Queda de demanda na China faz Vale iniciar cortes e ajustar produção
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
A Vale já iniciou cortes em sua produção em função da crise financeira e espera demanda menor da China, seu principal mercado consumidor externo. Para o presidente da mineradora, Roger Agnelli, o momento da economia mundial sugere que se "limpe a casa", ou seja, que as empresas reduzam operações com custos muito elevados e em mercados onde não há a resposta esperada.
Porém, Agnelli ressaltou que as operações no Brasil não fazem parte desse cenário e que os investimentos da empresa para 2009 estão mantidos. A previsão é que sejam desembolsados US$ 14,2 bilhões.
Foi o caso da mina de níquel em Dalian, no norte da China, que vem utilizando 35% de sua capacidade. Agnelli lembrou que a planta é "muito pequena" e afirmou que a demanda de níquel naquela região para a indústria siderúrgica "praticamente desapareceu". Ele ressaltou que a China tem altos estoques de minério de ferro e níquel, e o setor siderúrgico local vem efetuando cortes na produção, em função da desaceleração da economia local.
"Diria que o efeito maior, sem dúvida nenhuma, é o da China. Houve arranque da economia muito forte para se preparar tudo para as Olimpíadas e foram feitos muito estoques. Simultaneamente, subida de juros no final de 2007 e maior restrição do crédito teve resultado percebido entre julho e setembro, que coincidiu com a crise", comentou Agnelli, que espera crescimento da economia chinesa entre 7% e 9% no ano que vem, ao invés dos 12% esperados anteriormente.
O executivo citou ainda as operações da Vale na Indonésia, que estavam acima da capacidade e utilizava óleo diesel para gerar energia. O combustível será trocado por energia limpa, gerada por usinas hidrelétricas, que é mais barata.
"A gente vai aproveitar esse momento para limpar a casa um pouco. Faremos manutenções, vamos melhorar condições de ferrovias, portos, evidentemente fechar operações que os custos eram mais elevados. Eles só se justificavam em função do esforço que desempenhamos para atender às necessidades dos clientes", afirmou.
Agnelli ressaltou que vê a Vale com condições de sair fortalecida após a crise, já que, na visão do executivo, a mineradora investiu forte em novas plantas de produção, tirou gargalos, fez parcerias com fornecedores para ter equipamentos a custos mais baixos e garantiu financiamento para todos os projetos em andamento.
"Quem se preparou vai sair mais forte, o período que essa crise durar. Temos saúde, fôlego e músculo para passar por essa fase com muita tranqüilidade e voltarmos fortes", completou.
Em relação ao rumos da crise financeira, Agnelli considera que um cenário mais claro só estará evidente dentro de três meses. Segundo ele, não se sabe a extensão da crise e se a economia está no fundo ou no meio do poço. Mesmo com uma retração "exponencial" da China e um cenário turbulento nos Estados Unidos e Europa, o presidente da Vale avaliou que o Brasil está bem melhor por ter condições de crédito superiores, mercado interno forte e os investimentos continuarem acontecendo.
Quanto à decisão sobre projetos futuros a serem iniciados, Agnelli afirmou que possíveis decisões sobre adiamentos em função da retração econômica só serão tomadas no final do ano que vem. "Vamos ter tempo para estudar, mas já temos um plano de vôo traçado. Evidente que a crise preocupa, mas não estamos desesperados", comentou.
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Ah, esqueci, essas pessoas só passam fome porque nao tiveram a 'tenacidade' para vencer na vida....
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Bem, essa forma de analise discordo. O que Obama fez em relação à crise foi a única opção e não devido a possíveis competências.
Isso acontece no Brasil tambem. Dizem que foi Lula que salvou o Brasil da crise, mas o que ele fez foi nada além de manter a inércia da política brasileira e com um pouco de sorte, deu certo de a crise não pegar tão forte.
Só que ao contrário do Brasil, o eleitorado Norte Americano exige mais, ainda mais depois do desastre de Bush.
Um presidente so quebra um país de for um ditador, caso contrário, setores da sociedade ajudam na tomada de decisões e o setor privado segura as pontas (que é o que acontece nos Estados Unidos e tambem no Brasil)
Inclusive hoje, um presidente não "pesa" tanto na condução de uma boa política de governo.
[]s
Eduardo.
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