Dinheiro
29/10/2008 - 20h58

Acordo com BC dos EUA pode aumentar reservas do Brasil em até US$ 30 bi

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EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília

O Brasil terá um reforço de até US$ 30 bilhões nas reservas internacionais por meio do acordo de troca de reais por dólares fechado hoje com o Fed (Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos).

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Pelo acordo, o Brasil se tornou parte de uma lista de países cujo banco central terá acesso a uma linha de dólares para ajudar no combate à crise internacional. A linha é válida até 30 de abril de 2009.

O BC do Brasil poderá usar essa linha, caso seja necessário, em várias parcelas. Na transação, o Fed transfere os dólares para o Brasil, que vão entrar nas reservas internacionais. Em troca, o BC fará um depósito em reais para o Fed.

A operação não terá custo para o Brasil. Além disso, a devolução dos dólares será feita pela mesma taxa de câmbio da operação de compra. Ou seja, não haverá variação cambial.

Hoje, as reservas do Brasil estão em US$ 203 bilhões. Parte desse dinheiro vem sendo utilizado para que o BC possa acalmar o mercado de câmbio, devido à falta de dólares desde o agravamento da crise internacional de crédito.

Mecanismos de defesa

O presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles, disse hoje que o acordo de troca de reais por dólares vai aumentar "os mecanismos de defesa" do Brasil contra a crise econômica.

"Esse acordo faz parte da estratégia do BC no combate aos efeitos da turbulência financeira internacional sobre a economia brasileira. Ele é fruto de um processo coordenado entre alguns bancos centrais", disse Meirelles.

"Existe um significado muito importante nesse acordo que é a inclusão do Brasil, formal, entre as economias que são sistemicamente importantes no mundo."

Palavra dos EUA

O Fed, por sua vez, indicou que a disponibilização da linha de crédito "é uma resposta às grandes preocupações com a crise financeira global, que se expandiu para as economias emergentes de mercado".

"Estas linhas de crédito, da mesma forma que aquelas estabelecidas com outros bancos centrais, têm como objetivo aumentar as condições de liquidez nos mercados financeiros mundiais e mitigar a ampliação das dificuldades para comprar em dólar americano, financiando economias fundamentalmente saudáveis e bem administradas", diz o Fed em comunicado.

Rede global

O anúncio de hoje inclui também o BC de Cingapura, o Banco da Coréia e o Banco do México, em montantes e prazos iguais.

O BC informou que "estes bancos centrais, de economias emergentes com políticas econômicas responsáveis e importância sistêmica", vão se juntar a uma rede global de "swaps" de moedas.

Já fazem parte dessa rede os BCs da Austrália, Canadá, zona do euro, Dinamarca, Inglaterra, Noruega, Nova Zelândia, Suécia, Suíça e o próprio Fed.

 

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