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Dinheiro
20/10/2008 - 20h36

Caixa nega queda na demanda por crédito imobiliário, mas vê problemas

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DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online

A superintendente nacional de Habitação da Caixa, Bernadete Maria Pinheiro Coury, garantiu nesta segunda-feira que o banco não vai mexer em nenhum custo de crédito imobiliário, tanto para pessoa física como jurídica. Ela afirmou, porém, que podem haver obstáculos à demanda de crédito devido à crise financeira.

Segundo Coury, os custos dos recursos de financiamento da Caixa --captação da caderneta de poupança e o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço)-- continuam o mesmo.

"Na caderneta, remuneramos para o poupador TR mais 6%, e os recursos do FGTS têm remuneração definida. Então o custo para o banco é o mesmo e, em função disso, não vamos alterar a taxa de juros dos financiamentos", afirmou no 4º Fórum Nacional de Sustentabilidade da Construção, em São Paulo.

Desde 2007 a Caixa mantém os juros e prazos para financiar imóveis. Os juros para quem usar recursos do FGTS são de 8,16% ao ano; com recursos da poupança, variam entre 8% e 14%. Os valores têm o acréscimo da TR (Taxa Referencial).

Raimundo Pacco/Folha Imagem
Mercado imobiliário brasileiro está longe de abismo visto nos EUA, diz economista
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Sobre a possibilidade de ocorrer uma redução da demanda por crédito em função da crise financeira, Coury disse que tem "ouvido das empresas" que elas estão reavaliando os lançamentos imobiliários.

"A Caixa vai agir sempre visando ao atendimento do mercado. Se houver redução da oferta [de unidade habitacionais], vamos contribuir para que não exista [paralisação], aumentando a oferta de crédito."

Segundo a superintende, porém, o banco não percebeu nenhuma redução da tomada de crédito, mas a greve dos bancários, que entrou hoje no 13º dia, pode influenciar. "Ainda não percebemos essa redução, mas infelizmente estamos num período de greve, e então temos tratado a demanda que já estava dentro das agências. Mas se a greve não arrefecer, essa redução será percebida."

Ao responder a questionamento se agora é hora de repensar a entrada em um financiamento imobiliário, Coury afirmou que a decisão de assumir um compromisso de longo prazo "tem que ser avaliada dada a condição de cada mutuário."

"Uma pessoa física que assume um financiamento por 20 ou 25 anos, vai comprometer uma parcela da renda. Isso tem que fazer parte do planejamento da vida."

Ajuda ao setor

No mesmo evento, o economista Eduardo Gianetti da Fonseca afirmou que mercado imobiliário brasileiro está longe de cair no abismo visto nos Estados Unidos, onde o crédito imobiliário de alto risco está na origem da crise financeira.

"O setor imobiliário está apenas começando o ciclo de expansão do crédito. Não existe bolha e inadimplência de mutuários. As empresas estão de modo geral capitalizadas. O quadro aqui é totalmente diferente", disse. Ele advertiu, porém, para a dificuldade de empresas em ter capital de giro para projetos em execução.

Nesse sentido, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, informaram nesta segunda-feira a liberação de mais recursos para o financiamento da safra 2008/2009, ajuda para o setor de construção civil e possibilidade dos bancos oficiais federais agirem mais agressivamente na concessão de crédito.

"Estamos finalizando com a Caixa o programa de apoio ao setor de construção. Será algo entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões para evitar qualquer descontinuidade no setor de construção residencial", afirmou Luciano Coutinho, presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que participou hoje de reunião com o presidente Lula e bancos sobre a retração do crédito no Brasil.

Segundo Coutinho, a Caixa deverá cuidar do crédito para o capital de giro das empresas, e o BNDES por capitalizar e apoiar fusão e aquisições do setor.

"Os bancos federais foram orientados a entrar firme na expansão do crédito à pequena empresa. Afinamos a orquestra para atuar de maneira firma nas próximas semanas."

 

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