Dinheiro
30/10/2008 - 10h40

PIB dos Estados Unidos encolhe 0,3% no terceiro trimestre e sinaliza recessão

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da Folha Online

Atualizado às 11h21

O PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos encolheu 0,3% no terceiro trimestre, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Departamento de Comércio --no segundo trimestre, o PIB havia subido 2,8%. Apesar de negativo, o número ficou acima das expectativas de analistas, que esperavam queda de 0,5%.

Trata-se da primeira retração no nível de atividade econômica do país desde a queda de 0,2% no quarto trimestre de 2007, e o pior resultado desde a baixa de 1,4% verificada no terceiro trimestre de 2001, quando os EUA sofreram uma aguda crise.

O número de hoje confirma o que mercados e governos ao redor do mundo mais temiam --mas já esperavam: que a maior economia do planeta caminha para uma recessão, ou pelo menos uma forte desaceleração. Tecnicamente, um país entra em recessão após dois trimestres de PIB negativo.

Fernando Canzian/Folha Imagem
Loja para alugar na principal rua comercial de São Francisco; nove casos em 500 metros
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O governo destacou em um comunicado divulgado logo após o anúncio que o valor é uma estimativa baseada em dados ainda incompletos e sujeitos a revisão. Os dados revisados, com base em informações mais completas, devem ser anunciado no dia 25 de novembro.

A maioria dos componentes centrais do PIB contribuiu negativamente para o resultado no trimestre passado. Houve redução nos gastos dos consumidores com bens não-duráveis, um crescimento menor das importações, uma retração maior nos gastos com bens duráveis e uma desaceleração nas exportações.

Os gastos do consumidores americanos --que respondem por dois terços da economia dos EUA-- tiveram retração de 3,1% no trimestre passado, contra alta de 1,2% um trimestre antes e 2% de crescimento no terceiro trimestre de 2007.

Os gastos com bens duráveis caíram 14,1% no trimestre passado. Esse componente do PIB, porém, já estava em declínio desde o início deste ano --no primeiro, houve queda de 4,3% e no segundo, de 2,8%. Já com bens não-duráveis, a queda foi de 6,4%, contra um crescimento de 3,9% um trimestre antes.

Os gastos dos americanos com serviços conseguiram se manter em nível relativamente estável: no trimestre passado, o indicador subiu 0,6%, contra 0,7% no segundo trimestre.

Fernando Canzian/Folha Imagem
Loja da rede de vesturário Old Navy tenta estimular consumo com 75% de desconto
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Já a renda ajustada pela inflação, e depois do pagamento de impostos, caiu 8,7% entre julho e setembro, a maior diminuição trimestral desde 1947, acrescentou o relatório.

O governo destaca que as vendas finais de computadores contribuíram com 0,06 ponto percentual no resultado, menos da metade da contribuição registrada no PIB do segundo trimestre, de 0,17 p.p.. Já a produção de veículos, por sua vez, contribuiu com 0,09 p.p., depois de subtrair 1,01 p.p. no dado do trimestre anterior.

Balança

As exportações, que tiveram um papel importante no crescimento do segundo trimestre --com uma expansão de 12,3%--, subiram 5,9% entre julho e setembro. As exportações de bens cresceram 7,5%, uma retração expressiva em relação ao período de abril a junho, quando o crescimento foi de 16,3%. Já as exportações de serviços cresceram 2,3%, contra 3,8% de expansão um trimestre antes.

As importações, por sua vez, continuaram apresentando resultado negativo, mas recuperaram terreno: no terceiro trimestre, as importações caíram 1,9%, e entre abril e junho, a queda foi de 7,3%. As importações de bens caíram 2,8%, contra uma queda de 7,1% no segundo trimestre, mas as importações de serviços dispararam: no segundo trimestre houve queda de 8%; no terceiro, houve crescimento de 3,5%.

Os gastos governamentais, com consumo e investimentos, tiveram um crescimento de 5,8% no trimestre passado, avançando em relação ao segundo trimestre, quando a alta foi de 3,9%. O governo federal registrou um crescimento de 13,8% no trimestre passado em seus gastos, contra alta de 6,6% um trimestre antes. Os gastos com o setor de defesa cresceram 18,1%, superando em muito o avanço visto um trimestre antes, de 7,3%.

Já os gastos fora do setor de defesa cresceram 4,8%, ligeiramente menos que os 5% vistos um trimestre antes. Os gastos dos governos estaduais e locais cresceram 1,4%, abaixo do aumento de 2,5% no segundo trimestre.

 

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