Dinheiro
16/10/2008 - 09h25

Bancos americanos foram forçados a aceitar estatização

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FERNANDO CANZIAN
Enviado especial da Folha a Washington

Parte do mercado bancário norte-americano entrou em atrito com o governo dos EUA diante da imposição do Tesouro de obrigá-los a emitir ações que o Estado vai adquirir.

O plano prevê a compra pelo Tesouro de US$ 125 bilhões de ações com remuneração mínima de 5% ao ano (nos próximos cinco anos) dos grandes bancos, e de outros US$ 125 bilhões em papéis de bancos menores, principalmente do regionais.

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Parte do sistema diz não querer o dinheiro do resgate ou a intromissão estatal. Também reclama que concorrentes que adotaram prática contábeis condenáveis agora estão sendo "premiados" com a ajuda bilionária do Tesouro.

Na visão desses bancos, isso torna a competição do sistema como um todo "distorcida".

Em entrevista à Folha, Peter Garuccio, representante da ABA (Associação Americana de Bancos, na sigla em inglês), afirmou que os bancos "não pediram por esse dinheiro".

Embora a ABA (a Febraban dos EUA) afirme estar "trabalhando em cooperação com o governo", a entidade diz que muitos bancos não querem ser parcialmente estatizados.

Os relatos a respeito da reunião de segunda-feira na sede do Tesouro entre o secretário norte-americano Henry Paulson e a cúpula de nove grandes bancos dos EUA revelam que eles não tiveram opção. Na prática, foram obrigados a aceitar a estatização.

Encontro

Paulson teria telefonado pessoalmente para cada um dos executivos chamando para o encontro, em Washington. Questionado, não deu detalhes sobre o assunto. Apenas disse que era "notícia boa".

Os convidados entraram juntos na sala de Paulson por volta das 15h (16h em Brasília) e receberam o informe sobre a estatização parcial. Naquele momento, foram apresentados também os valores que seriam injetados em cada uma das instituições.

Ao ser confrontado com reações negativas de alguns dos participantes, Paulson afirmou que o público norte-americano havia "perdido a confiança" no sistema bancário e que a ação do Tesouro tinha o objetivo de restaurá-la.

Em um momento mais acalorado das discussões, o presidente do Fed (o banco central dos EUA), Ben Bernanke, presente ao encontro, interveio e disse que a situação era a mais grave desde a Grande Depressão, em 1929, e que o governo estava fazendo o que era "o melhor" para o país.

Bernanke também fez um relato sombrio de como via os rumos econômicos futuros caso a confiança no setor financeiro continuasse a se deteriorar como vinha acontecendo.

Pouco antes das 17h, Paulson pediu aos banqueiros que ligassem para os conselhos de administração de seus respectivos bancos e que os informassem da decisão. Pediu que voltassem à mesma sala às 18h30.

Quando os banqueiros retornaram, depois de falar pelos corredores do Tesouro com suas matrizes, os documentos onde se comprometeriam a vender as ações ao Tesouro já estavam sobre a mesa. Todos tiveram de assiná-los antes de deixar a sala.

Comentários dos leitores
O Pacificador (225) 30/11/2009 17h29
O Pacificador (225) 30/11/2009 17h29
A única coisa que não está em recessão na Venezuela, é a imensa boca do Chávez...
Que fala, fala, fala e não diz nada.
A intensa perseguição á iniciativa privada, com a estatização de empresas via decreto, estão acabando com a precária economia do país.
O fechamento de dois bancos agora, é só a cerejinha que faltava...
É isso aí Chávez, se tinha alguém querendo embarcar na canoa furada do bolivarianismo falido, com esta quebradeira toda, até a cumpanherada saí correndo...
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Cristiano Garcia (375) 30/11/2009 10h12
Cristiano Garcia (375) 30/11/2009 10h12
Essa ultima piada do FMI é até engraçada...
Ele diz que já sabia e monitorava a situação economica de Dubai. Mas então por que não emitiu nenhum aviso, e tentou fazer algo para ajudar?
O que o FMI sabe fazer de melhor é desestabilizar economias emergentes propalando sua surrada e falsa doutrina economica.
Depois dessa quebradeira imposta por George Bush ao mundo, pensei que o FMI seria extinto, e que opiniões de bancos como Goldman Sachs e afins, que foram incompetentes e ou coniventes e ou cumplices com a quebradeira mundial iniciada por safados e ladroes de colarinho branco and black tie americanos, acreditei que essas opiniões nunca mais seriam usadas como norte em referencia à economia de qualquer país.
Quem sabe daqui umas 5 ou 6 gerações nos livraremos desses fósseis engessados e teremos de fato uma nova ordem mundial, centrada no homem.
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No fundo o problema é o seguinte:
As nações ricas estão numa corrida alucinada de quem consegue fazer a maior, mais alta e mais vultosa obra do planeta.
Quase que uma divisão entre a razão e o delírio, mas o sistema financeiro desta época global é muito sensível e qualquer " brisa " tende a se tornar um tornado.
Quantos monumentos da antiguidade vemos hoje ao redor do mundo em plena ruina acéu aberto ?!
Isso revela que o homem continua o mesmo, seu preceder não muda, mesmo que isso tenha que custar mão de obra miserável de países miseráveis.
A justiça por si só, encarrega-se de por as coisas no seu devido lugar, e o que era para ser glória acaba virando vergonha !!!
Até quando esses governos mundiais aprenderão que reinos, governos e nações se constroem com justiça e não com ganância ?!
" Quem muito alto quer subir e as estrelas chegar, não pode imaninar o tombo que poderá levar."
sem opinião
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