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Dinheiro
22/10/2008 - 12h39

Mantega diz que banco estatizado será revendido e nega quebradeira no Brasil

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EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília

O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse que o governo pretende revender ao mercado os bancos brasileiros que forem estatizados dentro das regras da nova MP (medida provisória) publicada hoje pelo governo.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou ontem uma MP 443, que autoriza os bancos públicos brasileiros, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, a adquirirem participações em instituições financeiras privadas. Hoje isso é proibido. A informação foi antecipada pelo colunista Guilherme Barros.

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Além de bancos, também podem ser estatizadas seguradoras, instituições de previdência privada e de capitalização. A MP também autoriza a Caixa Econômica Federal a comprar a participação acionária de construtoras em dificuldade.

"Hoje isso estava vedado, não havia necessidade de que isso existisse, mas diante da situação de falta de liquidez no mercado brasileiro nós estamos tomando essa medida", afirmou Mantega.

Medidas semelhantes já foram adotadas por EUA e Europa e ajudaram a tranqüilizar os mercados. No entanto, por lá a injeção foi direta, ou seja, os governos ou BCs irão comprar os ativos, enquanto por aqui a aquisição se dará por meio de bancos públicos.

Quebradeira

O ministro afirmou que "não tem banco quebrando" no Brasil, mas reconheceu que muitas instituições estão com problemas de falta de dinheiro.

Jamil Bittar/Reuters
Ministro Guido Mantega (esq.) e presidente do BC, Henrique Meirelles, falam sobre MP
Ministro Guido Mantega (esq.) e presidente do BC, Henrique Meirelles, falam sobre MP

A falta de dinheiro em circulação e a retração do crédito é o principal reflexo da crise financeira internacional no Brasil. Com bancos internacionais com problemas, cai a confiança para realização de empréstimos, e quando eles ocorrem, ficam mais caros.

"Não tem banco quebrando no Brasil. Isso não isenta o sistema financeiro de problema de liquidez. Se não tivesse, o BC não estaria devolvendo o compulsório, não haveria compra de carteira."

Segundo ele, até agora nenhum banco recorreu ao BC em busca de ajuda no mecanismo de empréstimos por meio do redesconto, pelo qual o banco privado entrega sua carteira de crédito ao BC como garantia. "Não tem corrida ao redesconto", diz Mantega.

Mantega disse também que, assim que o problema for sanado, o governo quer revender essas instituições.

"É uma medida que responde à necessidade do momento, de crise de liquidez internacional que tem alguma repercussão no Brasil. Depois de restabelecidos o crédito, essas instituições poderão ser revendidas", afirmou.

Ontem, em audiência na Câmara para falar sobre a crise de crédito, Mantega afirmou que a privatização de bancos por causa da crise era algo "duro de engolir" para o capitalismo.

Socorro a bancos

O governo já havia permitido que os bancos em dificuldade vendessem suas carteiras de créditos e recorressem ao BC em busca de dinheiro. Agora, segundo Mantega, foram ampliadas essas possibilidades de ajuda.

Para o ministro, é importante que bancos públicos também possam participar dessas aquisições, que hoje só podiam ser feitas por bancos privados, já que BB e Caixa respondem por quase 30% do mercado.

"Essa modalidade aumenta a concorrência no setor. As instituições que têm problemas de liquidez poderão escolher se querem se juntar com uma instituição privada ou pública. Nós aumentamos a alternativa para quem tem problemas de liquidez, que poderá obter um preço melhor pela alienação", afirmou.

O ministro descartou injetar mais dinheiro nos bancos públicos para que eles possam fazer essas aquisições. Segundo ele, as instituições têm dinheiro suficiente em caixa para fazer isso.

Mantega disse também que não haverá socorro à instituições, já que as aquisições serão feitas pelo valor fixado pelo mercado.

"Até agora não demos nenhum socorro para nenhum setor da economia. O que nós estamos dando é liquidez dentro das regras de mercado. Se acontecer uma transação dessa natureza será pelas regras de mercado."

 

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