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Dinheiro
29/10/2008 - 20h00

BC interrompe aumento de juros e mantém Selic em 13,75% ao ano

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EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília

Atualizada às 21h13

Os efeitos da crise internacional de crédito no Brasil levaram o Copom (Comitê de Política Econômica do Banco Central) a manter a taxa básica de juros inalterada em 13,75% ao ano.

"Avaliando o cenários prospectivo e o balanço de riscos para a inflação, em ambiente de maior incerteza, o Copom decidiu por unanimidade, neste momento, manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, sem viés", afirmou o comitê em nota após a reunião.

A indústria se dividiu entre elogios e críticas. "No quadro em que se encontra a economia, medida não favorece o país", afirmou a Fiesp. Em nota, a Abdib (Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústrias de Base) afirmou que a decisão foi "coerente e responsável". A (Confederação Nacional da Indústria), por sua vez, classificou como uma "atitude sensata".

Já a Força Sindical chamou de "insensatez" do Banco Central a manutenção. Entidades representativas do comércio do Rio e de São Paulo afirmam entender a posição cautelosa, mas pedem redução para breve.

Arte Folha Online

A maior parte dos economistas do mercado financeiro já apostava em uma "parada técnica" na alta dos juros para "avaliar a situação". Outros ainda esperavam um aumento de 0,25 ponto percentual, menor que alta anunciada na última reunião do Copom, quando os juros haviam subido 0,50 ponto percentual.

A taxa Selic vinha subindo desde abril. Desde então, foram quatro altas seguidas que elevaram os juros de 11,25% ao ano para o patamar atual.

Na pesquisa semanal feita pelo BC com o mercado financeiro, os economistas previam uma alta dos juros para 14% ao ano hoje e outra alta para 14,25% ao ano em dezembro (o Copom se reúne a cada 45 dias aproximadamente). Os bancos com maior número de acertos na pesquisa, no entanto, prevêem que a Selic vá ficar inalterada pelo menos pelos próximos 12 meses.

BC dividido

Na reunião do mês passado, no dia 10 de setembro, o BC havia se mostrado dividido, cenário que mudou hoje. Parte da diretoria acreditava que era hora de suspender o aumento dos juros e esperar para ver se a crise não iria afetar o crescimento e o crédito no país. A maioria do BC decidiu, no entanto, que era preciso manter o aperto nos juros, de olho na inflação.

Quatro dias depois da decisão do BC brasileiro, teve início o pior momento da crise internacional de crédito. No dia 15 de setembro, o Lehman Brothers, um dos maiores bancos dos EUA, pediu concordata.

Pouco depois, a crise desembarcava no Brasil. Na mesma semana, o dólar disparou e o BC iniciou uma série de leilões de contratos de câmbio e dólares para acalmar o mercado financeiro. Uma semana depois, já havia relatos de pequenos bancos e empresas exportadoras sem crédito, o que obrigou o BC a injetar dinheiro na economia por meio da liberação dos depósitos compulsórios.

O compulsório (parte do dinheiro dos correntistas que os bancos são obrigados a manter depositado no BC) é uma das ferramentas, junto com a taxa básica de juros, que o BC usa para controlar a quantidade de dinheiro na economia, e assim influenciar o nível de crédito e a inflação.

Posição difícil

Diante do novo cenário, os economistas já começaram a avaliar que não faria sentido aumentar o dinheiro disponível para crédito por meio da liberação dos compulsórios e, na outra ponta, aumentar os juros para conter o consumo.

Outra mudança de cenário que deixou o BC em uma posição difícil para justificar um novo aumento dos juros é a decisão dos bancos centrais internacionais de intensificar o processo de redução da taxa básica nos países desenvolvidos.

A questão do dólar é outro complicador desse cenário. Uma alta dos juros, em tese, serve também para atrair mais dólares para o Brasil e segurar as cotações. Ao segurar a alta da moeda norte-americana, o BC combate também a inflação e ajuda a evitar um repasse dos preços dos importados para economia.

Os motivos para a decisão do Copom serão conhecidos na quinta-feira da próxima semana, quando será divulgada a ata da reunião realizada hoje.

Comentários dos leitores
João Carlos Gagliardi (302) 18/12/2008 10h33
João Carlos Gagliardi (302) 18/12/2008 10h33
Brasileiro no passaporte, pelo menos do ponto de vista de algumas pessoas deste nosso eficiente (des)governo, deveria ter um carimbo de "idiota" em algum lugar...
O mundo todo, e não é exagêro ou força da retórica não. É real. Todos os países reduziram a taxa de juros para enfrentar a crise, aqui não....
Pelo contrário, no primeiro momento até aumentaram, e agora "não se sentem seguros para reduzí-la".
Ah! A culpa é do Banco Central que tem autonomia, eles é que não deixam...
Tenham vergonha na cara!!!
O Henrique Meirelles, não coça nem....a cabeça...sem o lula autorizar!
Lembram daquele ditado:
"É POSSÍVEL ENGANAR UMA PESSOA POR MUITO TEMPO. MAS É IMPOSSÍVEL ENGANAR TODAS AS PESSOAS POR TODO O TEMPO."
Pois é, esse tempo já passou...
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ANIBAL FAGUNDES (5) 11/12/2008 19h47
ANIBAL FAGUNDES (5) 11/12/2008 19h47
para o pessoal do B.C. ainda não caiu a ficha de que o pais necessita de um super choque de queda de juros, não adianta o governo ficar todo dia anunciando medidas que tem resultados pifios no conjunto da economia se os brasileiros são todos refens do banqueiros e do B.C. 1 opinião
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OLHO VIVO (35) 11/12/2008 17h34
OLHO VIVO (35) 11/12/2008 17h34
Pensei que os diretores do BC tivessem um nível muito acima da média, porém já entendi o raciocínio deles: Quando a economia tá crescendo, sobe-se o juro por medo da inflação, quando a economia está caindo, não se reduz com medo que ela possa voltar a crescer. Quando a economia foi para o brejo, aí sim, existe a certeza e pode-se em então começar a reduzir a taxa de juros. Assim até minha sogra de mais de 80 anos saberia decidir o que fazer com a taxa de juros. Creio que todos os leitores desse comentario também saberiam decidir.
O duro é que ele ganham uma nota preta para ser fazerem de entendidos e fazer cara de preocupados diante da televisão. Até quando Lula, até quando...
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