Equador revoga vistos de funcionários de Odebrecht e Furnas
da Efe, em Quito
com Folha Online
O governo do Equador ordenou a revogação dos vistos de quatro funcionários da empresa Odebrecht, expulsa sob acusação de não cumprir com as reparações em uma hidrelétrica que construiu no país. Em um decreto assinado na quinta-feira passada e tornado público hoje, o presidente equatoriano, Rafael Correa, estendeu a revogação dos vistos a cinco funcionários da também brasileira Furnas Centrais Elétricas.
O secretário anticorrupção do Equador, Alfredo Vera, também apresentou denúncias hoje em diferentes procuradorias do país sobre supostos atos de corrupção da Odebrecht na outorga de vários projetos.
Vera disse hoje em entrevista coletiva que a Odebrecht fez uma "festa" com a assinatura dos contratos das hidroelétricas San Francisco, Toachi Pilatón, Carrizal-Chone e Baba e do aeroporto do Tena.
Ele disse à Agência Efe que a investigação incluirá os diretores da Odebrecht, embora tenha lamentado que eles tenham deixado o país, apesar das medidas adotadas pelo governo para que não o fizessem.
"Pelo que eu sei nenhum [dos diretores] está aqui. O que eles podem fazer é conseguir advogados, desses que estavam convidados ao grande baile", disse.
Furnas Centrais Elétricas informou à Folha Online que não tem funcionários naquele país desde julho de 2007 e que, até agora, não foi notificada de nenhuma decisão do governo equatoriano.
Em nota, Furnas garantiu ainda que não houve qualquer falha no trabalho de fiscalização da hidrelétrica de San Francisco. A estatal brasileira foi contratada para prestar esse serviço em 2000, pela Hidropastaza, empresa concessionária da usina.
Entre 2004 e 2007, segundo Furnas, foi feito trabalho de acompanhamento de toda a construção, sem registro de qualquer falha. Os problemas surgidos após o início da operação da hidrelétrica ainda necessitam de avaliações técnicas detalhadas, acrescentou a estatal. "Por esta razão entendemos ser precipitado, nesse momento, qualquer diagnóstico sobre o assunto", afirma a nota divulgada por Furnas.
Responsabilidade equatoriana
Vera afirmou também que "a Justiça [do Equador] tem que verificar o grau de responsabilidade dos equatorianos que tornaram possível que estes assaltos prejudicassem o Estado equatoriano".
O secretário afirmou que em cada um dos acordos assinados há "irregularidades" e explicou o contrato firmado para a construção da hidroelétrica San Francisco, na região andina do Equador, foi de US$ 286 milhões e "terminou em quase US$ 600 milhões".
"Mas acabou a festa, isso é o que lhes diz o presidente (Rafael Correa). E não vão tirar mais dinheiro como tiraram em San Francisco", acrescentou.
Após a Odebrecht ser expulsa do Equador, as construções pendentes serão executadas agora por empresas estatais.
Reação
Na última quinta-feira (9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adiou uma missão ao país vizinho após o colega Rafael Correa ter anunciado a expulsão da empresa brasileira.
No sábado (11), o Equador lamentou a reação de Brasília. Em comunicado, o presidente afirmou que esperava encontrar uma solução à controvérsia com a também brasileira Petrobras, que explora campos de petróleo em seu território.
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