Dinheiro
03/11/2008 - 09h27

Na crise, Bovespa bate recorde de negócios

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FABRICIO VIEIRA
da Folha de S.Paulo

Quem observar a redução no volume financeiro movimentado na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) pode ficar com a falsa impressão de que a crise esfriou os negócios. O que tem ocorrido é exatamente o contrário: nunca houve tantos negócios na Bovespa quanto no mês de outubro.

A média de 337,4 mil transações feitas por dia registrada em outubro nunca tinha sido atingida antes. O resultado do mês é 40% superior à média do ano. Em 2007, o melhor mês foi novembro, com 202,4 mil.

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Com uma crise aguda que já fez a Bolsa de Valores de São Paulo acumular cinco meses seguidos de perdas, os investidores têm elevado o número de operações que realizam por dia, na tentativa de conseguirem algum lucro durante o pregão.

Se até o primeiro semestre deste ano era mais fácil obter resultados positivos no mercado acionário, agora quem não quer amargar passivamente as sucessivas quedas que têm abatido as ações de forma generalizada tem tentado comprar e vender papéis no mesmo dia, em busca de conseguir um retorno mais vantajoso.

É o crescimento dessas operações de "day-trade" (como são chamadas as negociações de compra e venda no mesmo dia) que têm ajudado a inflar o número de negócios diários.

Com o crescimento diário, outubro também foi o mês com o maior número total de negócios registrados, ao bater em inéditas 6,5 milhões de transações. Se a cifra computada apenas em outubro for comparada a outros períodos dá para se ter uma idéia de como a movimentação na Bolsa de Valores cresceu: em todo o ano de 2004, por exemplo, houve 7,8 milhões de operações realizadas.

"Com a Bolsa altamente volátil, crescem as oportunidades de se ganhar no 'day-trade'. Os investidores têm girado muito mais por dia na tentativa de conseguir resultados melhores nesse momento de crise", diz Luiz Antonio Vaz das Neves, analista da KNA Consultores.

O momento crítico que tem abatido o mercado acionário acaba elevando o trabalho de muitos gestores, que tentam melhorar o retorno de suas carteiras para inibir os saques de recursos por parte dos investidores insatisfeitos com o andamento nada animador da Bolsa. Para muitos fundos multimercados, que podem aplicar parte de sua carteira em ações, a história é a mesma.

O que esses profissionais buscam é comprar uma ação pelo seu menor valor e tentar repassá-la, no mesmo pregão, pelo preço mais alto possível. A oscilação da ação ON (ordinária) da Vale é um bom exemplo de o porquê os investidores fazem operações de 'day-trade'.

Na sexta, entre a cotação mínima (R$ 26) e a máxima (R$ 28,53) atingida pelo papel da Vale, houve uma diferença de 9,73%. E a ação encerrou o pregão com alta de apenas 2,15%. Como os preços das ações estão oscilando de forma bastante expressiva nas últimas semanas, não faltam exemplos de como isso está ocorrendo na Bolsa de Valores todos os dias.

"Mas essa volatilidade é boa apenas para os profissionais. É muito arriscado para o pequeno investidor querer começar a lucrar dessa forma. É mais fácil acabar perdendo do que ganhando", afirma Neves.

Para o pequeno investidor, o melhor talvez seja nesses momentos ariscos deixar o dinheiro que está aplicado em ações quieto por um bom tempo.

"O que o investidor deve fazer é investir um pouco de cada vez, mas com regularidade. Há muitas oportunidades na Bolsa. De um modo geral, muita empresa com bons fundamentos se depreciou de forma exagerada", diz Théo Rodrigues, diretor-geral do INI (Instituto Nacional de Investidores).

Se o mês passado foi de recorde no número de negócios, o volume financeiro sofreu uma queda para cerca de R$ 5,3 bilhões por pregão. Em maio, o mês em que o giro foi o maior da história, essa cifra ficou em pouco mais de R$ 7 bilhões.

Comentários dos leitores
Polycarpo Quaresma (26) 27/11/2009 21h01
Polycarpo Quaresma (26) 27/11/2009 21h01
Quem vende commodities não deve construir prédios com mais de 20 andares. Patético sem opinião
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Langstein Almeida (5) 27/11/2009 20h08
Langstein Almeida (5) 27/11/2009 20h08
O governo Obama passou ao poder dos bancos mais de dois trilhões de dólares, arrecadados com venda dos títulos da dívida pública americana, que já descambou de 14 trilhões de dólares. Só a China é credora de mais de um trihão de dólares. O Brasil deve ser credor de mais de 200 bilhões de dólares. O maior devedor do mundo são os Estados Unidos.
Um credor só está realmente seguro quando seu devedor dispõe de renda anual suficiente para quitar a dívida. Se os EU tivessem superávit primário, isto é, maior arrecadação do que despesa, no valor de um trilhão por ano, passariam 14 anos para pagar a seus credores. Isto, sem falar nos juros! Em vez de superávit, o Império terá este ano um déficit fiscal de mais de um trilhão e meio.
Em respeito à ciência financeira, esses credores nunca mais receberiam seus créditos. Em respeito ao arcenal bélico do devedor, todos os credores estão tranquilos... Seria o chefão do morro devendo a todo morador, mas todos tranquilos e muito confiantes no poder de fogo do valentão!
O perigo é o chefão dizer que não pode pagar agora e que todos esperem mais uns 50 anos. Mesmo com muito dinheiro para receber, quem iria enchocalhar a onça pintada?!
O Lula deveria criar o banco Unasul e nele todos os países latinos depositariam suas reservas em moeda forte.
Os credores dos EU não devem esquecer que esse grande devedor está sustentando várias guerras: no Iraque, no Afeganistão, no Paquistão e mais de 900 bases militares, e de quebra 7 só na Colômbia.
sem opinião
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Eduardo Giorgini (431) 27/11/2009 20h04
Eduardo Giorgini (431) 27/11/2009 20h04
Caros leitores, digam nomes de empresas de Dubai sem ser ligado ao petróleo.
Obviamente é fácil concluir a podridão de tudo isso.
País sem empresas de tecnologia e educação de qualidade, é país "oco".Sobe e desse rápido.
[]s
Eduardo.
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