Dinheiro
20/10/2008 - 18h51

Governo anuncia mais R$ 2,5 bi para safra e sinaliza até R$ 4 bi para construção

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YGOR SALLES
da Folha Online

Atualizada às 20h45

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, informaram nesta segunda-feira a liberação de mais recursos para o financiamento da safra 2008/2009, ajuda para o setor de construção civil e possibilidade dos bancos oficiais federais agirem mais agressivamente na concessão de crédito.

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Jamil Bittar/Reuters
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do BC, Henrique Meirelles
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do BC, Henrique Meirelles

Na área rural, para onde o governo já direcionou R$ 5,5 bilhões através de liberações do depósito compulsório, agora também aumentará a porcentagem de recursos captados pela poupança rural para o financiamento de safra. Atualmente, 65% da captação tem essa finalidade e o governo pretende aumentá-la para 70%.

Esta medida, segundo Mantega pode injetar mais R$ 2,5 bilhões no financiamento da safra. "Não há motivo para redução da safra 2008/2009, exceto por fatores fora do controle, como questões climáticas ou falta de crédito que não conseguimos detectar", afirmou.

Para a área de construção, Mantega sinalizou medidas para injetar de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões para capital de giro. "[Esse financiamento] será via BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que já apresentou uma proposta, ou da Caixa [Econômica Federal] através de participação acionária das construtoras", afirmou Mantega.

A ajuda para a safra deve ser oficializada ainda hoje. Para a área da construção, a proposta deve ser concluída em alguns dias.

"Estamos finalizando com a Caixa o programa de apoio ao setor de construção. Será algo entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões para evitar qualquer descontinuidade no setor de construção residencial", afirmou Luciano Coutinho, presidente do BNDES, no 4º Fórum Nacional de Sustentabilidade da Construção, em São Paulo.

Segundo Coutinho, a Caixa deverá cuidar do crédito para o capital de giro das empresas, e o BNDES por capitalizar e apoiar fusão e aquisições do setor.

"Os bancos federais foram orientados a entrar firme na expansão do crédito à pequena empresa. Afinamos a orquestra para atuar de maneira firma nas próximas semanas."

Bancos oficiais

Durante esta segunda-feira, a equipe econômica do governo realizou reuniões com os principais bancos oficiais, onde revisaram suas ações diante da crise como por exemplo a compra de carteiras de financiamento de bancos médios e pequenos.

Segundo Meirelles, agora eles devem partir para o aumento da concessão de crédito. "Os bancos oficiais estão se preparando para aumentar sua participação na concessão de crédito para capital de giro para as empresas, para pessoas físicas e consumo, e o BNDES para investimentos", afirmou.

A autoridade monetária também disse que há ainda "uma boa margem" de depósitos compulsórios para serem liberados para bancos médios caso seja necessário. O mesmo pode ser aplicado para o caso dos leilões de dólares com garantias para financiamento às exportações que começaram a ser feitos hoje.

Comentários dos leitores
Richard Adams (21) 26/11/2009 17h56
Richard Adams (21) 26/11/2009 17h56
Marcelo, concordo também com vc. Mas qdo pensamos em paises ricos, nos vem à mente normalmente USA e Zona do Euro.
Veja o que aconteceu hj com Dubai. Há outros vários.
Também acho que a palavra "quebrar"é muito forte, e de fato não deve acontecer. Aliás quem alertou sobre isso hj foi a OMC.
Tudo isso reforça o que venho escrevendo por aqui há algum tempo...tem muita gente eufórica, achando que tá tudo índo bem, que 2010 vai ser uma beleza e ao meu ver não vai ser não. Esse estória de o Brasil se achar uma ilha de prosperidade enquanto o mundo ainda estremeçe é muita arrogancia e merece cuidados extremos.
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Luiz Antonio (43) 26/11/2009 16h00
Luiz Antonio (43) 26/11/2009 16h00
Quem lê a FSP, em especial, sempre acredita que o Brasil está a véspera de quebrar, como na época do FHC (PSDB). Mas o país continua crescendo cada vêz mais e distribuindo riqueza.
Quando ao fundo de Dubai, só deslumbrado gosta daquele pedaço de deserto com uma torre espetada.
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É aí que mora o perigo! Esses ricos do petróleo, fonte que começa a "secar", não só pelo seu esgotamento em sí, mas pela urgente necessidade de mudança da matriz energética, hoje e sempre, a maior vilã contra a natureza. Esses povos, acostumaram-se a nadar nababescamente no óleo negro, que se transformou em ouro, mais pelos seus marajás das mil e uma noites, pensando que certamente isso duraria eternamente, como os seus reinados. Mas, nada é para sempre e quando começar a ruir, "sai de perto", como diz o refrão popular e esteja a mil e uma noites de distância, porque nem Alá, Maomé ou aiatolá, desatolará.
Abençoado é aquí, onde fura-se um poço e encontra-se água. Nem ouro,nem diamante, nem urânio, nem nada, nada vale. Água e oxigênio, ainda temos as maiores riquezas. De quê reclamar!
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