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Dinheiro
25/10/2008 - 08h59

Uso do BNDES na crise tem limites, dizem especialistas

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ROBERTO MACHADO
da Folha de S.Paulo, no Rio

O anúncio de que o BNDES poderá ajudar as empresas exportadoras que apostaram no dólar fraco por meio de derivativos reforça uma estratégia da equipe econômica: utilizar o banco público de investimento para tentar minimizar os efeitos da crise financeira.

Antes, a ministra Dilma Roussef (Casa Civil) já havia afirmado que o banco promoverá políticas anticíclicas; novas linhas de crédito a exportadores foram anunciadas; e até a participação do BNDES no pacote de ajuda às empresas do setor imobiliário foi cogitada.

Economistas consultados pela Folha afirmam que o papel do BNDES numa conjuntura como a atual é indispensável, mas alertam para alguns problemas. Entre eles, os limites orçamentários da instituição e a ameaça de que o banco retome uma prática do passado -servir como "hospital" para empresários em apuros.

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"O BNDES é muito ativo, em várias frentes, mas há limitações. Seu orçamento já estava ultraestressado com o forte crescimento dos últimos dois anos", diz Luiz Carlos Mendonça de Barros, economista-chefe da Quest Investimentos, ex-ministro das Comunicações e ex-presidente do BNDES.

Ele observa que, por causa dos limites orçamentários, o banco agiu de forma "inusitada" há cerca de dois meses: "Foram ao mercado tomar dinheiro no interbancário, coisa que o banco nunca fez. Mas houve certa gritaria e recuaram".

Ao concorrer com os bancos privados nos mesmos canais de obtenção de crédito, o BNDES acabaria "encarecendo" o dinheiro para as outras instituições financeiras.

Para o economista, os outros bancos públicos, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, também terão "munição limitada" na tarefa de prover liquidez e crédito: "Há limites de toda a ordem para a tarefa de substituir os bancos privados".

A hipótese "hospital" -em que o socorro a empresas circunstancialmente afetadas pela crise se transforme em prática corriqueira- é a que mais assusta o economista Eduardo Giannetti da Fonseca, do Ibmec-SP: "O perigo é voltar a ser um pronto-socorro para empresários em dificuldade".

Ele considera legítimo que o governo utilize seu arsenal para combater a crise, mas diz estranhar algumas medidas. "Na construção civil, é natural que haja intervenção para evitar que projetos em andamento sejam paralisados. Mas não faz sentido que o governo se torne sócio das empresas", afirma.

O economista Fernando Holanda Barbosa, da Fundação Getulio Vargas, defende as medidas anunciadas até aqui: "São transitórias e levam em conta um pragmatismo necessário".

Também professora da FGV, a economista Eliana Cardoso diz que ainda é cedo para verificar a eficácia das medidas. "É uma crise diferente. As políticas utilizadas nas últimas décadas não deram resultado. E lá fora os bancos centrais não estão poupando munição", disse.

 

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