PIB do Reino Unido e lucros de empresas arrastam Bolsas na Europa
da Folha Online
As Bolsas européias despencam nesta sexta-feira. O Reino Unido apresentou a primeira queda em seu PIB (Produto Interno Bruto) em 16 anos no terceiro trimestre, o que acentua os temores de que a economia britânica esteja a caminho de uma recessão --situação em que já se encontram França e Irlanda. Os lucros fracos das empresas reforçam o pessimismo dos investidores quanto à economia global. As Bolsas asiáticas também afundaram --a de Tóquio caiu mais de 9% e ficou abaixo dos 8.000 pontos pela primeira vez desde abril de 2003.
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Às 9h32 (em Brasília), a Bolsa de Londres estava em baixa de 7,02% no índice FTSE 100, indo para 3.801,65 pontos; a Bolsa de Paris caía 8,35% no índice CAC 40, indo para 3.034,57 pontos (tendo chegado a perder mais de 9% um pouco mais cedo); a Bolsa de Frankfurt tinha queda de 8,05% no índice DAX, operando com 4.157,69 pontos; a Bolsa de Amsterdã perdia 7,90% no índice AEX General, que estava com 237,43 pontos; a Bolsa de Milão tinha baixa de 8,53% no índice MIBTel, que ia para 269,39 pontos; e a Bolsa de Zurique estava em baixa de 6,55%, com 5.507,92 pontos no índice Swiss Market.
Na Ásia e região, a Bolsa de Tóquio (Japão) afundou mais de 9% e ficou abaixo dos 8.000 pontos pela primeira vez desde abril de 2003. Na Coréia do Sul, a queda foi de 10,57%; em Hong Kong, os negócios retraíram 8,30%; Xangai (China) baixou 1,92%; a Indonésia perdeu 7,25%. Na Austrália, o mercado recuou 2,73%.
| Michael Probst/AP |
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| Pregão na Bolsa de Frankfurt; retração de PIB no Reino Unido pesa sobre o mercado |
O ministro das Finanças britânico, Alistair Darling, afirmou hoje que o Reino Unido conseguirá superar a desaceleração econômica, apesar de admitir que o país enfrenta um "período difícil". "Será um período difícil, mas tenho absoluta confiança em que o superaremos. Queremos ajudar as pessoas a enfrentarem este período, colocando mais dinheiro nos bolsos", declarou o ministro. Ele acrescentou que o Reino Unido deve trabalhar com outros países para assegurar que os esforços que forem sentidos aqui sejam repetidos em outros lugares.
A economia britânica sofreu queda de 0,5% no trimestre passado. Uma recessão se caracteriza, segundo economistas, por dois trimestres consecutivos de PIB (Produto Interno Bruto) negativo. O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, como o presidente do Banco da Inglaterra (BC britânico), Mervyn King, já haviam reconhecido nesta semana que o país ruma para uma recessão.
O Niesr (Instituto Nacional de Pesquisa Econômica e Social, na sigla em inglês) previu nesta semana que a economia do Reino Unido diminuirá 0,9% em 2009 (o que representaria o primeiro ano completo de recessão desde 1991), com uma queda generalizada do consumo e do investimento.
Já o número de desempregados aumentou em 164 mil entre junho e agosto, até alcançar o total de 1,79 milhão, o nível mais alto desde 1999. Esse número equivale a 5,7% da força de trabalho do país. Por outro lado, as vendas no varejo aumentaram em setembro 1,8% em comparação ao mesmo mês de 2007, sua menor taxa anualizada desde fevereiro de 2006, embora a queda mensal de 0,4% seja menor que a esperada pelos analistas.
Além disso, o setor corporativo apresentou resultados desapontadores. A PSA Peugeot-Citroën informou que fará cortes "maciços" de produção para lidar com a forte retração na demanda nos principais mercados europeus. A empresa teve uma queda de 5,2% nas vendas no terceiro trimestre. Além disso, a empresa também prevê um enfraquecimento no desempenho do mercado chinês. As ações da Peugeot caíam 11,2% hoje na Bolsa de Paris. As ações das rivais Renault, Volkswagen e BMW caíam entre 6% e 12%, com a queda nas vendas da alemã Daimler, anunciadas ontem.
A Air France-KLM também assustou os investidores, ao anunciar que será "muito difícil" alcançar a meta de 1 bilhão de euros em lucro operacional estabelecida para este ano. As ações da empresa caíam 7%. Os papéis da rival British Airways caíam 5% e as da Lufthansa caíam 6%.
Rússia
Na Rússia, por volta das 6h30 (em Brasília), os negócios foram suspensos por uma hora depois que o índice Micex caiu 7,5% nas primeiras horas. As negociações com algumas ações já haviam sido suspensas pouco antes, depois que as ações do Sberbank caíram 15% e as da petrolífera estatal Rosneft caíram 10%. Os negócios com as ações do índice RTS, por sua vez, também foram suspensos, depois de uma queda de 7,3% no indicador.
O governo russo injetou US$ 200 bilhões para reduzir os efeitos da crise financeira mundial, que provocou nos mercados financeiros de Moscou prejuízos de cerca de dois terços de seus valores, após ter alcançado recordes máximos em maio.
| Andre Penner/AP |
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| A Bovespa emendou 3º dia de queda, acumulando perdas de 14,3% em três dias |
Ontem, a agência de classificação de risco Standard & Poor's anunciou que considera baixar a nota da dívida soberana a longo prazo da Rússia. A entidade reduziu de "estável" para "negativa" a perspectiva da nota da dívida soberana a longo prazo.
Greenspan
Outro fator que pesou nas Bolsas asiáticas hoje foi a declaração feita ontem pelo ex-presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano) Alan Greenspan, que disse ao Congresso que os Estados Unidos estão no meio de "um tsunami creditício". Ele disse estar "em choque e não poder acreditar" como os bancos e as empresas financeiras não se vigiaram e controlaram a si próprias, que é com o que ele e outros responsáveis de supervisão no governo americano contavam.
O congressista Henry Waxman acusou Greenspan de contribuir para as "práticas irresponsáveis de financiamento" por rejeitar os apelos para que o Fed regulasse a então recém-nascida indústria dos financiamentos imobiliários de alto risco ('subprime'). "A lista de erros regulatórios e erros de avaliação é longa", disse Waxman sobre a superintendência pelo Fed e de outros reguladores federais.
A crise iniciada no ano passado com as hipotecas "subprime" já causou prejuízos bilionários ao setor financeiro, levou bancos e outras empresas financeiras a quebrar ou quase isso e levou governos e bancos centrais do mundo todo a movimentar trilhões de dólares para interromper o terremoto financeiro. A mobilização dos governo atenuou os juros interbancários --o que poderia levar a uma reativação dos mercados de crédito, dando novo estímulo à economia--, mas os mercados ainda não sentem confiança para voltar aos negócios no ritmo pré-crise.
Em Nova York, os mercados tiveram um novo dia de oscilações. O índice DJIA (Dow Jones Industrial Average) subiu 2,02%, enquanto o índice Nasdaq caiu 0,73%. O índice S&P 500 subiu 1,26%.
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), por sua vez, emendou seu terceiro dia de desvalorização, acumulando perdas de 14,3% em apenas três dias. Os investidores continuam muito cautelosos em relação à crise global para retornar às compras e, na dúvida, optam por vender e sair do mercado. O Ibovespa recuou 3,57% no fechamento e desceu para os 33.818 pontos, no menor patamar desde 20 de junho de 2006.
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