Lula reafirma que bancos oficiais vão garantir oferta de crédito automotivo
WANDERLEY PREITE SOBRINHO
colaboração para a Folha Online
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, durante abertura da 25ª Salão Internacional do Automóvel em São Paulo, que o governo vai "tomar conta de alguns setores da economia, e um deles é o automotivo". Ele destacou que os bancos oficiais vão poder socorrer financeiras do setor, que o Brasil está preparado para a crise e que o país vai tomar as medidas necessárias para combatê-la.
"Essa 25ª Feira do Automóvel se dá num momento extraordinário do nosso país. Mas ela se dá quando tomamos café, almoçamos e jantamos com noticiário de crise", afirmou o presidente.
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Para Lula, esta é uma crise muito maior do as vistas nos anos 1990 na Ásia, Rússia e México. "As três juntas envolveram US$ 200 bilhões. Esta já envolveu US$ 4 trilhões de dólares. É uma crise tão ou mais séria do que a de 1929, que nasce no coração da principal economia do mundo e se espalha pela Europa.'
Para o presidente, no entanto, o Brasil está tomando as medidas certas para evitar que a crise alcance o setor produtivo e a economia real. "A crise, que ainda não chegou para o setor produtivo, vai chegar se a gente permitir que o pânico tome conta [...] O momento é de ousadia. Não há razão para o Brasil entrar numa crise psicológica. Não podemos entrar na síndrome de pânico e paralisar nossas atividades por causa da crise", afirmou.
Na área automotiva, uma das mais importantes da economia e que depende da oferta de crédito, o presidente ressaltou a edição da medida provisória que permitirá ao banco do Brasil e Caixa Econômica federal socorrer financeiras que enfrentam dificuldade.
Segundo o presidente, os bancos estão "com disposição de comprar carteiras de bancos de investimentos e empresas financeiras para não faltar crédito."
O presidente voltou a afirmar que a crise é resultado 'da irresponsabilidade de quem quer ganhar dinheiro sem produzir absolutamente nada".
Ele destacou, também, o Brasil pode evitar danos mais graves com as turbulências por tem "possibilidade de expansão do mercando interno em comparação com o dos países desenvolvidos, bom saldo da balança comercial e reservas internacionais". "Eu não quero ser profeta do apocalipse nem vender otimismo, mas esse país nunca esteve tão bem para enfrentar estas e outras crises", afirmou.
Sobre a área de construção civil, o presidente afirmou que haverá medidas. "Precisamos de duas coisas: crédito para [a construção de] casas e financiamento para quem quer investir".
Nesta quarta, a Caixa Econômica Federal confirmou informou que vai disponibilizar uma linha de crédito de capital de giro de R$ 3 bilhões para empresas de construção civil. Além disso, o governo vai permitir outros bancos direcionem mais recursos da poupança para essas empresas. O governo vai criar um fundo com base nos dividendos que seriam pagos pela Caixa à União até 2010. O fundo terá de R$ 1,050 bilhão, ou seja, vai garantir 35% das operações.
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