Dado sobre varejo nos EUA reacende medo de recessão e Bolsas caem em NY
da Folha Online
O índice Dow Jones voltou a registrar perdas significativas nesta quarta-feira, com perda de mais de 500 pontos, enquanto outros indicadores importantes nas Bolsas em Wall Street também caem. Depois da euforia inicial na segunda-feira (13) com a ajuda de governos da Europa e do governo americano para o setor financeiro, a atenção dos investidores se voltou para o cenário econômico geral, que mostra sinais preocupantes de uma recessão global.
Às 15h11 (em Brasília), a Nyse (Bolsa de Valores de Nova York, na sigla em inglês) estava em baixa de 5,72%, indo para 8.778,54 pontos no Dow Jones (queda de 530), enquanto o S&P 500 caía 7,04%, para 927,79 pontos. A Bolsa Nasdaq operava em baixa de 6,17%, indo para 1,669.21 pontos.
| Richard Drew/AP |
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| Bolsa de NY registra perda de mais de 500 pontos no Dow Jones com temor de recessão |
Hoje, o Departamento do Comércio informou que as vendas no varejo nos EUA em setembro caíram 1,2%, maior perda desde 2005. O dado foi visto como sinal de que, sob a camada mais evidente da crise, a dos problemas no setor financeiro, está outra, menos evidente mas igualmente abalada, que é a da economia real.
O consumo responde por cerca de 70% de toda a atividade econômica dos EUA. No segundo trimestre, os gastos do consumidor foram beneficiados pelo pacote de estímulo, de US$ 168 bilhões, aprovado em fevereiro deste ano pelo presidente George W. Bush. A presidente da Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados), Nancy Pelosi, sugeriu na semana passada que o país precisa de um novo pacote de estímulo, de US$ 150 bilhões.
O pacote de US$ 168 bilhões ajudou a fazer a economia americana andar: o dinheiro extra favoreceu os gastos dos consumidores entre abril e julho, o que se refletiu nos dados do PIB (Produto Interno Bruto). No segundo trimestre, a economia cresceu 2,8% (ligeiramente menor que os 3,3% em um cálculo prévio). Analistas dizem, no entanto, que, sem o benefício do dinheiro extra, nos próximos trimestres o desempenho econômico americano deverá ser inferior.
O presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Ben Bernanke, disse hoje que a economia norte-americana vai se recuperar, porém lentamente, "Os problemas na economia e nos mercados são grandes e complexos (...) Mas a meu ver, nosso governo conta agora com as ferramentas necessárias para enfrentá-los e resolvê-los", afirmou.
"A estabilização dos mercados financeiros é um primeiro passo crítico, mas, mesmo que eles se estabilizem, a recuperação da economia mais ampla não vai acontecer de imediato", destacou.
O secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, disse hoje, por sua vez, que a compra, por parte do governo, de ações de instituições bancárias estabilizará o sistema financeiro, mas advertiu que continuarão as dificuldades econômicas. "Não há dúvida de que a forma de obter o maior impacto do dinheiro dos contribuintes aqui era investir nos bancos", disse.
Paulson disse hoje que espera que as condições econômicas melhorem, mas "haverá sobressaltos e buracos no caminho". Ele reiterou que se opôs inicialmente a essa intervenção do governo no setor privado --sem precedentes desde o "New Deal", programa do governo que tirou os EUA da Grande Depressão--, mas acrescentou que os eventos de dias recentes mudaram as circunstâncias.
"Embora o setor bancário esteja voltando ao normal, a economia não está. A economia continua a encarar uma galeria de outros problemas", disse à agência de notícias Associated Press o estrategista-chefe de investimentos da ChannelCapitalResearch.com, Doug Roberts. "Estamos no ponto para uma jornada dura."
Na terça-feira (14), o governo do presidente americano, George W. Bush, anunciou que usará até US$ 250 bilhões (do pacote de US$ 700 bilhões) para a aquisição temporária de ações nos bancos privados, com a maior parte desses fundos concentrada em nove das maiores instituições do país.
| Shawn Thew/Efe |
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| Paulson, do Tesouro americano, alerta que situação continua difícil nos próximos meses |
No Reino Unido, a taxa de desemprego cresceu em 0,5 ponto percentual e alcançou 5,7% no trimestre até agosto deste ano; o número de desempregados no país aumentou em 164 mil pessoas no período e atingiu a marca de 1,79 milhão de pessoas. Foram os piores números do mercado britânico de trabalho desde 1991, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo ONS (Escritório Nacional de Estatísticas). "Podemos ter evitado o fim do mundo financeiro. Mas o Reino Unido está rumando para uma grave recessão e a dor maior ainda está à frente", disse o economista Michael Saunders, do Citigroup.
Os investidores acabaram por deixar de lado os resultados trimestrais divulgados hoje de dois dos principais bancos americanos, o Wells Fargo e o JPMorgan Chase : o lucro líquido do primeiro caiu 24% no terceiro trimestre; já o do segundo caiu 84%. Os dois, no entanto, conseguiram se manter com lucros.
Mesmo o resultado positivo da Coca-Cola foi ignorado: a empresa teve um crescimento de 14% no trimestre encerrado em 26 de setembro, na comparação com o mesmo período de 2007. O lucro da empresa ficou em US$ 1,89 bilhão (US$ 0,81 por ação) no período. "Nossas marcas e nossos negócios foram erigidos para períodos como o atual", disse o executivo-chefe da empresa, Muhtar Kent, em uma teleconferência. A previsão dos analistas era de um lucro de US$ 0,77 por ação, com uma receita de US$ 8,53 bilhões.
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