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Dinheiro
13/10/2008 - 17h50

Bovespa fecha com avanço de 14,66%; mercado troca pânico por euforia com Europa

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EPAMINONDAS NETO
da Folha Online

O mercado de capitais brasileiros esperou cerca de nove anos para ver a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) fechar com uma alta tão forte como a desta segunda-feira. As medidas para enfrentar a crise financeira iniciada com os créditos "subprimes" trouxeram euforia para os investidores, que voltaram às compras, recuperando boa parte das perdas registradas na semana passada.

Leia cobertura completa da crise financeira
Fernando Canzian: Crise: o que vem por aí

O Ibovespa, o termômetro da Bolsa brasileira, avançou 14,66% no fechamento e atingiu os 40.829 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,24 bilhões. Epicentro da crise, a Bolsa de Nova York valorizou 11,08%. Operadores notaram que, devido a um feriado local, Wall Street funcionou com restrições. Para muitos, a real sinalização de que os mercados americanos "aprovaram" as medidas deve ocorrer somente amanhã.

O dólar comercial foi cotado a R$ 2,145 na venda, em declínio de 7,30%, o maior "tombo" desde agosto de 2002.

Profissionais do mercado financeiro evitam falar em "fim da crise", mas dizem, sim, que "boa parte da solução" para essa crise começou a ser equacionada. A aprovação do pacote de US$ 700 bilhões nos EUA trouxe parcos efeitos para acalmar os mercados porque investidores e analistas sentiam que, para problemas de dimensão global, era preciso uma ação coordenada dos governos das economias centrais.

Entre este final de semana e hoje, os governos europeus "atenderam" os pedidos do mercado financeiro e anunciaram uma série de medidas enfrentar os desdobramentos da pior crise econômica dos últimos 80 anos, na visão de muitos economistas.

Christophe Ena/AP
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, anuncia medidas para combater crise
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, anuncia medidas para combater crise

"O mercado ainda está muito volátil. Passou aquele pânico da semana passada, mas hoje foi um dia muito eufórico, totalmente fora dos parâmetros", comenta Marco Aurélio Etchegoyen, operador da corretora gaúcha Diferencial. "O que nós podemos dizer que a reunião deste final deu uma sinalização muito positiva, no sentido de tentar restabelecer a confiança aos mercados", sintetiza.

As ações líderes da Bolsa, Petrobras e Vale, também tiveram ganhos na casa dos dois dígitos: 12,08% e 13%, respectivamente.

"O otimismo ficou por conta da Europa, com essas medidas anunciadas no final de semana. O mercado também viu que o Banco Central liberando mais R$ 100 bilhões para dar liquidez aos bancos. Além disso, fez também outro leilão de 'swap' cambial. Essas medidas têm ajudado o mercado a sentir o empenho do governo para resolver essa crise", avaliou Reginaldo Galhardo, da corretora Treviso. "O mercado começou a ver uma luz no fim do túnel", acrescentou.

Na Europa, as Bolsas de Valores encerraram a sessão de hoje com valorizações acima de 11%, a exemplo de Paris (11,17%) e Frankfurt (11,40%). Em Londres, o índice FTSE subiu 8,26%.

Após o pacote de US$ 700 bilhões aprovado pelos EUA no início do mês, os governos europeus tomaram a iniciativa de lançar um conjunto de ações coordenadas para enfrentar os problemas de liquidez e de capitalização do sistema financeiro, ao mesmo tempo que procuram evitar o pânico entre os correntistas.

As iniciativas podem ser desdobradas em: injeção de mais recursos no sistema financeiro; a capitalização de bancos às voltas com grandes perdas, por meio da compras de ações; a garantia dos depósitos bancários, de modo a evitar o pânico e a corrida aos bancos, tal como visto na crise de 1929.

Trilhões

Hoje, os bancos centrais europeus já reforçaram a disposição anunciada neste final de semana ao comunicar a liberação de "quantidades ilimitadas" de créditos em dólares, a curto prazo, para ajudar os bancos. O governo alemão anunciou hoje um pacote de 400 bilhões de euros (US$ 545 bilhões) também auxiliar o sistema financeiro. Pouco mais tarde, o governo espanhol comunicou que vai reservar 100 bilhões de euros (US$ 135 bilhões) para ajudar os bancos do país até o final deste ano.

Contando as iniciativas já anunciadas por países fora do "zona do euro", como Inglaterra e Rússia, o montante de recursos para auxiliar o sistema financeiro já atinge US$ 2 trilhões.

Nos EUA, o Departamento do Tesouro comunicou que deve comprar ações de um "vasto número de instituições financeiras", também como parte do seu plano de resgate do sistema financeiro, aprovado no dia 3 de outubro.

E numa demonstração do alcance global da crise, os governos da Austrália, Portugal e Emirados Árabes Unidos também já anunciaram que vão garantir os depósitos bancários em seus países.

No front doméstico, BC também anunciou que pode injetar mais R$ 100 bilhões no sistema financeiro, por meio da liberação de mais parcelas do recolhimento compulsório dos bancos.

Comentários dos leitores
Olmir Antonio de Oliveira (79) 03/12/2009 10h56
Olmir Antonio de Oliveira (79) 03/12/2009 10h56
A respeito de atualidades, é importante a inclusão, da ajuda, auxilio. Por tempo é importante , bolsa familia, bolsa.....mas é mais importante criar extrutura, gerar oportunidades, condições para que as pessoas de um modo geral consigam com seus propios meios e esforços, serem produtivas, gerarem seu sustento, terem sua fonte de renda e cada vez mais dependerem menos de ajuda do tipo assistencial, e ou coisa do tipo do campo da caridade. Do histórico, dependerem menos de coisas do tipo sistema de coronelistas, de politiqueiros, de sanguesugas, de pessoas que de boa intenção e ou de boa fé. fizeram e continuam fazendo milhares de pessoas suas refens, suas dependentes, pessoas que passam a viver de promessas de politícos e ou de partidos politícos, que sempre viveram "escravizando", "explorando", que na realidade as aprisionam.....coisas complexas, vindas desde a colonização.....Mesmo no atual cenário e com os meios de comunicação ainda tentão impor tais coisas, o brasileiro sempre foi muito resistente em ter seus propios conceitos, e linhas de pensamento, sendo muito guiado por pessoas do "exterior" que os doutrina, impõem seus interesses..... 4 opiniões
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Henrique Silva (209) 02/12/2009 15h12
Henrique Silva (209) 02/12/2009 15h12
Na eleição o que importa é a economia e também a qualidade de vida dos cidadãos. O governo LULA não tem só o crédito de organizar a situação econômica que foi deixada com sérios débitos pelo governo tucano, mas o governo LULA ter conseguido reduzir as desigualdades sociais pra mim foi o mais importante.
A redução da desigualdade NUNCA havia sido feita por governo nenhum do país! (eu digo isso com muita tristeza).
O documentário feito pela BBC- MUIT ALÉM DO CIDADÃO KANE (disponível no youtube) - feito pela Inglaterra revela esta desigualdade social. O curioso é que ainda revela outras situações importantes que só dá pra discutir quem já assistiu (como o interesse da REDE GLOBO de influenciar nas eleições sempre para o lado que mais interessa à emissora e não a sociedade).
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Eduardo Giorgini (444) 02/12/2009 15h00
Eduardo Giorgini (444) 02/12/2009 15h00
Indices do governo PT é muito bom.
Porém, a quantidade é inversamente proporcional à qualidade.
Foram gerados inumeros empregos, obras do PAC, inclusão social através do bolsa familia, aumento de universitários, porém, tudo de baixa qualidade.
E o que era de qualidade razoável, está ficando ruim tambem.
Do ponto de vista em nivelar "por baixo" , realmente o Brasil esta indo bem.
[]s
Eduardo.
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