Dinheiro
15/10/2008 - 15h15

Dado sobre varejo nos EUA reacende medo de recessão e Bolsas caem em NY

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da Folha Online

O índice Dow Jones voltou a registrar perdas significativas nesta quarta-feira, com perda de mais de 500 pontos, enquanto outros indicadores importantes nas Bolsas em Wall Street também caem. Depois da euforia inicial na segunda-feira (13) com a ajuda de governos da Europa e do governo americano para o setor financeiro, a atenção dos investidores se voltou para o cenário econômico geral, que mostra sinais preocupantes de uma recessão global.

Às 15h11 (em Brasília), a Nyse (Bolsa de Valores de Nova York, na sigla em inglês) estava em baixa de 5,72%, indo para 8.778,54 pontos no Dow Jones (queda de 530), enquanto o S&P 500 caía 7,04%, para 927,79 pontos. A Bolsa Nasdaq operava em baixa de 6,17%, indo para 1,669.21 pontos.

Richard Drew/AP
Bolsa de NY registra perda de mais de 500 pontos no Dow Jones com temor de recessão
Bolsa de NY registra perda de mais de 500 pontos no Dow Jones com temor de recessão

Hoje, o Departamento do Comércio informou que as vendas no varejo nos EUA em setembro caíram 1,2%, maior perda desde 2005. O dado foi visto como sinal de que, sob a camada mais evidente da crise, a dos problemas no setor financeiro, está outra, menos evidente mas igualmente abalada, que é a da economia real.

O consumo responde por cerca de 70% de toda a atividade econômica dos EUA. No segundo trimestre, os gastos do consumidor foram beneficiados pelo pacote de estímulo, de US$ 168 bilhões, aprovado em fevereiro deste ano pelo presidente George W. Bush. A presidente da Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados), Nancy Pelosi, sugeriu na semana passada que o país precisa de um novo pacote de estímulo, de US$ 150 bilhões.

O pacote de US$ 168 bilhões ajudou a fazer a economia americana andar: o dinheiro extra favoreceu os gastos dos consumidores entre abril e julho, o que se refletiu nos dados do PIB (Produto Interno Bruto). No segundo trimestre, a economia cresceu 2,8% (ligeiramente menor que os 3,3% em um cálculo prévio). Analistas dizem, no entanto, que, sem o benefício do dinheiro extra, nos próximos trimestres o desempenho econômico americano deverá ser inferior.

O presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Ben Bernanke, disse hoje que a economia norte-americana vai se recuperar, porém lentamente, "Os problemas na economia e nos mercados são grandes e complexos (...) Mas a meu ver, nosso governo conta agora com as ferramentas necessárias para enfrentá-los e resolvê-los", afirmou.

"A estabilização dos mercados financeiros é um primeiro passo crítico, mas, mesmo que eles se estabilizem, a recuperação da economia mais ampla não vai acontecer de imediato", destacou.

O secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, disse hoje, por sua vez, que a compra, por parte do governo, de ações de instituições bancárias estabilizará o sistema financeiro, mas advertiu que continuarão as dificuldades econômicas. "Não há dúvida de que a forma de obter o maior impacto do dinheiro dos contribuintes aqui era investir nos bancos", disse.

Paulson disse hoje que espera que as condições econômicas melhorem, mas "haverá sobressaltos e buracos no caminho". Ele reiterou que se opôs inicialmente a essa intervenção do governo no setor privado --sem precedentes desde o "New Deal", programa do governo que tirou os EUA da Grande Depressão--, mas acrescentou que os eventos de dias recentes mudaram as circunstâncias.

"Embora o setor bancário esteja voltando ao normal, a economia não está. A economia continua a encarar uma galeria de outros problemas", disse à agência de notícias Associated Press o estrategista-chefe de investimentos da ChannelCapitalResearch.com, Doug Roberts. "Estamos no ponto para uma jornada dura."

Na terça-feira (14), o governo do presidente americano, George W. Bush, anunciou que usará até US$ 250 bilhões (do pacote de US$ 700 bilhões) para a aquisição temporária de ações nos bancos privados, com a maior parte desses fundos concentrada em nove das maiores instituições do país.

Shawn Thew/Efe
Paulson, do Tesouro americano, alerta que situação continua difícil nos próximos meses
Paulson, do Tesouro americano, alerta que situação continua difícil nos próximos meses

No Reino Unido, a taxa de desemprego cresceu em 0,5 ponto percentual e alcançou 5,7% no trimestre até agosto deste ano; o número de desempregados no país aumentou em 164 mil pessoas no período e atingiu a marca de 1,79 milhão de pessoas. Foram os piores números do mercado britânico de trabalho desde 1991, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo ONS (Escritório Nacional de Estatísticas). "Podemos ter evitado o fim do mundo financeiro. Mas o Reino Unido está rumando para uma grave recessão e a dor maior ainda está à frente", disse o economista Michael Saunders, do Citigroup.

Os investidores acabaram por deixar de lado os resultados trimestrais divulgados hoje de dois dos principais bancos americanos, o Wells Fargo e o JPMorgan Chase : o lucro líquido do primeiro caiu 24% no terceiro trimestre; já o do segundo caiu 84%. Os dois, no entanto, conseguiram se manter com lucros.

Mesmo o resultado positivo da Coca-Cola foi ignorado: a empresa teve um crescimento de 14% no trimestre encerrado em 26 de setembro, na comparação com o mesmo período de 2007. O lucro da empresa ficou em US$ 1,89 bilhão (US$ 0,81 por ação) no período. "Nossas marcas e nossos negócios foram erigidos para períodos como o atual", disse o executivo-chefe da empresa, Muhtar Kent, em uma teleconferência. A previsão dos analistas era de um lucro de US$ 0,77 por ação, com uma receita de US$ 8,53 bilhões.

 

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