Dinheiro
21/10/2008 - 14h27

BC age corretamente na crise, mas Fazenda não, diz professor da FGV

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YGOR SALLES
da Folha Online

O Banco Central brasileiro tomou as atitudes adequadas para lidar com a crise financeira global mas não foi acompanhado pelo Ministério da Fazenda, analisou nesta terça-feira Marcio Holland, professor da Escola de Economia da FGV (Fundação Getulio Vargas).

Segundo ele, o mercado ficou inseguro com a demora em que o governo federal, em especial o Ministério da Fazenda, admitiu que a crise teria reflexos fortes no país, o que contribuiu para que a volatilidade nos mercados acionário e cambial fossem mais fortes aqui do que no exterior.

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"O BC não tem muito mais o que fazer além das medidas que já vem adotando. Já a Fazenda deveria ter aproveitado o momento de bonança que tivemos para reduzir o gasto público com reformas estruturais, o que não dá para fazer em um momento de crise", explicou o professor após debate sobre o tema em São Paulo.

"Há uma demora muito grande em admitir a gravidade da crise. Primeiro o Brasil não seria atingido. Depois o Brasil seria atingido, mas pouco. E agora o Brasil será atingido, e quem sabe se saia melhor que os outros países", disse. "O mercado vê insegurança [nesta atitude]. Talvez uma segurança maior não teria trazido uma volatilidade tão grande. Por sua vez o BC agiu rapidamente."

Apesar das críticas, Holland acredita que o mercado acionário brasileiro não terá um tombo como a dos americanos na crise de 1929 --quando os ativos negociados chegaram a cair mais de 80% na comparação com o pico da época. "Há margem para cair mais, se pegarmos as margens históricas. Mas esperamos que seja mais razoável porque em 1929 a crise foi no mercado acionário, e agora é no mercado financeiro", explicou. Em compensação, o professor lembra que as crises financeiras são tradicionalmente mais longas do que as acionárias.

Juros

Segundo o economista-chefe do Citigroup no Brasil e ex-diretor do BC, Marcelo Muinhos, o BC não deverá elevar a taxa de juros básica na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que ocorrerá na próxima semana. A taxa Selic está em 13,75% anuais.

"Acredito que na semana que vem vão manter os juros, para ver como o mercado está reagindo à falta de crédito, e talvez suba um pouco de novo na próxima reunião", disse Muinhos.

Para ele, "fica meio contraditório" o BC subir os juros diante da atual conjuntura de falta de crédito e das recentes liberações que a própria autoridade monetária fez no depósito compulsório.

O economista ainda previu que os Estados Unidos terão uma seqüência de quatro trimestres com quedas no PIB (Produto Interno Bruto) a partir do terceiro trimestre deste ano por causa da crise financeira. Com isso, o banco projeta que o PIB americano terá alta de 0,2% em 2008 e queda de 0,2% em 2009. Para o Brasil, a aposta é de fechar o ano com alta de 5,2% em 2008 e de 3% em 2009.

Comentários dos leitores
Marco Hundsdorfer (32) 24/11/2009 19h06
Marco Hundsdorfer (32) 24/11/2009 19h06
Aos moderadores da folha.
Porque minhas mensagens são bloqueadas?
Não utilizei nenhum termo de baixao escalão e minha ultima mensagem tem grande importância.
Não entendo.
Todo mundo "bate boca" e eu não posso postar um comentário sobde o INSS...
O que esta havendo?
sem opinião
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Marco Hundsdorfer (32) 23/11/2009 19h18
Marco Hundsdorfer (32) 23/11/2009 19h18
Gostaria de mudar um pouco o "foco" desta conversa para uma realidade que nos diz mais respeito.
O Foco é o INSS. O Assunto: Aposentadorias e Auxílio Doença.
Assisti ha alguns dias um debate sobre o fim do "fator previdenciário" que tramita no congresso. Como sempre argumentos politiqueiros contra e a favor, pois "no ponto chave" ninguém põe o dedo (Aposentadoria dos funcionários públicos).
O que me deixa desconsertado é que, onde vivo, (Ponta Grossa - Paraná), o INSS esta negando praticamente a todo mundo o auxílio doença (Até gente com mãos amputadas ou com câncer!). O INSS esta tirando a aposentadoria de pessoas idosas já aposentadas há anos!
Eu meu caso em particular, minha esposa sofre de uma doença reconhecida internacionalmente que se chama FIBROMIALGIA. A doença é reconhecida pela Sociedade Americana de Reumatologia e possui 5 níveis. Infelizmente minha esposa esta no 5º nível. Esta doença é tratável, porem ,no caso de minha esposa, com derivados sintéticos de morfina (Metadona).
O INSS dá a "entender" que a doença não existe, mesmo a mesma possuindo SID.
A pergunta é: É assim que o governo pretende economizar e fazer caixa? Em cima de quem vai receber pouco mais de 1 salário mínio para comprar remédios? Ou retirando aposentadorias de maneira ilegal?
Fica a pergunta para o governo.
Para os moderadores da folha: Por favor este é um assunto importante. As pessoas precisam saber que o que o INSS esta fazendo é ilegal e imoral.
sem opinião
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Guilherme Lemmi (226) 23/11/2009 14h48
Guilherme Lemmi (226) 23/11/2009 14h48
Sobre a reportagem "Livre mercado é melhor modelo econômico apesar da crise, dizem bilionários", interessante, a Folha deveria perguntar para o 1 bilhao de pessoas que passam fome no mundo, se eles concordam com essa opinião.
Ah, esqueci, essas pessoas só passam fome porque nao tiveram a 'tenacidade' para vencer na vida....
28 opiniões
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