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Dinheiro
29/10/2008 - 20h38

Indústria se divide sobre manutenção dos juros pelo BC

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da Folha Online

A indústria do país se dividiu entre elogios e críticas à manutenção, pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), da taxa básica de juros em 13,75% ao ano.

"No quadro em que se encontra a economia, medida não favorece o país", afirmou a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) por meio de nota. Já para a Abdib (Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústrias de Base), a decisão foi "coerente e responsável". O presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Armando Monteiro Neto, classificou como uma "atitude sensata".

"O cenário econômico interno e externo mudou bruscamente nas últimas semanas, exigindo outras ações de política econômica, diferentes daquelas que vinham sendo adotadas até então. Atualmente, tão importante quando manter a inflação sob controle é agir para manter níveis razoáveis de crescimento econômico neste e no próximo ano --o que não significa atentar para um e descuidar do outro", afirma a Abdib em nota. "Há reconhecimento de que as políticas adotadas pelo Banco Central têm surtido efeito muito positivo na estabilização do câmbio."

"O mundo se desdobra na intenção de restabelecer níveis adequados da atividade econômica. Evita-se, a todo o custo, a recessão. Para isso, o bom funcionamento do sistema de crédito é ação fundamental e a redução de juros é medida auxiliar", diz por sua vez a Fiesp, que afirma que a decisão de hoje contradiz as ações do BC para liberar mais crédito no mercado.

A Fiesp cita o Federal Reserve (Fed, o BC americano), que em reunião também hoje decidiu reduzir sua taxa de juros de 1,5% para 1% ao ano, nível visto pela última vez em maio de 2004.

"A crise financeira mundial já se encarregou de reprimir a inflação de demanda. Assim, não são necessários juros altos para racionalizar o consumo por parte dos brasileiros", observou por sua vez Alfried Plöger, presidente da Abigraf (Associação Brasileira da Indústria Gráfica) e vice-presidente da Abrasca (Associação Brasileira das Companhias Abertas).

"Os demais bancos centrais do mundo estão indicando possibilidade de redução de taxa de juros, excluindo apenas os países em dificuldades financeiras, o que decididamente não é o caso do Brasil", afirma a Fiesp.

"Em razão da crise internacional, a escassez e o encarecimento do crédito, bem como a conseqüente redução da atividade econômica chegaram por outra via. Isto é, o medo de risco dos agentes produziu redução e encarecimento do crédito, muito maiores que o pretendido pelo Copom no processo de aumento de Selic", continua a Fiesp.

CNI

A CNI alertou desde o início da crise internacional para a necessidade de se preservar as condições de liquidez e de acesso das empresas ao crédito. "Reduzir os compulsórios, liberar recursos para o sistema interbancário e interromper o ciclo de alta dos juros são ações corretas que buscam diminuir os impactos do empoçamento de liquidez", avaliou Monteiro Neto. "Mas essas medidas podem não ser suficientes", alertou.

Na opinião do presidente da CNI, é relevante a adoção de medidas adicionais, como a ampliação, em caráter excepcional, do prazo de recolhimento de tributos (mencionada pelo governo ontem), o que trará forte impacto sobre as necessidades de capital de giro das empresas. "Essa medida tem como vantagem a horizontalidade, por atingir todos os agentes, e não exige a intermediação como no caso da liberação de compulsórios", afirmou Monteiro Neto.

Comentários dos leitores
João Carlos Gagliardi (302) 18/12/2008 10h33
João Carlos Gagliardi (302) 18/12/2008 10h33
Brasileiro no passaporte, pelo menos do ponto de vista de algumas pessoas deste nosso eficiente (des)governo, deveria ter um carimbo de "idiota" em algum lugar...
O mundo todo, e não é exagêro ou força da retórica não. É real. Todos os países reduziram a taxa de juros para enfrentar a crise, aqui não....
Pelo contrário, no primeiro momento até aumentaram, e agora "não se sentem seguros para reduzí-la".
Ah! A culpa é do Banco Central que tem autonomia, eles é que não deixam...
Tenham vergonha na cara!!!
O Henrique Meirelles, não coça nem....a cabeça...sem o lula autorizar!
Lembram daquele ditado:
"É POSSÍVEL ENGANAR UMA PESSOA POR MUITO TEMPO. MAS É IMPOSSÍVEL ENGANAR TODAS AS PESSOAS POR TODO O TEMPO."
Pois é, esse tempo já passou...
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ANIBAL FAGUNDES (5) 11/12/2008 19h47
ANIBAL FAGUNDES (5) 11/12/2008 19h47
para o pessoal do B.C. ainda não caiu a ficha de que o pais necessita de um super choque de queda de juros, não adianta o governo ficar todo dia anunciando medidas que tem resultados pifios no conjunto da economia se os brasileiros são todos refens do banqueiros e do B.C. 1 opinião
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OLHO VIVO (35) 11/12/2008 17h34
OLHO VIVO (35) 11/12/2008 17h34
Pensei que os diretores do BC tivessem um nível muito acima da média, porém já entendi o raciocínio deles: Quando a economia tá crescendo, sobe-se o juro por medo da inflação, quando a economia está caindo, não se reduz com medo que ela possa voltar a crescer. Quando a economia foi para o brejo, aí sim, existe a certeza e pode-se em então começar a reduzir a taxa de juros. Assim até minha sogra de mais de 80 anos saberia decidir o que fazer com a taxa de juros. Creio que todos os leitores desse comentario também saberiam decidir.
O duro é que ele ganham uma nota preta para ser fazerem de entendidos e fazer cara de preocupados diante da televisão. Até quando Lula, até quando...
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