Dinheiro
15/10/2008 - 17h09

Temor de recessão global e nos EUA cresce, apontam estudos

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da Folha Online

A expectativa de que a economia global já esteja mergulhada em uma recessão teve um crescimento expressivo neste mês, segundo pesquisa realizada pelo banco Merrill Lynch e divulgada nesta quarta-feira. Já uma pesquisa Reuters/Zogby, também divulgada hoje, mostrou que a crise financeira, com efeitos cada vez mais evidentes na economia real, fez a confiança dos americanos nas instituições do país cair a um dos níveis mais baixos.

A pesquisa do Merrill Lynch, realizada entre os dias 3 e 9 deste mês mostrou que 70% dos entrevistados considera que a economia global já está em recessão, um aumento expressivo em relação ao dado visto na pesquisa feita em setembro, 44%. A pesquisa ouviu 172 gerentes financeiros no mundo todo, responsáveis pela administração de um total US$ 531 bilhões em fundos.

A pesquisa Reuters/Zogby por sua vez, caiu para 89,7 pontos, contra 96,3 em setembro, em uma escala de 100 pontos criada em julho de 2007. Acima desse patamar, o indicador representa aumento de confiança no país; abaixo dele, a confiança está em queda. O recorde de baixa na escala foi atingido em março deste ano, quando chegou a 87,7 pontos.

A pesquisa do Merrill Lynch foi feita antes da série de anúncios de ajudas governamentais aos bancos de diversos países europeus e dos EUA, mas ainda assim a expectativa é de que a economia americana deve entrar em uma recessão prolongada. "A nosso ver, é cedo para dizer se chegamos ao fundo nos mercados de títulos, dada a turbulência nos mercados financeiros", disse a economista Sheryl King, do Merrill Lynch.

"Contra esse pano de fundo de medo quanto a lucros e recessão, os investidores estão vendendo papéis de setores industriais e optando por dividendos mais estáveis", disse a estrategista do Merrill Lynch para a Europa, Karen Olney.

A pesquisa Zogby, por sua vez, informa que "é seguro dizer que essa é a pior crise de confiança no país desde 1932 [quando os EUA ainda atravessavam a Grande Depressão, iniciada em 1929]". "As pessoas sentem que nada no país está funcionando --o presidente [George W. Bush], o Congresso, as empresas."

O número de pessoas que avaliavam a própria situação financeira como positiva caíram de 52% para 48%.

O levantamento da Zogby foi realizado entre os dias 9 e 12 e ouviu 1.207 pessoas em entrevistas por telefone.

Crise de confiança

A crise de confiança nos EUA vista entre pessoas de dentro e de fora do mercado reflete, de certa forma, a crise de confiança entre as instituições financeiras: essa desconfiança está na raiz da escassez de crédito, que está paralisando as economias mundiais e que levou o governo dos EUA governos na Europa a oferecerem, em conjunto, mas de US$ 2 trilhões para evitar quebras do sistema bancário global.

Mesmo assim, a economia deve passar por um período difícil --o que já foi reconhecido por diversas autoridades. O presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Ben Bernanke, disse hoje que a economia norte-americana vai se recuperar, porém lentamente, "Os problemas na economia e nos mercados são grandes e complexos (...) Mas a meu ver, nosso governo conta agora com as ferramentas necessárias para enfrentá-los e resolvê-los", afirmou.

"A estabilização dos mercados financeiros é um primeiro passo crítico, mas, mesmo que eles se estabilizem, a recuperação da economia mais ampla não vai acontecer de imediato", destacou.

O secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, disse hoje, por sua vez, que a compra, por parte do governo, de ações de instituições bancárias estabilizará o sistema financeiro, mas advertiu que continuarão as dificuldades econômicas. "Não há dúvida de que a forma de obter o maior impacto do dinheiro dos contribuintes aqui era investir nos bancos", disse.

Paulson disse que espera que as condições econômicas melhorem, mas "haverá sobressaltos e buracos no caminho". Ele reiterou que se opôs inicialmente a essa intervenção do governo no setor privado --sem precedentes desde o "New Deal", programa do governo que tirou os EUA da Grande Depressão--, mas acrescentou que os eventos de dias recentes mudaram as circunstâncias.

 

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