Um dia após acordo anticrise, países europeus liberam US$ 2 trilhões
da Folha Online
Um dia após decidirem injetar recursos para refinanciar bancos e garantir a liquidez nos empréstimos interbancários, os países da zona do euro (que usam o euro como moeda única) iniciaram os anúncios de quanto irão gastar nesta missão. A medida também já foi tomada por outros países europeus que não fazem parte deste grupo, como Inglaterra e Rússia, e o montante praticamente já chegou a US$ 2 trilhões.
Os 15 países concordaram no domingo, em Paris, em criar um plano conjunto para atacar a crise centrado em dois pilares: a garantia dos empréstimos interbancários e o apoio às entidades para evitar sua quebra, recorrendo, inclusive, a recapitalizações. Esta "caixa de ferramentas" será aplicada em nível nacional, de acordo com a disponibilidade financeira e com as prioridades de cada um dos países.
Leia cobertura completa da crise financeira
Fernando Canzian: Crise: o que vem por aí
Até o início da tarde de hoje, sete dos 15 países que estão na zona do euro e já liberaram recursos na ordem de 1,32 trilhão de euros (cerca de US$ 1,78 trilhão): Alemanha (500 bilhões de euros, ou cerca de US$ 815 bilhões), França (360 bilhões de euros, ou cerca de US$ 490 bilhões), Holanda (200 bilhões de euros, ou cerca de US$ 270 bilhões), Espanha (100 bilhões de euros, ou cerca de US$ 136 bilhões), Áustria (100 bilhões de euros), Itália (40 bilhões de euros, ou cerca de US$ 54 bilhões) e Portugal (20 bilhões de euros, ou cerca de US$ 27 bilhões).
Além dos países da zona do euro, a Inglaterra também tinha anunciado um pacote semelhante de ajuda de 50 bilhões de euros (cerca de US$ 68 bilhões), a serem usados para comprar ações dos principais bancos do país. O governo local anunciou que recapitalizará os bancos RBS (Royal Bank of Scotland), HBOS e Lloyds TSB com esses recursos para manter os mesmos em boa situação. Esse pacote foi considerado o "modelo" para a medida dos países da zona do euro.
Já na Rússia, o governo sancionou um pacote de leis para estabilizar os mercados financeiros. "Assinei uma série de leis que foram preparadas rapidamente por ordem minha e por iniciativa do governo, e aprovadas pelo parlamento na semana passada", declarou o presidente Dmitri Medvedev, citado pela agência Interfax. Os analistas cifram o plano russo em mais de US$ 150 bilhões.
A maior parte dos recursos disponibilizados pelos países europeus para acalmar os ânimos do setor financeiro será usado para garantir empréstimos interbancários. Mas austríacos, alemães e franceses também liberaram dinheiro para a compra de ações dos bancos mais prejudicados.
Apesar do alívio que a injeção de recursos pode gerar, a chanceler alemã Angela Merkel afirmou que as medidas tomadas só funcionarão se vierem acompanhadas de uma melhor regulação internacional, que ponha "fim aos excessos do mercado".
"As medidas de hoje são o primeiro elemento de uma nova carta para o mercado financeiro, mas só valerão a pena se vierem acompanhadas de um segundo elemento, em particular uma mudança nas regras internacionais", afirmou durante o anúncio da parte alemã do pacote. "Nós nos vimos confrontados com os excessos do mercado."
Bancos centrais
Além das iniciativas dos governos, outra frente foi aberta na Europa para tentar reduzir o impacto da crise financeira global. Os bancos centrais do continente anunciaram hoje que proporcionarão quantidades ilimitadas de créditos em dólares em períodos compreendidos entre uma semana e 84 dias.
O BCE (Banco Central Europeu), o Banco da Inglaterra e o SNB (Swiss National Bank) oferecerão empréstimos em dólares para períodos de sete, 28 e 84 dias "a juros fixos", afirmou o BCE em um comunicado.
"Os bancos poderão pegar empréstimos no valor que quiserem com estas operações", indicou a instituição européia, com sede em Frankfurt [oeste da Alemanha], que pretende enviar assim uma mensagem forte e positiva aos mercados.
Como conseqüência, a quantia dos acordos de "swap" entre o Federal Reserve (Fed, o BC americano) e os bancos centrais europeus --que servem para emprestar dinheiro entre eles-- aumentará para ser adaptada à quantidade de dólares solicitada pelos bancos, conforme indicou o BCE.
"Os bancos centrais continuarão trabalhando conjuntamente e estão dispostos a adotar todas as medidas necessárias para conceder dinheiro suficiente aos mercados", disse o BCE.
Na semana passada, o banco havia decidido, de forma coordenada, com seus cinco correspondentes, um corte de meio ponto das taxas de juros, numa tentativa de conter a queda vertiginosa dos mercados financeiros e restabelecer a confiança dos bancos, que se negam a empestar dinheiro entre eles.
A instituição européia prosseguirá, além disso, enquanto for necessário, com as injeções de dólares a muito curto prazo (24 horas) que já vem realizando diariamente desde o início da crise. As medidas em dólares se somam a todas as operações em euros realizadas pelo BCE, de forma regular ou excepcional. O conjunto do dispositivo se manterá pelo menos até janeiro de 2009.
Com agências internacionais
Leia mais
- Contra crise, Bird e FMI recomendam plano de reativação a países em desenvolvimento
- Bolsas européias têm dia de euforia com pacote anticrise e fecham com altas
- Banco Central italiano coloca 40 bi de euros à disposição de bancos
- Bush reafirma que trabalhará com outros países contra a crise
Especial
- Leia o que já foi publicado sobre a crise financeira global
- Navegue no melhor roteiro de cultura e diversão da internet
Livraria


O que se pode ver ao longo dos anos em Dubai é o resultado da visão futurista da localidade que possui 2% das reservas de gás do bloco de sete países que formam o EAU (Emirados Árabes Unidos), diante a estimativa de que suas reservas de petróleo tendem a uma diminuição significativa, alcançando completo esgotamento num prazo de até duas décadas. Sua economia migrou daquela baseada no comércio e dependente do petróleo, para aquela baseada nos serviços e orientada para o turismo o que fez com que o setor imobiliário alcançasse um patamar extraordinariamente valioso e se tornasse "a menina dos olhos" de grandes investidores internacionais, mas que, em virtude da crise econômica mundial provocada pelos EUA, vem amargando recessão entre 2008 e 2009. Tomando-se como ponto de partida o ano de 2005, o PIB era de US$ 37 bilhões onde as receitas originadas do petróleo e gás natural representavam menos de 6%, em fevereiro de 2009 chegou a uma dívida externa estimada em aproximadamente 100 bilhões, o que equivale dizer que para cada um dos cerca de 250.000 cidadãos do emirado cabe 400 mil dólares em dívida externa.
avalie fechar
Os setores, imobiliário e de construção, comércio, entreposto aduaneiro e serviços financeiros, juntos, contribuem com algo em torno de 65% a 70% de sua economia. Para que se tenha uma idéia, para quem até meados do século passado não passava de um pequeno entreposto comercial, e devido a sua localização marítima, vivia da pesca e coleta de pérolas, até que se instalasse a crise mundial, com um território 2200 vezes menor que o do Brasil, recebia cerca de 6,5 milhões de turistas ao ano, com uma taxa de ocupação média dos hotéis em torno 85% enquanto que no Brasil, algo em torno 64%. Há de se notar que enquanto ao final do ano passado, no apogeu da crise, muito de falava no Capítulo 11 que trata da falência das empresas norte americanas, e que nos dias de hoje o FDIC (órgão que garante os depósitos bancários nos EUA) vem demonstrando preocupação com o crescente número de instituições financeiras problemáticas no país diante o fato de que em setembro deste ano, 552 bancos relataram dificuldades, espelhando um aumento de 33% sobre os 416 relatados no segundo trimestre, em Dubai passados cerca de 12 meses, fala-se de uma moratória por prazo de seis meses.
avalie fechar
A meu ver, Folker Hellmeyer, economista-chefe do banco Bremer Landesbank demonstra profundo conhecimento e bom senso quando diz que "Os problemas atuais se referem à falta de liquidez momentânea de alguns megaprojetos, e não à confiança em geral na potência econômica dos emirados". Devido ao seu perfil econômico é bastante natural que o emirado sentisse os reflexos da crise devido à falta de liquidez. Há um grande número de empresas de porte internacional do mundo todo operando em Dubai. Entre as intituições financeiras, por exemplo, encontram-se o Citi Bank que amargou perdas terríveis com a crise nos EUA e teve que ser socorrido pelo governo norte americano. Além dele, outros como o ABN-Amro Bank, Deutsche Bank AG, MGM Mirage, Royal Bank of Scotland Group plc, HSBC Holdings plc, etc
avalie fechar