Dinheiro
15/10/2008 - 18h03

Bolsa de NY fecha em queda de 7,87%, a pior em 21 anos

Publicidade

da Folha Online

As preocupações em relação à economia dos Estados Unidos --e às perspectivas de entrar em recessão-- levaram as Bolsas americanas a fechar em forte baixa nesta quarta-feira. O Dow Jones Industrial Average, principal índice da Bolsa de Nova York, recuou 733 pontos, a segunda maior queda em pontos da história, ou 7,87%, a maior perda percentual em 21 anos, segundo a consultoria Economática.

Com retração de 7,87%, o Dow Jones fechou aos 8.577,91 pontos, enquanto o S&P 500 caiu 9,03%, indo para 907,84 pontos. A Bolsa Nasdaq encerrou seus negócios em baixa de 8,47% no indicador Nasdaq Composite, aos 1.628,33 pontos.

As ações caíram influenciadas por uma combinação entre dados econômicos negativos --incluindo um forte recuo das vendas no varejo-- e a constatação do Fed (Federal Reserve, o Banco Central dos EUA) de que as condições de crédito estão prejudicando os negócios no país.

Hoje, o Departamento do Comércio informou que as vendas no varejo nos EUA em setembro caíram 1,2%, maior perda desde 2005. O dado foi visto como sinal de que, além dos problemas no setor financeiro, há os da economia real. O consumo responde por cerca de 70% de toda a atividade econômica dos EUA.

Jonathan Ernst/Reuters
Ben Bernanke, presidente do Fed (BC dos EUA), diz que recuperação será lenta
Ben Bernanke, presidente do Fed (BC dos EUA), diz que recuperação será lenta

"Mesmo que o setor bancário volte ao normal, a economia não voltará. A economia continua a encarar outros problemas", disse Doug Roberts, chefe de investimentos da Channel Capital Research.

Na divulgação de seu Livro Bege (documento com dados econômicos coletados nas 12 divisões regionais do Fed) nesta quarta-feira, o Fed informou que a atividade econômica nos Estados Unidos "se debilitou em setembro" na maioria dos distritos.

"A atividade fabril se tornou mais lenta na maioria dos distritos; os mercados de bens imobiliários residenciais seguiram fracos e a atividade imobiliária comercial diminuiu em muitos distritos", informou o documento.

Os distritos do Fed relataram também que o crédito foi restrito em setembro, e que os bancos endureceram seus critérios para a concessão de empréstimos. As pressões de inflação diminuíram um pouco, mas as condições no mercado de trabalho pioraram.

Pouco antes da divulgação do relatório, o presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Ben Bernanke, disse que a economia norte-americana vai se recuperar, porém lentamente. "Os problemas na economia e nos mercados são grandes e complexos (...) Mas a meu ver, nosso governo conta agora com as ferramentas necessárias para enfrentá-los e resolvê-los", afirmou.

Gerald Herbert/AP
George W. Bush fala sobre a crise ao lado do Secretário do Tesouro, Henry Paulson
George W. Bush fala sobre a crise ao lado do Secretário do Tesouro, Henry Paulson

Já o secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, disse hoje que a compra de ações de instituições bancárias por parte do governo estabilizará o sistema financeiro, mas advertiu que continuarão as dificuldades econômicas. "Não há dúvida de que a forma de obter o maior impacto do dinheiro dos contribuintes aqui era investir nos bancos", disse.

Paulson afirmou ainda que espera que as condições econômicas melhorem, mas "haverá sobressaltos e buracos no caminho". Ele reiterou que se opôs inicialmente a essa intervenção do governo no setor privado --sem precedentes desde o 'New Deal', programa do governo que tirou os EUA da Grande Depressão--, mas acrescentou que os eventos de dias recentes mudaram as circunstâncias.

Balanços

Diante deste cenário, os investidores acabaram por deixar de lado os resultados trimestrais divulgados nesta quarta-feira de dois dos principais bancos americanos, o Wells Fargo e o JPMorgan Chase : o lucro líquido do primeiro caiu 24% no terceiro trimestre; já o do segundo caiu 84%. Os dois, no entanto, conseguiram se manter com lucros.

Mesmo o resultado positivo da Coca-Cola foi ignorado: a empresa teve um crescimento de 14% no trimestre encerrado em 26 de setembro, na comparação com o mesmo período de 2007. O lucro da empresa ficou em US$ 1,89 bilhão (US$ 0,81 por ação) no período. "Nossas marcas e nossos negócios foram erigidos para períodos como o atual", disse o executivo-chefe da empresa, Muhtar Kent, em uma teleconferência. A previsão dos analistas era de um lucro de US$ 0,77 por ação, com uma receita de US$ 8,53 bilhões.

Comentários dos leitores
Richard Adams (21) 26/11/2009 17h56
Richard Adams (21) 26/11/2009 17h56
Marcelo, concordo também com vc. Mas qdo pensamos em paises ricos, nos vem à mente normalmente USA e Zona do Euro.
Veja o que aconteceu hj com Dubai. Há outros vários.
Também acho que a palavra "quebrar"é muito forte, e de fato não deve acontecer. Aliás quem alertou sobre isso hj foi a OMC.
Tudo isso reforça o que venho escrevendo por aqui há algum tempo...tem muita gente eufórica, achando que tá tudo índo bem, que 2010 vai ser uma beleza e ao meu ver não vai ser não. Esse estória de o Brasil se achar uma ilha de prosperidade enquanto o mundo ainda estremeçe é muita arrogancia e merece cuidados extremos.
sem opinião
avalie fechar
Luiz Antonio (43) 26/11/2009 16h00
Luiz Antonio (43) 26/11/2009 16h00
Quem lê a FSP, em especial, sempre acredita que o Brasil está a véspera de quebrar, como na época do FHC (PSDB). Mas o país continua crescendo cada vêz mais e distribuindo riqueza.
Quando ao fundo de Dubai, só deslumbrado gosta daquele pedaço de deserto com uma torre espetada.
sem opinião
avalie fechar
É aí que mora o perigo! Esses ricos do petróleo, fonte que começa a "secar", não só pelo seu esgotamento em sí, mas pela urgente necessidade de mudança da matriz energética, hoje e sempre, a maior vilã contra a natureza. Esses povos, acostumaram-se a nadar nababescamente no óleo negro, que se transformou em ouro, mais pelos seus marajás das mil e uma noites, pensando que certamente isso duraria eternamente, como os seus reinados. Mas, nada é para sempre e quando começar a ruir, "sai de perto", como diz o refrão popular e esteja a mil e uma noites de distância, porque nem Alá, Maomé ou aiatolá, desatolará.
Abençoado é aquí, onde fura-se um poço e encontra-se água. Nem ouro,nem diamante, nem urânio, nem nada, nada vale. Água e oxigênio, ainda temos as maiores riquezas. De quê reclamar!
sem opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (4321)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca