FMI está disposto a ajudar emergentes, diz diretor-geral
da France Presse, em Londres
da Folha Online
O FMI (Fundo Monetário Internacional) está disposto a ajudar os países emergentes afetados pela crise financeira, afirmou o diretor-geral, Dominique Strauss-Kahn, em entrevista ao jornal "Financial Times" desta sexta-feira.
"A crise atinge atualmente vários países emergentes e alguns já estão enfrentando problemas na balança de pagamentos", disse. "Estamos dispostos a apoiar estas economias e já discutimos com alguns destes países emergentes".
"Alguns países, ao que parece, têm problemas devido à fuga de capitais privados de investidores estrangeiros, ou pela redução das linhas de crédito por parte de bancos estrangeiros".
O ex-ministro francês das Finanças acrescentou que não se opõe a que os países asiáticos tentem se apoiar mutuamente, na medida em que suas ações sejam "coordenadas com as instituições multilaterais".
Nesta semana, Strauss-Kahn afirmou na segunda-feira passada (13) que o Fundo disponibilizou aos países-membros suas reservas de quase US$ 250 bilhões para responder à crise financeira. A instituição desembolsaria os recursos em forma de empréstimos urgentes, com menos condições que os programas freqüentes e em questão de duas semanas.
Reunião
Reunidos na Índia, os líderes de Brasil, Índia e África do Sul criticaram duramente os países ricos por terem provocado a crise financeira mundial. "É injusto que os países pobres sejam vítimas de uma crise financeira mundial gerada pelos países ricos e que tenham que pagar pela irresponsabilidade dos especuladores que transformaram o mundo num gigantesco cassino", criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, recebeu o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e o novo chefe de estado sul-africano, Kgalema Motlanthe, para a terceira conferência anual Índia-Brasil-África do Sul (IBSA).
Lula criticou enfaticamente "as más decisões de poucos que levaram o sistema financeiro internacional à beira da falência".
"Como representantes dos países do mundo em desenvolvimento, devemos considerar de agora em diante com a maior prudência as soluções chaves prescritas pelo mundo desenvolvido", advertiu.
Em discurso mais moderado, o anfitrião indiano, Singh, disse que "os três gigantes da Ásia, América Latina e África têm um grande papel a desempenhar para garantir um crescimento mundial igualitário e contribuir para a estabilidade internacional".
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