Europa e Ásia prometem trabalho conjunto para combater crise
da Folha Online
Líderes europeus e asiáticos prometeram neste sábado, ao fim de um encontro de dois dias na capital chinesa, Pequim, agir em conjunto para buscar soluções para a crise financeira mundial. O compromisso de ambas as partes é de cooperar por uma "reforma global e efetiva dos sistemas financeiro e monetário internacional".
"A Europa e a Ásia vieram a Pequim durante a crise mundial, e realmente, estamos em um momento em que precisamos de um trabalho de equipe global", disse o presidente da Comunidade Européia, José Manual Barroso, ao final da Asem (encontro de cúpula entre Ásia e Europa). "Ou ficamos juntos ou adoeceremos juntos".
Os líderes também expressaram seu apoio à realização, no dia 15 de novembro, em Washington, de uma cúpula internacional extraordinária para abordar tanto a atual crise quanto os princípios dessa reforma e da estabilidade a longo prazo da economia mundial.
Na entrevista coletiva de encerramento, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, cujo país ocupa a Presidência rotativa da União Européia (UE), disse que a cúpula em Washington "tomará decisões concretas". "Todos compreenderam que não é possível que nos reunamos somente para falar", disse.
A China e os outros países asiáticos convidados para a reunião em Washington --Japão, Coréia do Sul, Índia e Indonésia-- confirmaram participação.
O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, anunciou que seu país tomará parte "de maneira ativa" nos trabalhos da reunião. "Discutiremos com os líderes mundiais sobre as medidas destinadas a enfrentar a crise financeira de uma forma pragmática e cooperativa", disse.
Wen não deixou claro se será ele ou o presidente chinês, Hu Jintao, quem irá à reunião na capital americana. Segundo Wen, as medidas adotadas pelos países desenvolvidos para restabelecer a confiança foram adequadas, "mas não suficientes".
Cúpula
A cúpula de Washington acontecerá entre os países do G20, formado pelo G8 (grupos dos sete países mais industrializados mais a Rússia), pela UE e pelos principais países emergentes: Brasil, Argentina, Austrália, China, Índia, Indonésia, México, Arábia Saudita, África do Sul, Coréia do Sul e Turquia.
Os europeus incluem na agenda da reforma questões como a necessidade de uma supervisão global dos mercados financeiros, a revisão do papel do FMI (Fundo Monetário Internacional), a regulação dos créditos de alto risco e produtos derivados, e a remuneração dos altos executivos.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, também falou sobre se o G20 discutirá as taxas de câmbio entre as moedas. "Parece impossível falar das questões fiscais e da crise financeira e não falar das moedas, da maneira em que umas evoluem a respeito das outras." Ele destacou que o assunto é mais oportuno ainda no momento em que o iene japonês acaba de valorizar "11% em poucas horas".
Neste sábado, o presidente dos EUA, George W. Bush, começou a esboçar a agenda do encontro econômico destinado a superar a crise financeira e defendeu que seus participantes devem "voltar a se comprometer" com a livre-iniciativa e com o livre-mercado.
Essas reuniões acontecem no momento em que, após o pânico vivido nos mercados, grandes empresas, instituições financeiras e vários países estão à beira do caos.
Segundo a imprensa americana, Brasil, Argentina, México, África do Sul, Turquia, Sérvia e Coréia do Sul podem se ver obrigados a pedir ajuda do FMI. Paquistão, Ucrânia, Bielorússia e Hungria já estão conversando com o fundo, que disponibilizou cerca de US$ 200 bilhões, que poderão ser atribuídos com "menos condições" do que no passado.
Desenvolvimento sustentável
Os líderes europeus e asiáticos também expressaram, em Pequim, em declaração separada, seu compromisso comum com o desenvolvimento sustentável. Ambas as partes reafirmaram a necessidade de um objetivo global a longo prazo para a redução de emissões de gases poluentes na atmosfera, algo a que os europeus já se comprometeram unilateralmente.
No entanto, a declaração comum afirma que esse objetivo de redução deverá levar em conta o princípio da "responsabilidade comum, mas diferenciada", as capacidades respectivas de cada parte, assim como "as condições econômicas e sociais, e outros fatores relevantes".
O encontro reuniu os líderes de 43 países europeus e asiáticos, junto com os líderes da Comissão Européia e Asean, um grupo de nações do sudeste asiático.
Nesta sexta-feira, os líderes também pediram que o FMI desempenhe um papel maior para ajudar os países como Islândia e Paquistão, que estão enfrentando problemas graves com a atual crise. Ontem, o FMI anunciou que concederá um crédito de US$ 2,1 bilhões à Islândia, cujo sistema financeiro entrou em colapso.
Com agências internacionais
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