Dinheiro
17/10/2008 - 10h06

Bush nega nacionalizar bancos e diz que crédito levará tempo para ficar normal

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da Folha Online

O presidente dos EUA, George W. Bush, negou nesta sexta-feira que a medida para comprar ações em instituições bancárias americanas, com US$ 250 bilhões do pacote de US$ 700 bilhões aprovado neste mês pelo Congresso, seja uma nacionalização do sistema bancário do país. O presidente disse ainda que vai levar um tempo para os mercados de crédito voltarem a seu funcionamento normal, mas que "o povo americano pode confiar em que isso acontecerá".

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Susan Walsh/AP
Presidente dos EUA, George W. Bush, disse que crédito levará tempo para voltar ao normal
Presidente dos EUA, George W. Bush, disse que crédito levará tempo para voltar ao normal

O presidente destacou que o programa de compra de papéis de bancos é limitado no tempo e em alcance. "A compra será de uma pequena participação, os bancos ficarão com a maior parte [do controle]. Não vamos controlar fundos nem vamos ter representantes na diretoria. A compra irá apenas garantir o dinheiro dos contribuintes", disse Bush.

Em discurso feito hoje na Câmara de Comércio dos EUA, em Washington, Bush avaliou que os EUA estão em uma "crise financeira séria", que ultrapassou Wall Street. Segundo ele, no entanto, as medidas de resgate do setor financeiro são "grandes e ousadas o suficiente para funcionar". "Levou algum tempo para os mercados de crédito congelarem, e vai levar levar algum tempo para o sistema de crédito descongelar", afirmou.

Ele ainda lembrou que está trabalhando com os governos europeus para solucionar o que se tornou uma crise global. "Estamos determinados a superar esse desafio juntos", afirmou.

O presidente disse ser um defensor do livre-mercado e se oporia a uma intervenção governamental no sistema financeiro, mas o momento exige uma ação. "Eu me oporia a tais medidas em circunstâncias ordinárias (...) Mas essas não são circunstâncias ordinárias."

Na terça-feira (14), o presidente dos EUA, George W. Bush, anunciou a compra de ações, no montante de US$ 250 bilhões, de inúmeras instituições bancárias. O propósito central do pacote era, no entanto, a aquisição de papéis com baixíssima probabilidade de resgate (conseqüentemente, com alto risco de calote), chamados de títulos "podres".

Ele classificou a medida como uma "ação inteligente". O novo capital a ser injetado "vai ajudar a que os bancos façam empréstimos a empresas e pessoas e a compensar as perdas ocorridas durante a crise financeira", disse o presidente na terça. "Dessa maneira vamos estimular a criação de empregos e o crescimento econômico. É uma medida de curto prazo essencial" para dar apoio a um sistema financeiro debilitado, afirmou.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, disse ontem que mais bancos americanos estão interessados em ter o governo entre seus acionistas, além dos nove que já receberam capital público. "Inicialmente convencemos nove bancos de participar do programa e vamos ampliá-lo. Recebemos amostras de interesse de um bom número de outros", disse Paulson em uma entrevista ao canal "Fox Business".

Os nove bancos seriam Goldman Sachs, Morgan Stanley, JP Morgan Chase, Bank of America, Citigroup, Wells Fargo, Bank of New York Mellon, State Street e Merrill Lynch, segundo a agência de notícias France Presse.

Paulson esclareceu em outra entrevista, à emissora de TV 'Bloomberg' que por enquanto essas aquisições se limitarão a "instituições financeiras reguladas", não havendo compras de ações de fundos de investimento de risco ("hedge funds").

A porta-voz presidencial, Dana Perino, afirmou ontem que "vai demorar um pouco" a começar a implementação do pacote de US$ 700 bilhões. Os democratas no Congresso propuseram um novo plano de estímulo fiscal de US$ 300 bilhões para tirar a economia de seu marasmo com investimentos em infra-estrutura e transferências aos estados. Perino expressou o ceticismo da Casa Branca a essas propostas. "Os projetos de infra-estrutura em si mesmos não estimulam a economia", explicou.

Comentários dos leitores
celso assis (66) 26/11/2009 09h01
celso assis (66) 26/11/2009 09h01
Prezado Luiz Velosa
Pouco importa receber, o negócio é emprestar para o consumo. Os especialistas dizem que 46% do PIB emprestado é pouco, pois em outros paises chega a 80%. Mas será que dá para comparar paises e condições diferentes. Os empréstimos são mais para consumo ou mais para produção?
Eles que sao especialistas e que sabem das coisas que respondam. Mas parece que nao foram capazes de prever a crise do ano passado. Outros dizem que nem crise houve (sic)!!!!!! Será que sabem onde fica o nariz deles?
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Luís da Velosa (1428) 25/11/2009 17h15
Luís da Velosa (1428) 25/11/2009 17h15
E depois da bonança, também pode vir a tempetade. O Natal pode parecer mais vibrante, luminoso, uma festa maravilhosa para o advento do nascimento do Menino Jesus. Mais tarde, de janeiro a novembro, muitos consumidores serão inumados por dívidas. sem opinião
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Marco Hundsdorfer (33) 25/11/2009 11h34
Marco Hundsdorfer (33) 25/11/2009 11h34
Cara Chris Maria.
Obrigado pela informação. Estamos tentando agora na Justiça, porque o INSS local diz que a doença não existe (O responsável local). Falo sério.
Para quem esta dando alta para quem tem cancer ou mãos amputadas...
Agradeço, e muito, sua colaboração, assim como agradeço à Folha de São Paulo por permitir retratar este descaso, não só comigo, mas com todos aqueles que necessitam de auxilio doença em Ponta Grossa - Paraná.
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