Dinheiro
29/10/2008 - 21h09

Comércio diz que Copom foi cauteloso, mas defende redução dos juros

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da Folha Online

Entidades representativas do comércio do Rio e de São Paulo divulgaram notas em que afirmam entender a posição cautelosa do Copom (Comitê de Política Monetária) em manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. Todos são unânimes, no entanto, ao defender que as próximas reuniões resultem em redução dos juros.

Entenda como a taxa básica de juros influencia a economia

Para o presidente da Fecomercio-SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), Abram Szajman, o Copom "considerou como correta a decisão do Copom em manter a Selic inalterada", mas ressaltou que espera que o comitê inicie um processo de redução da taxa básica.

"Enquanto o mundo inteiro se preocupava com o ritmo da economia e a Europa, o Japão e os Estados Unidos reduziam consistentemente suas taxas de juros, o Banco Central do Brasil parecia caminhar na contramão e ignorar os claros sinais de recessão que estão à vista de todos", afirmou. "Ao longo de 2008 quase todos os países do mundo promoveram quedas nas suas taxas de juros, preocupados com o aspecto bastante recessivo da crise. O Brasil passou o ano elevando juros".

Para a Fecomercio, a expectativa inflacionária derivada da pressão cambial não justifica a continuidade do aperto monetário. "Esse argumento soa até irônico, pois no passado a valorização do câmbio nunca foi motivo para impedir a alta da Selic."

"Hoje o BC libera o compulsório e insiste para que os bancos emprestem os recursos, sem represar a liquidez", afirmou. Para completar esta ação, avalia a Fecomercio, o BC deve reduzir as taxas de juros.

"Se o governo não reduzir os juros, setores industriais dependentes de crédito, voltados praticamente apenas para atender o mercado interno, são os que sofrerão mais. É o caso do setor automobilístico e da construção civil, justamente aqueles que o governo considera como os mais relevantes para manter o ritmo de atividade e o nível de emprego."

O presidente da Fecomércio-RJ (Federação do Comércio do Rio de Janeiro), Orlando Diniz, afirmou que o "Banco Central deveria priorizar a atividade econômica".

"O Copom mostrou-se atento à gravidade da crise financeira internacional, mas perdeu a oportunidade de amenizar seus efeitos, o que significaria optar pelo corte nos juros", afirmou. "Se as altas anteriores da Selic vinham sendo compensadas pelo alargamento dos prazos dos financiamentos, agora, com a crescente aversão ao risco e a baixa liquidez o impacto dos juros será maior. Afinal, os mercados têm encarecido o crédito através de concessões mais criteriosas, feitas a prazos menores e taxas mais altas."

Alencar Burti, presidente da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), afirmou que "a decisão do Copom decepcionou o lado real da economia, embora possa ser justificada como uma cautela do Banco Central devida ao temor com a inflação".

"Os empresários esperavam a redução da taxa, tendo em vista a forte retração do crédito, aumento dos juros e redução dos prazos de financiamento, que vêm afetando as vendas do varejo, provocando redução da produção e das horas trabalhadas em muitos segmentos, com riscos de levar à demissão de trabalhadores", afirmou.

Para Burti, "parece haver contradição entre os esforços do BC para irrigar a economia com crédito, com a redução dos compulsórios, e não reduzir as taxas de juros". "Esperamos que essa parada represente o primeiro passo para a redução da taxa Selic, para que a economia brasileira possa continuar a crescer, apesar da crise internacional", disse.

Comentários dos leitores
João Carlos Gagliardi (302) 18/12/2008 10h33
João Carlos Gagliardi (302) 18/12/2008 10h33
Brasileiro no passaporte, pelo menos do ponto de vista de algumas pessoas deste nosso eficiente (des)governo, deveria ter um carimbo de "idiota" em algum lugar...
O mundo todo, e não é exagêro ou força da retórica não. É real. Todos os países reduziram a taxa de juros para enfrentar a crise, aqui não....
Pelo contrário, no primeiro momento até aumentaram, e agora "não se sentem seguros para reduzí-la".
Ah! A culpa é do Banco Central que tem autonomia, eles é que não deixam...
Tenham vergonha na cara!!!
O Henrique Meirelles, não coça nem....a cabeça...sem o lula autorizar!
Lembram daquele ditado:
"É POSSÍVEL ENGANAR UMA PESSOA POR MUITO TEMPO. MAS É IMPOSSÍVEL ENGANAR TODAS AS PESSOAS POR TODO O TEMPO."
Pois é, esse tempo já passou...
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ANIBAL FAGUNDES (5) 11/12/2008 19h47
ANIBAL FAGUNDES (5) 11/12/2008 19h47
para o pessoal do B.C. ainda não caiu a ficha de que o pais necessita de um super choque de queda de juros, não adianta o governo ficar todo dia anunciando medidas que tem resultados pifios no conjunto da economia se os brasileiros são todos refens do banqueiros e do B.C. 1 opinião
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OLHO VIVO (35) 11/12/2008 17h34
OLHO VIVO (35) 11/12/2008 17h34
Pensei que os diretores do BC tivessem um nível muito acima da média, porém já entendi o raciocínio deles: Quando a economia tá crescendo, sobe-se o juro por medo da inflação, quando a economia está caindo, não se reduz com medo que ela possa voltar a crescer. Quando a economia foi para o brejo, aí sim, existe a certeza e pode-se em então começar a reduzir a taxa de juros. Assim até minha sogra de mais de 80 anos saberia decidir o que fazer com a taxa de juros. Creio que todos os leitores desse comentario também saberiam decidir.
O duro é que ele ganham uma nota preta para ser fazerem de entendidos e fazer cara de preocupados diante da televisão. Até quando Lula, até quando...
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