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Dinheiro
29/10/2008 - 09h35

Casas Bahia suspendem compras de fornecedores para não elevar preços

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da Folha Online

Mesmo ainda não tendo sentido os efeitos da crise, a rede de eletrodomésticos Casas Bahia, maior do país, deve suspender as compras dos fornecedores que estiverem reajustando os preços em razão da alta do dólar. A medida pretende evitar que a empresa seja surpreendida mais à frente, segundo a coluna "Mercado Aberto", de Guliherme Barros, publicada na Folha desta quarta-feira (íntegra disponível apenas para assinantes do jornal e do UOL).

Segundo Michael Klein, diretor-executivo das Casas Bahia, nos últimos dias, vários fornecedores começaram a subir os preços de seus produtos usando o argumento da alta do dólar. Os reajustes vão de 10% a 30%, dependendo do peso do componente importado. Ele "sabe que a elevação dos preços afeta diretamente o poder aquisitivo da população", diz o texto. "É esse efeito que ele quer evitar ao rejeitar os aumentos de preços da indústria."

Na semana passada, a FGV (Fundação Getulio Vargas) informou que o ICC (Índice de Confiança do Consumidor) teve queda de 10% neste mês, chegando ao menor nível desde junho de 2006.

"O ICC continua a sofrer influência da volatilidade vista na percepção do consumidor em relação à situação econômica em cada cidade", informou a FGV em um comunicado. Segundo a sondagem, a parcela dos que avaliam a situação econômica local como boa caiu de 16,9% no mês passado para 10,1% neste mês e a proporção dos que a avaliam como ruim aumentou de 34,2% para 48,2%.

Também pioraram as expectativas em relação aos próximos seis meses: a parcela dos que esperam melhora da situação econômica local diminuiu de 31,3% para 23,1%. A dos que projetam piora aumentou de 13,1% para 30,6%.

O coordenador de Análises Econômicas da FGV, Aloísio Campelo, lembrou, no entanto, que os consumidores revelaram-se com mais disposição para comprar. De setembro para outubro, o percentual de pessoas que pretendem aumentar os gastos com a aquisição de bens duráveis (veículos, eletrodomésticos, móveis e outros) subiu de 13,5% para 17,2%. Já o total dos que esperam reduzir as compras variou de 34% para 32,1%.

Ele considerou natural o consumidor ampliar a intenção de compra, mesmo diante da crise. "O ímpeto de comprar sempre cresce com força em outubro. Mas acontece que desde maio o indicador está num nível muito baixo, bem menor do que no ano passado. O que acorreu em outubro foi só um pequeno ajuste."

 

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