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Dinheiro
13/10/2008 - 14h56

Trabalho de Krugman explica mudanças nos padrões de comércio mundial

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da Folha Online

Como somos afetados pela globalização? Quais são os efeitos do livre-comércio? Por que cada vez mais pessoas deixam zonas rurais e migram para as grandes cidades? Essas são perguntas que, segundo a Real Academia de Ciências da Suécia, Paul Krugman tentou responder com seu trabalho, tendo com ele reorientado as pesquisas sobre comércio exterior e geografia econômica. O trabalho de Krugman mereceu, assim, o Prêmio Nobel de economia, de cerca de US$ 1,406 milhão (R$ 3,043 milhões).

Krugman propôs, em 1979, um novo modelo para explicar as mudanças ocorridas nos padrões do comércio internacional após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945): o objetivo dele é, segundo a academia, explicar o que cada país produz e onde produz --ajudando, assim a esclarecer questões de geografia econômica.

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A teoria tradicional para a composição do comércio exterior tem raízes no trabalho do economista britânico David Ricardo, do início do século 19, segundo o conceito, desenvolvido em sua obra "Princípios de Economia Política e Tributação", de vantagem comparativa. Segundo essa idéia, mesmo que um país pudesse produzir tudo de que precisa de forma mais eficiente que outros países, o ganho seria maior se cada país se especializasse em um determinado produto, e efetuasse trocas comerciais com outros.

Assim, alguns países, com grau mais avançado de desenvolvimento tecnológico e maior oferta de capital, se especializariam em exportações de produtos industriais, enquanto outros, com excesso de oferta de mão-de-obra e escassez de capital e recursos tecnológicos, se especializariam em exportar produtos agrícolas. Esse modelo dava conta de explicar praticamente todas as trocas comerciais ocorridas na época em que se estabeleceu.

Nos últimos 50 anos, no entanto, esse padrão mudou. As trocas entre países industrializados se intensificaram, e esses países passaram a trocar mais produtos similares entre si --segundo o comunicado da academia, um exemplo desse fenômeno é a Suécia, que exporta carros (da marca Volvo) e também importa esse produto, o mesmo valendo para outros produtos de alta tecnologia, como celulares e computadores.

Artigo

A idéia de Krugman, então, foi explicar a ocorrência desse novo padrão de comércio: a base de seu trabalho --um artigo de 10 páginas no "Journal of International Economics", em 1979-- está na noção de economia de escala (produção de bens em grande volume, resultando em diminuição de gastos) e na de que os consumidores apreciam diversidade de produtos. "À época, esse foi um conceito bastante inovador em economia, mas parecia refletir a realidade", segundo a academia.

O artigo dava conta da tendência dos consumidores a mudar de marcas, dada a oferta cada vez maior de produtos, "embora possamos ter a idéia de que um modelo padrão de carro, ou de vestuário ou de outros produtos pudesse bastar", diz o comunicado da academia. Segundo esse conceito, depois de satisfeitas as necessidades básicas de alimentação e habitação, o consumo se volta pára a busca de diversidade de produtos.

Esse conceito, então, se desvia da noção básica da vantagem comparativa: o comércio ocorre não só entre países com diferentes graus de acesso a tecnologia, capital e mão-de-obra (e, assim, mais propensos à especialização em um ou outro produto), mas também entre países em níveis idênticos nesses mesmos aspectos. Assim, é vantagem para dois países se especializarem cada um na produção de um modelo específico de carro, por exemplo. Com isso, os consumidores se beneficiam dos custos menores (devido à economia de escala) e da diversidade maior de produtos no mercado.

Geografia econômica

No final do artigo de 1979, Krugman questiona o que aconteceria se o comércio internacional ficasse obstruído por barreiras como custos excessivos de transporte. O raciocínio de Krugman, segundo a academia, é: dois países exatamente semelhantes terão populações com condições de bem-estar social iguais. Mas se um deles diferir apenas por ter uma população ligeiramente maior, a remuneração real nesse será maior, porque esse país fará um uso melhor da economia de escala. Isso tanto pode tornar mais baratos seus produtos para o consumidor como aumentar a diversidade na oferta de bens --o que também elevará seu bem-estar social. Esse país então atrairá habitantes do outro, com população ligeiramente menor.

Com isso, a remuneração real e a oferta de bens continuará a aumentar, elevando a imigração, em um processo que se auto-alimenta.

Em 1991, Krugman reconsiderou essa idéia em um novo artigo, considerando então o movimento de empresas e trabalhadores entre fronteiras. Aqui, ele afirma que os custos do transporte são um obstáculo e que os trabalhadores, por sua vez, podem se mover em busca da região onde os salários sejam maiores e a oferta de produtos mais diversificada.

Essas idéias deram origem ao modelo conhecido como "centro-periferia", que mostra que a relação entre economias de escala e custos de transporte podem resultar em concentração ou descentralização de comunidades. Surgem, assim, desequilíbrios regionais, levando a uma concentração maior em um centro, de alta tecnologia, enquanto uma minoria vive na periferia e da produção agrícola. Esse poderia ser o mecanismo por trás da alta concentração dos centros urbanos no mundo todo, com o inchaço das megalópoles e o abandono das regiões rurais.

Comentários dos leitores
J. R. (69) 14/10/2008 00h39
J. R. (69) 14/10/2008 00h39
Estão chutando cachorro morto, her professor. Os bancos afetados já perderam toda credibilidade, só restando serem comprados pelos maiores. Assim sendo, os governos que estão comprando os micos estão premiando os banqueiros pelo papelão que fizeram, em nome de salvar a economia do mundo. O futuro reserva mais sacrificios para a classe média global, pois os maus investidores tem a viúva para recorrer e continuar vivendo de renda. Mundo cão! 6 opiniões
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Lucas Facco (1) 13/10/2008 21h28
Lucas Facco (1) 13/10/2008 21h28
Ganhou por méritos acadêmicos, uma pena que o nosso país não tenha grandes chances neste tipo de prêmio! 4 opiniões
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Eliton Rosa (14) 13/10/2008 20h17
Eliton Rosa (14) 13/10/2008 20h17
O prêmio é pelo seu valor catedrático ou por ser um crítico do Bush? Só queria entender.Vejamos: ele fez parte do conselho de economistas do governo Reagan(R) como Bush,que na época junto com Thatcher promoveu o neo liberalismo,mercado livre, privatizações mundo afora.Foi consultor da ENRON,aquela! Ele e os scholars de Chicago que defendiam a nova onda se calam e se voltam contra Bush(R) e a crise americana,e quem não está contra?Mas a estatização feita agora pelos governos da europa e da américa, que eles combatiam está de volta para socorrer o mercado, empresas e bancos com dinheiro do contribuinte.E no Brasil não foi diferente.Hoje o governo liberou R$50bi(deu nos jornais)Lá se vai nosso rico dinheirinho das reservas para socorrer o tal mercado livre.A academia deve saber o que faz,pois já foi o tempo que havia mérito para os premiados.Hoje prevalece mais a política para combater governos e políticos e não para incentivar as ciências e cientistas, como se fosse a palmatória do mundo. 4 opiniões
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