Crise mundial já começa a afetar o setor de reciclagem de metais
Colaboração para a Folha Online
A crise mundial já começa a afetar o setor de reciclagem de metais, principalmente o de sucata de ferro e aço. "A expectativa no momento é que todos produzirão menos aço no próximo ano, e o preço deve cair", avalia José Arevalo Jr., presidente do Inesfa (Instituto Nacional de Empresas de Preparação de Sucata de Ferro e Aço).
Segundo os industriais, grandes empresas estão paralisando investimentos do curto prazo e reprogramando produção a médio prazo, e algumas siderúrgicas --principais consumidoras do metal-- já começaram a diminuir a quantidade comprada.
Como o mercado de sucata de ferro negocia os preços diariamente, em função principalmente da oferta e da demanda, a perspectiva é que o valor do metal se deprecie com o desaquecimento da economia.
Alumínio protegido
Já no setor de reciclagem de alumínio, as expectativas são contraditórias. Embora a crise também deva afetar a demanda do metal, o setor tem contratos de mais longo prazo e seu preço caiu menos na crise das commodities: enquanto o valor do níquel, por exemplo, desabou 28% no último mês e o do cobre, 21%, o do alumínio desceu 12%.
Com isso, quem negocia alumínio pode se beneficiar da alta do dólar, moeda em que é definido o preço das commodities. "Se o preço não subir, espero que pelo menos não caia", diz João Maria Carneiro da Silva, diretor-vice-presidente da Cooperalto, que tem 21 cooperados e atua em Biritiba Mirim (Grande São Paulo).
Como negociam o metal uma ou duas vezes por mês, as cooperativas ainda não sabem como a alta do dólar afetou o preço, diz a presidente da Associação Amigos do Tremembé (zona norte de São Paulo), Eva da Silva Ern, que reúne 20 cooperados na Cantareira Viva.
Assim como Silva, ela diz que o preço do alumínio baixou com a valorização do real no ano passado e espera que ele se recupere.
Já Maria Tereza Montenegro, presidente da Cooperativa Viva Bem, que tem 72 cooperados e opera em Pinheiros, acha que a situação não vai melhorar enquanto as Bolsas de commodities não subirem.
"A tendência é de baixa e não de alta", concorda Artur Aires Pinto Sobral, presidente da Comércio de Sucatas Ayres Metais, que compra sucata das cooperativas.
Ele ressalva que o alumínio é um dos metais cujo preço menos varia, mas não prevê valores mais altos enquanto as cotações nas Bolsas internacionais não voltarem a subir.
Latinhas raras
Se o preço da sucata de alumínio realmente subir, isso não será necessariamente bom para os cerca de 20 mil catadores em atividade em São Paulo (3.000 deles organizados em cooperativas e associações, segundo números do Movimento Nacional dos Catadores).
Quem explica é um deles, Enildo Paulino, 45, morador de Osasco (Grande São Paulo): "A latinha some da rua. Os munícipes de mais posse continuam guardando para mim, mas os de menos posse acabam vendendo por conta própria".
Silva, da Cooperalto, também nota esse movimento: "As famílias compram um engradado de latinhas e depois vendem direto para o ferro-velho, para fazer dinheiro e comprar mais refrigerante. Eles não têm consciência de que poderiam estar ajudando a mais gente".
Sem o respaldo de cooperativas, os catadores avulsos, como Paulino, também estão mais sujeitos à capacidade de negociar com os ferros-velhos, a quem vendem diretamente seu produto. "Se o catador entrega direto e não bebe, o comprador paga preço justo. Mas, se bebe, paga até a metade", dez Eva Ern, da Cantareira Viva.
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O governo brasileiro joga na sorte.
Se a economia vai mal, a culpa é dos estrangeiros, e se vai bem(acompanha o crescimento mundial), é porque somos potência.
Dançamos conforme a música.
[]s
Eduardo.
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O coronel político é extremamente poderoso, manda e desmanda, exerce forte dominação política, econômica e social em todos os setores da comunidade, e qualquer manifestação de oposição, essa atitude é entendida como afronta ao coronel local e a resposta geralmente vem com extremada truculência acompanhada de uma perseguição implacável, tenta até mesmo armar ciladas para desmoralizar publicamente seus oponentes, sua mão tem longo alcance com grande poder de intervenção atinge todos os degraus da pirâmide social, o topo, o meio e a base com a mesma força repressiva. Essas oligarquias comandadas pelos coronéis são truculentas e antidemocráticas, são contra a modernidade nas relações políticas não acompanharam o quadro evolutivo do mundo globalizado, pois a manutenção do atual quadro é fundamental para manterem-se no poder. O que é mais grave, é que essas oligarquias e seus coronéis são os responsáveis diretos pelo baixo nível intelectual e do alto índice de analfabetismo da população, também são responsáveis pela baixa qualidade de vida e péssimas condições sanitárias em que vivem, soma se a isso a ausência de renovação das lideranças políticas.
Os coronéis da política tradicional que são dirigentes das oligarquias locais elevam ao poder somente membros das mesmas famílias ou pessoas que, por algum motivo, dependem desses oligarcas e não podem contrariar seus interesses. Quando penetramos pelo interior do Brasil, podemos constatar a existência das tais famílias tradicionais que geralmente pertencem há uma oligarquia local, é neste cenário que encontramos a figura do velho coronel político que é o oposto da democracia. Nessas regiões, embora o sistema democrático garanta a pluralidade no contexto local, esses preceitos não acontecem teoricamente essas oligarquias respeitam as formalidades democráticas, entretanto nos bastidores a coisa é bem diferente, um lençol oculta uma realidade cruel, eleições são realizadas com voto secreto e tudo, aparentando uma aparente normalidade, mas tudo acontece sob a supervisão, vigilância e controle dos coronéis oligarcas; de tal forma que as manifestações oposicionistas atingem apenas aspectos exteriores e não afetam o poder de comando das oligarquias.
É importante assinalar que, o sistema político atual favorece o predomínio dessas oligarquias. A legislação eleitoral é um recepiciente favorável para que essas diferenças prevaleçam, e quando alguém ligado politicamente ou afetivamente ao coronel político comete alguma ilegalidade é difícil investigá-lo e muito mais ainda efetuar a sua punição nos termos da lei, pois eles pressionam as pessoas, intimidam testemunhas, desqualificam depoentes e o pior de tudo é que persegue implacavelmente seus opositores com a mesma truculência da época da ditadura militar, o que faz muitos da oposição encolher e ficar intimidados pela reação violenta, e o mais grave é que a sociedade sabe de tudo e fica omissa, aceita tudo passivamente.
Neste processo são feitas concessões aparentes naturais do jogo político, aproveita-se a pobreza e a ignorância do povo que é indispensável para preservar o comando político, e os coronéis querem perpetuar no poder, por isso a transferência do mesmo é feita aos seus descendentes diretos, como na monarquia absolutista imperial. Apesar dos métodos sofisticados de domínio, existe o fato inegável de que em grande número dos Estados, podemos assim dizer, que os dirigentes locais dos partidos são os coronéis, e o que resta ao povo é a pratica das formalidades da lei e aceitar o jogo pesado do poder. Além do que, a presença das oligarquias comandada por um coronel político com poderes quase absolutos e que, freqüentemente abusam desses poderes para favorecer a si próprio, seus familiares e seus comparsas parasitas do poder. A única interferência do povo no governo é quando votam, mas quase sempre a opção de escolha é entre membros dos oligarcas locais em disputa pelo comando do governo, raramente surge alternativa que emana do meio das forças populares, e quando surge a estrutura é insuficiente para romper a hegemonia das oligarquias.
Mas temos que entender como funciona a cabeça do coronel político do interior do Brasil, ele é uma figura presente na política tradicional e cientificamente é considerado um psicopata social extremamente rancoroso e vingativo, do tipo ex-Deputado Federal do Acre Hildebrando Pascoal, que mandava serrar vivo ao meio seus desafetos políticos e pessoais com moto-serra, o coronel político não admite ser contestado ou contrariado, acha que é dono da vida e do destino das pessoas da comunidade, quem se opõem a ele é considerado seu inimigo de morte e não apenas seu adversário político. E o pior é que seus comandados são arrogantes, prepotentes e autoritários, adotam o mesmo estilo, circulam pela cidade de carrões e óculos escuros, se sentem acima do poder e das leis, contam sempre com a certeza da impunidade e da força da influencia política para cometer seus desatinos... Nascem os novos coroneizinhos.
Antigamente os métodos de perseguição eram outros, hoje são mais sofisticados, quase ninguém percebe. Se o opositor é dono de jornal ou algum programa de radio, os anunciantes são pressionados a retirar anúncios e os colaboradores são assediados com proposta financeira, se o opositor é comerciante ou profissional liberal seus caminhos são dificultados ao extremo. Aos inimigos os rigores da lei, e aos amigos a brecha e as benesses da lei, é assim que pensa o coronel político, sua cabeça não comporta o debate democrático, não conhece a ética, joga sempre rasteiro e tem sempre ao seu lado indivíduos prontos pra agir, fazer qualquer coisa pra agradar o patrão e quando surge alguma "atividade" não hesitam um instante em executá-la, ou seja, se ficar o bicho come, se correr o bicho pega, não resta alternativa é ficar e enfrentar a fera.
É essa a leitura que temos. E estou plenamente convencido de que o absolutismo das oligarquias regionais pelo interior brasileiro emperra e muito o progresso de nossa nação, principalmente a alta estima e a elevação intelectual de nosso povo. E esta relação ainda predominante é o que existe de mais reacionário e atrasado nas relações políticas e sociais do mundo moderno. O ponto negativo e grave nisso tudo é que constatamos que um governo nas mãos de um só, sem alternância no poder é o começo da tirania.
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