Mercosul tentará definir mecanismos comuns para responder à crise, diz Amorim
RENATA GIRALDI
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) afirmou hoje que a reunião com representantes dos países do Mercosul --marcada para a próxima segunda-feira (27) em Brasília-- servirá para que os governos sul-americanos definam mecanismos que indiquem respostas coordenadas aos efeitos da crise econômica internacional.
"[O objetivo é] acertar um mecanismo para respostas, senão coordenadas, pelo menos com transparência para que não haja surpresas. E também para nos prepararmos. Quais são os instrumentos que temos para nos preparar para enfrentar esta crise", afirmou Amorim, que participou de cerimônia no Palácio do Planalto em homenagem aos 20 anos da Constituição.
Na segunda-feira, ministros das Relações Exteriores e da Fazenda, além dos presidentes dos bancos centrais de todos os países que integram o Mercosul, estarão em Brasília para uma reunião destinada a tratar exclusivamente sobre os efeitos da crise econômica internacional.
Segundo Amorim, o Paraguai não deverá enviar representantes para a reunião porque as autoridades do país estão em viagem internacional.
"Hoje em dia a América Latina e o Caribe já são mercados muito maiores que qualquer outro. A América do Sul sozinha já é bem maior que os Estados Unidos. Os instrumentos que temos desenvolvido", afirmou o ministro. "Estamos desenvolvendo com a Argentina fazer transações em moeda local, o que também ajuda a proteger este patrimônio da integração da crise internacional", disse Amorim.
O ministro afirmou que é necessário aproveitar as experiências anteriores, envolvendo outras crises econômicas, para buscar alternativas que minimizem os reflexos do que ocorre na economia mundial.
"Temos que estar preparados e temos que evitar, sobretudo, até olhando para a história e para as respostas que foram dadas no passado. A crise de 1929 foi aprofundada pelo protecionismo. Cada um foi se defendendo e transferindo problema para o outro. No final todos sofreram. Então como nós podemos nos defender de uma maneira criativa e olhando para frente?", disse Amorim.
Ele ressaltou ainda que a troca de informações entre os governos contribui para preparar uma ação conjunta que limite os efeitos da crise. "Essa comunicação recíproca e esta preparação conjunta para responder a crise é muito importante. Até porque a integração é um dos aspectos que está mitigando os efeitos da crise para nós", disse.
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