, sua cabeça não comporta o debate democrático, não conhece a ética, joga sempre rasteiro e tem sempre ao seu lado indivíduos prontos pra agir, fazer qualquer coisa pra agradar o patrão e quando surge alguma "atividade" não hesitam um instante em executá-la, ou seja, se ficar o bicho come, se correr o bicho pega, não resta alternativa é ficar e enfrentar a fera.
É essa a leitura que temos. E estou plenamente convencido de que o absolutismo das oligarquias regionais pelo interior brasileiro emperra e muito o progresso de nossa nação, principalmente a alta estima e a elevação intelectual de nosso povo. E esta relação ainda predominante é o que existe de mais reacionário e atrasado nas relações políticas e sociais do mundo moderno. O ponto negativo e grave nisso tudo é que constatamos que um governo nas mãos de um só, sem alternância no poder é o começo da tirania.
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