Dinheiro
03/11/2008 - 11h19

Com Unibanco, Itaú ganha escala para expandir além do país, afirma analista

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EPAMINONDAS NETO
da Folha Online

A associação com o sexto maior banco do país deixa o Itaú isolado na posição de maior banco nacional, ganhando escala para permitir um salto importante rumo ao mercado internacional, afirma o economista-chefe da corretora Souza Barros, Clodoir Vieira. Para o consumidor, o analista lembra que a fusão restringe a concorrência num mercado já em franco processo de concentração. Para os acionistas de cada um dos bancos, pode haver uma perspectiva de ganhos importante.

"Quem se posicionou em Unibanco na sexta-feira [comprou ações] deve estar rindo sozinho agora. Porque ele sempre foi a ponta mais fraca nesse processo. Há anos que o mercado houve rumores. Há alguns meses, já se falava em uma compra [do Unibanco] pelo Itaú, depois se falou no Bradesco e até no Citibank", comenta Clodoir Vieira, economista-chefe da corretora Souza Barros. "Já no caso do Itaú, talvez ele precise fazer algum desencaixe financeiro no início da operação. Precisamos de mais detalhes sobre a operação, mas de qualquer forma, acho que as duas ações tendem a valorizar hoje".

Ele recorda que as ações dos dois bancos foram muito castigadas pelas recentes turbulências financeiras. A ação do Unibanco perdeu 42% no ano e 29,36% no mês passado. Já a ação do Itaú retraiu 34,2% no ano e desvalorizou 26,9% em setembro.

Escala

"Com essa compra, o Itaú ganhou bastante espaço contra a concorrência. Agora, provavelmente o Bradesco vai ter que sair comprando [bancos médios e pequenos] para se recuperar", afirma Vieira.

Para esse economista, a associação com o Unibanco pode ser uma preparação do Itaú para uma expansão além das fronteiras do país. "O banco [Itaú] sempre teve uma operação na Argentina, que nunca foi realmente muito significativa. Com esse ganho de escala, ele pode estar se preparando para se tornar um banco realmente multinacional. O importante é que, nesse momento de crise, em que os bancos americanos passam por dificuldades, ele aparece como um banco comprador", nota o economista.

Vieira estima que uma das contribuições do Unibanco para o Itaú pode ser na carteira de crédito para pessoa física de baixa renda. "O Unibanco tem uma carteira importante na parte de pessoa física, principalmente em financiamento de veículos. E o Itaú tem aquela financeira, a Taií, que nunca deslanchou de verdade", lembra.

Comentários dos leitores
Leandro Alves (8) 03/11/2009 16h30
Leandro Alves (8) 03/11/2009 16h30
Acho muito interessante a fusão Itaú/Unibanco. É uma concentração de poder sim, mas não vejo nenhum grande impacto ao mercado bancário uma vez que existem grandes concorrentes como Bradesco, Banco do Brasil, Satander Real, HSBC, entre outros. No mais, acho saudável os bancos brasileiros se unirem para ganhar força e competirem no mercado global, como fez a Ambev.
O "problema" que as pessoas enxergam é mais no plano cultural - e não se restringe ao Brasil. Não sei exatamente a causa, mas é senso comum que os bancos são maus, só pensam em dinheiro e tudo o que fazem é ruim. Puro preconceito. Nos esquecemos que sem eles o sistema financeiro quebraria e investimentos, empresas e empregos desapareceriam em todo o mundo. Foi o que aconteceu nesta última crise internacional.
Claro que eles também não são santos e cobram taxas exorbitantes visando lucros exorbitantes. Mas ai também entra a nossa parcela de culpa: enquanto utilizarmos cheque especial pagando 150% a.a., cartão com anuidades que chegam a R$ 400,00, rotativo do cartão de crédito pagando 9% a.m., guardarmos nosso dinheiro em fundos que cobram 3% ou 4% de taxa de administração... veremos os bancos com tais lucros exorbitantes e não adianta reclamar de concentração de poder.
Se querem acabar com isso, e isso sim é discussão que vale a pena, parem de se endividar como loucos e procurem outros lugares para guardar dinheiro como Tesouro Direto ou Bolsa de Valores.
sem opinião
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carlos esposito (11) 19/02/2009 12h00
carlos esposito (11) 19/02/2009 12h00
Que vergonha.
E pior, o BC mais do que ciente de que a única atividade economica que tem lucros mais que exorbitantes é a do proprio sistema financeiro, alega que a fusão é positiva nesse momento de crise internacional. Conversa para boi dormir.
A Febraban é muito mais poderosa que esses coitadinhos do Lula e Fernando Henrique juntos. 15 anos protegendo o lado mais forte de maneira improporcional.
O custo social que esses "agiotas legalizados" geram à sociedade é muito maior. Desestabilizam lares, familias e geram muito desemprego para a rede produtiva. Afinal, quem aguenta pagar 4,5 ou 10 % de juros ao mês ? Isso não existe em nenhum outro pais do mundo e somente no Brasil.
Depois vem o Mantega com conversa para boi dormir comentando que se aumentarem os juros os banqueiros vão dar um tiro no pé. Pura demagogia.... Vcs teriam duvida caso existisse no Brasil um candidato a presidente chamado "Febraban" se ele não seria eleito ? Chegou em um ponto que o poder deles é imensurável.
Pobre da Jornalista Salete Lemos que foi a única que teve coragem de critica-los no ar e sumariamente demitida. Afinal, qual rede de comunicação vai arriscar perder as propagandas milionarias mostrando o lado "bonzinho" dos mesmos.
Esse Brasil é uma piada. Agora, vamos todos comemorar essa fiusão é mostrar simultaneamente o nosso lado patriotico e porque não dizer idiota tentando nos convencer que a rede financeira no Brasil não é um oligopólio.
20 opiniões
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Adm. Antonio Prenholato (47) 19/02/2009 11h26
Adm. Antonio Prenholato (47) 19/02/2009 11h26
Êpa !!!
Cada vez mais a concentração do poder, financeiro, no Brasil está em direção ao MENOR número de INDIVÍDUOS.
Por acaso, estes dois bancos estavam passando por dificuldades com a atual crise econômica ???
É certo que não, veja seus lucros !!!
Então porquê a sua junção e contra QUEM ???
8 opiniões
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