Klabin tem prejuízo de R$ 253 mi no 3º tri com câmbio e alta nos custos
da Folha Online
A Klabin, empresa do ramo de papel e celulose, informou nesta quinta-feira que fechou o terceiro trimestre deste ano com prejuízo líquido de R$ 253,14 milhões, ante lucro de R$ 177,52 milhões no mesmo período de 2007. No segundo trimestre do ano, o lucro tinham sido de R$ 175 milhões.
Segundo comunicado enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), houve piora no desempenho operacional e financeiro, sendo que a valorização do dólar afetou o endividamento da empresa.
De julho a setembro, a receita líquida da Klabin ficou em R$ 770,2 milhões, valor 6,56% superior ao anotado no terceiro trimestre do ano passado. No ano, a receita é de R$ 2,291 bilhões, elevação de 8% sobre o período do ano passado.
No terceiro trimestre mencionado, as vendas totalizaram 388 mil toneladas, alta de 7,7% sobre 2007 --no ano, as vendas somam 1,186 milhão de toneladas, alta de 8%.
A Klabin ressalta que apesar da alta, subiram com mais força os custos dos produtos (22%), para R$ 587,9 milhões, principalmente por conta dos maiores preços de insumos como óleo combustível, produtos químicos e gás. Já as despesas subiram 30,2%, para R$ 133,18 milhões --pesaram as rescisões de contratos de alguns executivos da companhia.
A valorização do dólar ante o real também pesou nos custos, o que acarretou perdas de R$ 381 milhões. O endividamento bruto da Klabin no final de setembro era de R$ 4.901 milhões --no comunicado, a empresa explica que tem 50% da sua dívida atrelada ao dólar.
"O prazo médio de vencimento dos financiamentos é de 51 meses, sendo 44 meses para os financiamentos em moeda local e 57 meses para os financiamentos em moeda estrangeira. Em função do perfil do endividamento, o impacto das variações cambiais no balanço será precedido pelo acréscimo na geração operacional de caixa", explica a Klabin.
Excluídos os fatores com câmbio e despesas extras, o Ebitda (lucro antes de impostos, juros, amortizações e depreciações) somou R$ 154,63 milhões, queda de 22,7% sobre o terceiro trimestre do ano passado (R$ 200,13 milhões).
Papelão ondulado
Segundo informações preliminares da Associação Brasileira de Papelão Ondulado, a
expedição de caixas e chapas de papelão ondulado no terceiro trimestre cresceu 5% (26 mil toneladas) em relação ao mesmo período do ano anterior, e permaneceu no mesmo nível do trimestre anterior. Nos nove meses de 2008, o volume expedido foi 1% superior (24 mil toneladas) que o mesmo período de 2007.
O setor de papelão ondulado --utilizado para embalagens-- é visto como um termômetro do nível de atividade geral, porque tende a refletir o ritmo de expansão da economia. A oscilação das vendas serve como indício das expectativas dos empresários, o que repercute no ritmo das encomendas e da produção do setor.
Se essa indústria vende menos do que o esperado, por exemplo, o comportamento das vendas pode ser um sinal de que os clientes estão menos otimistas com o futuro dos seus negócios e, portanto, optaram por reduzir o ritmo das encomendas e da produção.
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