Brown defende que UE lidere reforma do sistema financeiro mundial
da Efe, em Bruxelas
O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, afirmou hoje que deseja que a UE (União Européia) assuma um papel de liderança para reformar o sistema financeiro internacional, função que exige mais transparência, novas regras de funcionamento e melhores mecanismos de supervisão, disse ele. Ocorre hoje uma Cúpula dos 27 países integrantes do bloco, que tentam unificar as medidas contra a crise financeira.
Já o presidente da Comissão Européia, órgão executivo da UE, José Manuel Durão Barroso, disse que a Europa está liderando a resposta mundial à desordem financeira, mas disse que é preciso vontade de cooperar com outros governos, especialmente com os Estados Unidos, para definir os próximos passos.
| Olivier Hoslet/Efe |
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| Premiê britânico, Gordon Brown, e presidente da Comissão Européia, José Durão Barroso |
Brown anunciou que apresentará hoje aos outros países da UE uma revisão completa do modelo de governabilidade dos mercados financeiros, em cooperação com todas as grandes economias do mundo, desde os Estados Unidos até as economias emergentes.
"Precisamos de uma nova Bretton Woods", destacou o primeiro-ministro britânico ao se referir à cidade americana onde, em 1944, foram criados o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial.
Brown reiterou que, nos últimos 60 anos, o funcionamento dos mercados internacionais mudou muito e que é necessário se adaptar a estas remodelações. Para começar a trabalhar nesta direção, defendeu a organização de um acordo de líderes internacionais, em novembro ou dezembro, na linha com a proposta do presidente da França, Nicolas Sarkozy.
Nos últimos dias, Brown se transformou em uma referência por sua resposta à crise financeira --centrada em facilitar o funcionamento do mercado de crédito interbancário e em injetar liquidez às instituições financeiras em apuros--, que serviu de modelo ao plano do Eurogrupo e EUA.
Em entrevista coletiva antes de participar da cúpula da UE hoje em Bruxelas, o primeiro-ministro britânico deixou claro, no entanto, que o bloco europeu não pode se ater apenas "às medidas dos últimos dias".
Entre outras remodelações, apostou por mais transparência para "lançar luz sobre os mercados que agora estão na penumbra".
Também defendeu a criação de "colégios de supervisores" para vigiar os bancos que operam em vários países e propôs a aplicação deste modelo antes do final do ano nas 30 maiores instituições financeiras do mundo.
A complexidade e a interconexão que ajuda o atual sistema financeiro tornam necessário criar um mecanismo de alerta para que se possa reagir com mais rapidez a eventuais turbulências.
Por último, Brown apelou à obtenção de um acordo para avançar na liberalização do comércio mundial. Na atual conjuntura, um acordo na OMC (Organização Mundial do Comércio) seria "um bom sinal", disse.
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