Dinheiro
29/10/2008 - 16h18

Federal Reserve reduz juros para 1%, após corte emergencial neste mês

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VINICIUS ALBUQUERQUE
da Folha Online

O Federal Reserve (Fed, o BC americano) decidiu nesta quarta-feira reduzir sua taxa de juros para 1% ao ano, nível visto pela última vez em maio de 2004. O banco já havia reduzido no último dia 8 de 2% para 1,5%, em uma medida emergencial, em coordenação com outros BCs, para conter o avanço da crise financeira.

Veja a nota do Fed sobre o corte dos juros para 1%

Todos os dez membros do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês) do Fed votaram a favor deste corte. Na reunião também foi decidida a redução em 0,5 ponto percentual a taxa de redesconto (empréstimo de emergência de bancos), que agora é de 1,25% ao ano.

Um dia antes da medida emergencial, o presidente do banco, Ben Bernanke, havia dito durante o encontro anual da Nabe (National Association for Business Economics), entidade norte-americana que reúne economistas dos setores público, privado e acadêmico, que o cenário econômico do país piorou e que os problemas podem se prolongar.

Com esse cenário, Bernanke disse que o Fed teria de avaliar se a política de manutenção da taxa de juros continuaria "apropriada". O banco reduziu a taxa para 2% em abril e manteve-a nesse patamar em junho, agosto e setembro.

Arte Folha Online/Federal Reserve
Juros nos EUA
Juros nos EUA

"A combinação dos dados econômicos recentes e dos desenvolvimentos financeiros sugerem que a perspectiva para a expansão econômico piorou e os riscos de baixa para o crescimento aumentaram", disse Bernanke, à época. "Ao mesmo tempo, o cenário para a inflação teve alguma melhora, embora ainda permaneça incerto. À luz desses desenvolvimentos, o Federal reserve terá de considerar se a atual política de juros continua apropriada."

Quando o Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês, equivalente ao Copom no Brasil) se reuniu em setembro, o banco de investimento Lehman Brothers já havia quebrado. O banco não conseguiu obter financiamento para suas operações junto a outras instituições privadas nem com o governo.

A quebra do Lehman pôs em movimento o que já foi chamado de segundo ciclo da crise financeira iniciada em agosto do ano passado, com a inadimplência no segmento "subprime" (de maior risco) do mercado americano de hipotecas. Desde então, quebrou também o banco Washington Mutual, do segmento de empréstimos e poupança ("savings & loans") no que foi considerada a maior quebra de um banco nos EUA.

Outro elemento que entrou em cena antes da reunião oficial do Fed hoje foi o pacote de US$ 700 bilhões, preparado pelo secretário do Tesouro, Henry Paulson. O pacote tinha o objetivo de comprar papéis considerados "podres" (com baixíssima possibilidade de resgate, conseqüentemente com alto risco de calote), mas o Tesouro já se lançou para a compra de ações de bancos como Citigroup, JPMorgan Chase, Bank of America e Wells Fargo. O valor da ajuda aos bancos é de US$ 250 bilhões, saídos dos recursos aprovados no pacote.

Além disso, o diário americano "The Wall Street Journal" ("WSJ") informou no último dia 25 que o Tesouro considera utilizar parte dos US$ 700 bilhões para comprar ações de seguradoras. Segundo a reportagem, gigantes do setor de seguradoras como MetLife, Prudential Financial e New York Life Insurance estariam interessadas na possibilidade de vender papéis ao governo.

O governo já ajudou uma seguradora, a AIG, atingida pela crise financeira e que quase quebrou. Nesta semana, o diário americano "Washington Post" informou que a AIG já utilizou US$ 72 bilhões do resgate original de US$ 85 bilhões concedido pelo Fed, além de US$ 18 bilhões dos US$ 38 bilhões adicionais para a realização de operações de crédito.

No último dia 15, o Fed divulgou o "Livro Bege" (documento com dados econômicos coletados nas 12 divisões regionais do Fed), no qual informou que quase todos os distritos que apresentaram comentários sobre o setor de serviços "apontaram para uma redução da atividade". O setor de serviços tem sido o motor da atividade econômica do país há vários anos anos. O documento mostrou que os gastos dos consumidores (responsáveis por mais de dois terços do PIB do país) caíram no mês passado na maioria dos distritos, tanto no comércio quanto nas vendas de veículos e no turismo.

Crédito

Os distritos do Fed relataram também que o crédito foi restrito em setembro, e que os bancos endureceram seus critérios para a concessão de empréstimos. As pressões de inflação diminuíram um pouco, mas as condições no mercado de trabalho pioraram.

Escassez de crédito é o efeito da desconfiança generalizada que se instalou entre os bancos não só nos EUA, mas no mundo todo. As hipotecas de risco mostraram-se um lastro muito frágil para a variedade de papéis e derivativos que circulavam no mercado financeiro; o banco francês BNP Paribas, por fim, resolver ver as cartas do mercado financeiro --ou seja, resolveu suspender os resgates em alguns de seus fundos.

Isso enviou uma onda de desconfiança que causou prejuízos bilionários. O Fed respondeu com cortes de juros que levaram dos 5,25% em que a taxa estava até a reunião de setembro do ano passado para o 1% em que caiu hoje.

A taxa chegou a 1% quando o comando do banco estava a cargo de Alan Greenspan. Ele reduziu a taxa para esse patamar em junho de 2003 e a manteve aí por mais de um ano. Nesse período, a economia americana, que vinha de uma recessão causada tanto pelo estouro da bolha das empresas "pontocom" como pelos ataques do 11 de Setembro e os escândalos contábeis da Enron e da Worldcom, começou a reagir.

Esses juros baixos levaram a uma explosão de consumo e de financiamentos para compra da casa própria no país, abrindo caminho para critérios menos rigorosos para o fechamento de contratos de hipoteca. Era a raiz do atual problema que estava surgindo.

Na semana passada, Greenspan foi ao Congresso para falar sobre o papel das agências de controle financeiro e econômico do governo; ele disse que a crise atual o deixou "em um estado de estupor". Ele disse que as empresas e mercados financeiros "deveriam ser muito mais regulados, para impedir um tsunami financeiro como o que não vimos em um século".

O ex-presidente do Fed disse ainda que "está em choque e não pode acreditar" como os bancos e as empresas financeiras não se vigiaram e controlaram a si próprias, que é com o que ele e outros responsáveis de supervisão no governo americano contavam.

Sinais

Os sinais de fraqueza econômica, por sua vez, não param de surgir. Ontem, o instituto privado de pesquisa Conference Board informou que o índice de confiança do consumidor caiu para 38 pontos neste mês, o menor em 41 anos. A Universidade de Michigan já tinha apontado queda recorde da confiança do consumidor: o índice apurado pela instituição caiu para 57,5 pontos na leitura preliminar de outubro, ante taxa de 70,3 pontos registrada em setembro.

O mercado de trabalho americano, por sua vez, não encerrou nenhum mês deste ano ainda com criação de empregos. Em setembro, a economia americana eliminou 159 mil vagas. A taxa de desemprego, por sua vez, ficou em 6,1%, mesma de agosto. O mercado imobiliário, por sua vez, apresentou um novo dado negativo ontem: o índice S&P/Case-Shiller, um dos de maior peso no país, mostrou uma queda de 16,6% em agosto nos preços dos imóveis residenciais, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, nas 20 principais regiões metropolitanas do país. Trata-se do maior recuo anualizado que o índice, criado em 2000, já teve.

O secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, disse as ações do governo pára ajudar os bancos estabilizarão o sistema financeiro, mas advertiu que continuarão as dificuldades econômicas. "Não há dúvida de que a forma de obter o maior impacto do dinheiro dos contribuintes aqui era investir nos bancos", disse.

Estímulo

Na semana passada, Bernanke sugeriu que seria apropriado que o Congresso considerasse um novo plano de estímulo à economia. No dia 8, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, também sugeriu que os EUA precisam de um novo pacote de estímulo à economia, de US$ 150 bilhões --aos moldes do que foi aprovado em fevereiro deste ano, de US$ 168 bilhões.

O pacote de US$ 168 bilhões ajudou a fazer a economia americana andar: o dinheiro extra favoreceu os gastos dos consumidores entre abril e julho, o que se refletiu nos dados do PIB (Produto Interno Bruto). No segundo trimestre, a economia cresceu 2,8% (ligeiramente menor que os 3,3% em um cálculo prévio). Analistas dizem, no entanto, que, sem o benefício do dinheiro extra, nos próximos trimestres o desempenho econômico americano deverá ser inferior.

Comentários dos leitores
Cassio Tavares (532) 07/11/2009 22h14
Cassio Tavares (532) 07/11/2009 22h14
Marcos Hundsdofer, me desculpe se escrevi seu nome errado por ser um nome não muito comum a nós brasileiros. Mas o assunto é outro. Voce diz que a educação é fundamental para o desenvolvimento do país, qualquer que ele seja. Concordo plenamente. Acontece que o Brasil foi governado por 8 anos por um senhor que disse assim : ESQUEÇAM DE TUDO QUE ESCREVI. E aí. Um cidadão que fez curso superior, sabe falar, ingles, frances, polones, noruegues, chines, japones, paquistanes, mas não sabe portugues. É que ele fez uma confusão tão grande que no fim não sabia nem portugues. Como podemos ter uma educação de qualidade se o mais alto mandatário diz que é para botar fogo em tudo que escreveu e que vai um dia ( que Deus o tenha, apezar de ateu ) morre de uma doença rara : dor de cotovelo ou a conhecida, inveja.
E como tratar bem os aposentados se ele disse assim :
ESSES APOSENTADOS SÃO TODOS UNS VAGABUNDOS. Não tentem consertar o que ele disse porque senão a emenda vai ficar pior que o soneto.
sem opinião
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Cassio Tavares (532) 07/11/2009 20h03
Cassio Tavares (532) 07/11/2009 20h03
Antonio Gonçalves, obrigado seus elogios até porque aqui eu só divulgo dados e verdades irrefutáveis tomando por base aqueles já publicados pelo próprio governo anterior. Verdades são verdades e continuaram sendo verdades quer queiram ou não os que aqui me criticam. Para mim não faz a menor diferença. Se quizerem botar aí 100 vezes uma 1 estrelinha para mim, não estou nem aí. Eu admiro muito o Presidente Lula e tenho motivos de sobra para isso, até porque não votei nele nas eleições de 2.002 mas com muito orgulho coloquei meu no atual presidente em 2.006. pena que ele não pode se candidatar novamente em 2.010 até porque ele é um democrata que disse por várias vezes que para ele não existia essa hipótese, ao contrário do tão badalado presidente da Colombia Alvaro Uribe, que " arrancou " um 3° mandato no congresso daquele país, que só ele, e os " mui democratas " de lá sabem como. O curioso é que a Colombia é o maior produtor e exportador de cocaina do mundo. Será que há alguma ligação entre esses 2 fatos ? 2 opiniões
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celso assis (60) 07/11/2009 15h32
celso assis (60) 07/11/2009 15h32
COMO EU JÁ ESCREVI, ERROS AO DIGITAR É UMA COISA, AGORA ESCREVER TOTALMENTE ERRADO É INADIMISSIVEL.
VOLTEM PARA O CURSO BÁSICO SRS, ANTES DE TENTAREM CRITICAREM OU ELOGIAREM ALGUEM, E TB TENTEM FICAR CALMINHOS, POIS VCS SABEM QUE SUAS BOQUINHAS ESTÃO PARA TERMINAR
2 opiniões
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