Queda no consumo derruba PIB dos Estados Unidos no 3º trimestre
da Folha Online
Os gastos do consumidores norte-americanos --que respondem por dois terços da economia dos Estados Unidos-- tiveram retração de 3,1% no terceiro trimestre, contra alta de 1,2% um trimestre antes e 2% de crescimento no terceiro trimestre de 2007. O dado foi determinante para a retração de 0,3% vista no PIB (Produto Interno Bruto) do país no terceiro trimestre, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Departamento de Comércio.
No total, os gastos dos consumidores contribuiram com -2,25 pontos percentuais para o valor final de -0,3% do PIB. Já as exportações, apesar de terem desacelerado, ajudaram a evitar uma queda maior ao contribuir com 1,13 ponto percentual. O investimento das empresas pesou com -0,27 p.p., e os gastos do governo, com 1,15 p.p..
Apesar de negativo, o PIB ficou acima das expectativas de analistas, que esperavam queda de 0,5% --no segundo trimestre deste ano, o PIB havia subido 2,8%. Trata-se da primeira retração no nível de atividade econômica do país desde a queda de 0,2% no quarto trimestre de 2007, e o pior resultado desde a baixa de 1,4% verificada no terceiro trimestre de 2001, quando os EUA sofreram uma aguda crise.
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O número de hoje confirma o que mercados e governos ao redor do mundo mais temiam --mas já esperavam: que a maior economia do planeta caminha para uma recessão, ou pelo menos uma forte desaceleração. Tecnicamente, um país entra em recessão após dois trimestres de PIB negativo.
O governo destacou em um comunicado divulgado logo após o anúncio que o valor é uma estimativa baseada em dados ainda incompletos e sujeitos a revisão. Os dados revisados, com base em informações mais completas, devem ser anunciado no dia 25 de novembro.
A maioria dos componentes centrais do PIB contribuiu negativamente para o resultado no trimestre passado. Além da redução nos gastos dos consumidores com bens não-duráveis, houve um crescimento menor das importações, uma retração maior nos gastos com bens duráveis e uma desaceleração nas exportações.
Os gastos dos consumidores com bens duráveis caíram 14,1% no trimestre passado. Esse componente do PIB, porém, já estava em declínio desde o início deste ano --no primeiro, houve queda de 4,3% e no segundo, de 2,8%. Já com bens não-duráveis, a queda foi de 6,4%, contra um crescimento de 3,9% um trimestre antes.
Já os gastos dos americanos com serviços conseguiram se manter em nível relativamente estável: no trimestre passado, o indicador subiu 0,6%, contra 0,7% no segundo trimestre.
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A renda ajustada pela inflação, e depois do pagamento de impostos, por sua vez, caiu 8,7% entre julho e setembro, a maior diminuição trimestral desde 1947, acrescentou o relatório.
O governo destaca que as vendas finais de computadores contribuíram com 0,06 ponto percentual no resultado, menos da metade da contribuição registrada no PIB do segundo trimestre, de 0,17 p.p.. Já a produção de veículos, por sua vez, contribuiu com 0,09 p.p., depois de subtrair 1,01 p.p. no dado do trimestre anterior.
Balança
As exportações, que tiveram um papel importante no crescimento do segundo trimestre --com uma expansão de 12,3%--, subiram 5,9% entre julho e setembro. As exportações de bens cresceram 7,5%, uma retração expressiva em relação ao período de abril a junho, quando o crescimento foi de 16,3%. Já as exportações de serviços cresceram 2,3%, contra 3,8% de expansão um trimestre antes.
As importações, por sua vez, continuaram apresentando resultado negativo, mas recuperaram terreno: no terceiro trimestre, as importações caíram 1,9%, e entre abril e junho, a queda foi de 7,3%. As importações de bens caíram 2,8%, contra uma queda de 7,1% no segundo trimestre, mas as importações de serviços dispararam: no segundo trimestre houve queda de 8%; no terceiro, houve crescimento de 3,5%.
Gastos do governo
Os gastos governamentais, com consumo e investimentos, tiveram um crescimento de 5,8% no trimestre passado, avançando em relação ao segundo trimestre, quando a alta foi de 3,9%. O governo federal registrou um crescimento de 13,8% no trimestre passado em seus gastos, contra alta de 6,6% um trimestre antes. Os gastos com o setor de defesa cresceram 18,1%, superando em muito o avanço visto um trimestre antes, de 7,3%.
Já os gastos fora do setor de defesa cresceram 4,8%, ligeiramente menos que os 5% vistos um trimestre antes. Os gastos dos governos estaduais e locais cresceram 1,4%, abaixo do aumento de 2,5% no segundo trimestre.
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