Dinheiro
30/10/2008 - 14h40

Governo não dará privilégio a empresas que "quebraram a cara", diz Mantega

Publicidade

EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília

O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse hoje que as empresas exportadoras que apostaram na desvalorização do real ante o dólar e tiveram prejuízos não terão privilégios por parte do governo. O ministro citou nominalmente os casos das empresas Sadia, Aracruz e Votorantim, que anunciaram publicamente essas perdas.

10 questões para entender o tremor na economia
Veja a lista de medidas já anunciadas no Brasil para combater a crise
Entenda a evolução da crise que atinge a economia dos EUA

"Essas empresas fizeram apostas. Elas foram além dessa margem. O empresário tem todo o direito de fazer isso. Mas depois ele paga o prejuízo. Nesse caso, eles quebraram a cara, porque tiveram prejuízos", afirmou Mantega durante audiência pública na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado

Alan Marques/Folha Imagem
Ministro Mantega diz que pior da crise pode ter passado, mas vê cenário ainda ruim
Ministro Mantega diz que pior da crise pode ter passado, mas vê cenário ainda ruim

Para o ministro, esses prejuízos serão superados por essas empresas mesmo sem a ajuda do governo.

"Eles estão resolvendo de forma ordenada os seus problemas. O que nós não podemos é dar qualquer privilégio a essas empresas. São empresas sólidas que podem liquidar esse prejuízo e ir tocando a sua vida."

Mais cedo, no Rio, o diretor de Planejamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), João Carlos Ferraz, não descartou a possibilidade de o banco antecipar desembolsos para empresas que registraram perdas com derivativos cambiais.

Prejuízos

Ontem, a Sadia anunciou um prejuízo de R$ 777,4 milhões no terceiro trimestre provocado pelos investimentos da empresa em derivativos cambiais e aplicação em instituições americanas que apontaram prejuízo com a crise econômica global. A empresa já havia informado anteriormente que registrava perdas em função da crise. No acumulado do ano, o prejuízo é de e de R$ 442,6 milhões.

A maior companhia de papel e celulose do país, a Aracruz, também fez operações de derivativos para proteção contra a desvalorização do dólar para suas exportações. Porém, o tamanho das operações superou a necessidade da companhia e não oferecia qualquer proteção contra a desvalorização do real, como ocorre agora.

O prejuízo da empresa mensurado por uma consultoria foi de R$ 1,95 bilhão até o dia 30 de setembro. A Votorantim também divulgou perdas, e o governo federal estima que entre 200 e 250 empresas se encontram, em maior ou menor grau, na mesma situação.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca