Empresários dizem que governo ajudou bancos, mas esqueceu indústria
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
O empresário Jorge Gerdau Johannpeter disse nesta terça-feira que o governo está demorando para fazer com que dinheiro liberado para os bancos chegue às empresas. Segundo ele, é importante ajudar o sistema financeiro, mas a produção e o consumo também precisam ser "irrigados".
"Se demorar muito esse processo do dinheiro chegar na base da produção, cria-se uma psicologia de crise. Na pequena empresa, esse problema é muito delicado", afirmou durante evento realizado hoje pela CNI (Confederação Nacional da Indústria).
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O empresário se referia ao fato de os bancos estarem segurando o crédito mesmo após o Banco Central ter anunciado a liberação de cerca de R$ 100 bilhões dos compulsórios, o dinheiro dos correntistas que os bancos são obrigados a manter parado no BC.
Gerdau disse também que há atraso nos investimentos públicos em infra-estrutura e que o governo precisa reduzir custos para garantir que a economia continue crescendo nesse momento de crise.
"Querendo ou não, mesmo com as mudanças que houve com o PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], nós estamos com os investimentos públicos em infra-estrutura tremendamente atrasados. O governo tem de dar o sinal para acelerar os investimentos", afirmou. "Tem de ter coragem de se fazer cortes para que se faça investimentos."
O presidente da CNI, Armando Monteiro Neto, por sua vez, afirmou que "o Brasil precisa, nesse momento de crise financeira internacional, evitar os retrocessos institucionais e renovar os valores pétreos de confiança na economia de mercado.""O nosso potencial de crescimento econômico será ainda mais impactado caso haja ambigüidades em relação ao papel da livre iniciativa", disse.
O economista Carlos Langoni, que também participou do evento da CNI, disse que o governo se preparou apenas parcialmente para enfrentar a crise, pois não foram feitas reformas que permitam aumentar os investimentos estatais para que o país cresça mais no próximo ano.
"Nós construímos um colchão de reservas internacionais, mas não construímos um colchão fiscal. O governo não tem recursos fiscais para evitar uma desaceleração da economia no Brasil."
Empréstimo aos bancos
O presidente da CNI também afirmou que o governo está priorizando os bancos ao invés do setor industrial. "Você libera os compulsórios, mas decisão de emprestar é dos bancos", afirmou.
Ele defendeu o aumento no prazo de recolhimento de impostos para aliviar o caixa das médias e pequenas empresas, medida que está em estudo no governo, segundo o ministro Guido Mantega (Fazenda).
"Você pode injetar mais recursos na economia dando mais prazo para as empresas recolherem impostos. As condições de liquidez exigem uma decisão imediata", afirmou.
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