BC já interveio no câmbio com US$ 22,8 bilhões desde início da crise
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse nesta terça-feira que a autoridade monetária já interveio no mercado de câmbio, para segurar a cotação do dólar frente ao real, em uma série de operações que totalizam US$ 22,8 bilhões. A moeda americana encerrou o dia hoje cotada a R$ 2,231 na venda, o que representa um acréscimo de 4,98% sobre a cotação de ontem.
Segundo ele, o BC já vendeu US$ 3,2 bilhões em dólares das reservas internacionais, que hoje somam mais de US$ 200 bilhões. Também foram "emprestados" US$ 3,7 bilhões em leilões de dólares de linhas externas e outro US$ 1,6 bilhão no primeiro leilão de moeda direcionado ao comércio exterior, realizado ontem.
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| Jamil Bittar/Reuters |
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| O presidente do BC, Henrique Meirelles, participa de audiência na Câmara |
Meirelles também listou US$ 12,8 bilhões em contratos de swap cambial, instrumento que fornece proteção contra a alta do dólar e ajuda a segurar a cotação da moeda. Por fim, o BC tirou do mercado contratos de swap cambial reverso (instrumento que pressiona a alta da moeda) no valor de US$ 1,5 bilhão, que venceram e não foram renovados.
"São valores ainda inferiores ao que está sendo feito nos países realmente atingidos pela crise", afirmou Meirelles durante audiência na Câmara dos Deputados.
Segundo Meirelles, somente as intervenções governamentais nos países desenvolvidos para recapitalização de bancos no mundo chega a US$ 595 bilhões --o valor exclui o dinheiro emprestado diretamente para salvar bancos.
Nesse ponto, em relação ao Brasil, ele destacou a liberação do dinheiro que os bancos são obrigados a manter depositados no BC, o depósito compulsório, que vai injetar mais de R$ 100 bilhões na economia brasileira, segundo ele.
De acordo com Meirelles, esse dinheiro também deve ser considerado como parte do colchão de proteção que o Brasil possui contra crise, junto com as reservas internacionais, que somam hoje cerca de US$ 205 bilhões.
"Além das reservas internacionais do governo brasileiro, os bancos têm uma reserva mandatória [o compulsório], o que outros países do mundo não têm."
Meirelles participa hoje, junto com o ministro Guido Mantega (Fazenda), de audiência na Câmara sobre a crise internacional de crédito e seus efeitos no Brasil.
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