Dinheiro
04/11/2008 - 14h12

Internacionalização de Itaú e Unibanco não seria possível sem fusão, diz banqueiro

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YGOR SALLES
da Folha Online

Atualizada às 15h58

O presidente do Unibanco, Pedro Moreira Salles, afirmou nesta terça-feira que os processos de internacionalização do seu banco e do Itaú não seriam possíveis sem a fusão das duas instituições, anunciada ontem. Para ele, a união dos dois gigantes do setor bancário brasileiro gera um "conforto" que permitirá a conquista de mercados no exterior.

"Tendo essa capacidade no mercado local, podemos olhar pra fora com muito mais conforto e segurança. Nos permitirá ambicionar coisas que sozinhos não poderíamos fazer", disse o banqueiro hoje em teleconferência com analistas de mercado para explicar a fusão entre os bancos, que será o maior do Hemisfério Sul.

"A aglomeração de talentos [da nova companhia] é algo inusitado e nosso sistema bancário é desenvolvido. Eu achava estranho não existir uma multinacional brasileira do setor. Agora há uma oportunidade real de fazê-la."

Alex Almeida/Folha Imagem
Os presidentes do Itaú, Roberto Setubal (à esq.), e do Unibanco, Pedro Moreira Salles
Os presidentes do Itaú, Roberto Setubal (à esq.), e do Unibanco, Pedro Moreira Salles

Assim como fez ontem, Salles e o presidente do Itaú, Roberto Setubal, confirmaram que o primeiro passo para esse processo de internacionalização será a América Latina, onde já possuem participação de mercado em alguns países.

Segundo Setubal, os mercados que mais interessam a princípio são o Chile --onde já está, mas com pouca presença--, Colômbia e México. Ontem, eles disseram que a meta é atingir essa internacionalização em cinco anos.

Segundo cálculos dos dois bancos, o valor de mercado da nova companhia seria hoje de US$ 44,9 bilhões, o que daria ao grupo o posto de 16º maior banco do mundo. O líder nesse ranking é o chinês ICBC (Banco Industrial e Comercial da China), com valor de US$ 176,36 bilhões, seguido pelo americano JP Morgan Chase (US$ 151,8 bilhões) e pelo inglês HSBC (US$ 146,88 bilhões). O brasileiro mais próximo seria o Bradesco, em 21º, com valor de US$ 34,12 bilhões.

Sinergias

Os dois banqueiros evitaram novamente dar detalhes sobre como e em que áreas pretendem obter sinergias, e nem quanto será gerado de ganho com essas medidas. Porém, hoje forneceram mais pistas.

"Realmente não fizemos contas de sinergias. É uma operação complexa e grande, queremos fazer [as contas] com bastante cuidado", disse Setubal. "Mas sem dúvida há um potencial importante que iremos buscar."

Setubal citou como possíveis pontos de obtenção de sinergias a área de receitas --através da venda de produtos específicos dos bancos para os clientes que são do outro-- e a área de computação, em que pode-se otimizar a utilização das centrais de processamento de dados e economizar na compra de sistemas e pagamentos de royalties de uso.

Folha Imagem
Fusão do Itaú e Unibanco formará o maior banco do país e o maior do Hemisfério Sul
Fusão do Itaú e Unibanco formará o maior banco do país e o maior do Hemisfério Sul

Ontem, eles sinalizaram que a primeira medida prática da fusão poderia ser a integração dos caixas-eletrônicos.

Hoje, Salles lembrou que o Itaú possui um "ótimo relacionamento" com não-clientes --pessoas que possuem produtos do banco mas não são correntistas--, enquanto o Unibanco possui uma larga base de não-clientes obtidos principalmente através dos cartões de crédito e de "private label" (cartões de loja).

Segundo o diretor de relações com investidores do Itaú, Alfredo Setubal, se a nova companhia obtivesse sinergias de R$ 142 milhões, já renderia ao acionista do Itaú um lucro por ação igual ao que teria se não ocorresse a fusão. "É um valor baixo, podemos fazer mais que isso", afirmou.

Mas esse ganho não será feito com fechamento de agências, garantiram novamente os banqueiros dos dois bancos.

"Estamos fazendo esse negócio com interesse em crescer. As agências são rentáveis e cheias de clientes, e não há motivo para fechar. Uma das coisas que me arrependo na compra do Nacional em 1995 foi ter fechado agências, já que não conseguimos transferir integralmente os clientes", explicou Salles.

Tanto Salles como Setubal afirmaram na segunda-feira que a pretensão da instituição no médio prazo é ter mais funcionários que hoje. "Estamos olhando o negócio para crescer. Claro que há sobreposições, mas olhando em três ou quatro anos, teremos mais empregados do que hoje", disse Salles.

"As agências [4.800] serão somadas. Não há motivo para fechá-la, até porque possuem um alto nível de rentabilidade, exceto em alguns casos muito específicos", disse Setubal. "Não haverá programas de demissão."

Comentários dos leitores
Marco Hundsdorfer (32) 24/11/2009 19h06
Marco Hundsdorfer (32) 24/11/2009 19h06
Aos moderadores da folha.
Porque minhas mensagens são bloqueadas?
Não utilizei nenhum termo de baixao escalão e minha ultima mensagem tem grande importância.
Não entendo.
Todo mundo "bate boca" e eu não posso postar um comentário sobde o INSS...
O que esta havendo?
sem opinião
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Marco Hundsdorfer (32) 23/11/2009 19h18
Marco Hundsdorfer (32) 23/11/2009 19h18
Gostaria de mudar um pouco o "foco" desta conversa para uma realidade que nos diz mais respeito.
O Foco é o INSS. O Assunto: Aposentadorias e Auxílio Doença.
Assisti ha alguns dias um debate sobre o fim do "fator previdenciário" que tramita no congresso. Como sempre argumentos politiqueiros contra e a favor, pois "no ponto chave" ninguém põe o dedo (Aposentadoria dos funcionários públicos).
O que me deixa desconsertado é que, onde vivo, (Ponta Grossa - Paraná), o INSS esta negando praticamente a todo mundo o auxílio doença (Até gente com mãos amputadas ou com câncer!). O INSS esta tirando a aposentadoria de pessoas idosas já aposentadas há anos!
Eu meu caso em particular, minha esposa sofre de uma doença reconhecida internacionalmente que se chama FIBROMIALGIA. A doença é reconhecida pela Sociedade Americana de Reumatologia e possui 5 níveis. Infelizmente minha esposa esta no 5º nível. Esta doença é tratável, porem ,no caso de minha esposa, com derivados sintéticos de morfina (Metadona).
O INSS dá a "entender" que a doença não existe, mesmo a mesma possuindo SID.
A pergunta é: É assim que o governo pretende economizar e fazer caixa? Em cima de quem vai receber pouco mais de 1 salário mínio para comprar remédios? Ou retirando aposentadorias de maneira ilegal?
Fica a pergunta para o governo.
Para os moderadores da folha: Por favor este é um assunto importante. As pessoas precisam saber que o que o INSS esta fazendo é ilegal e imoral.
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Guilherme Lemmi (226) 23/11/2009 14h48
Guilherme Lemmi (226) 23/11/2009 14h48
Sobre a reportagem "Livre mercado é melhor modelo econômico apesar da crise, dizem bilionários", interessante, a Folha deveria perguntar para o 1 bilhao de pessoas que passam fome no mundo, se eles concordam com essa opinião.
Ah, esqueci, essas pessoas só passam fome porque nao tiveram a 'tenacidade' para vencer na vida....
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Leandro Alves (8) 03/11/2009 16h30
Leandro Alves (8) 03/11/2009 16h30
Acho muito interessante a fusão Itaú/Unibanco. É uma concentração de poder sim, mas não vejo nenhum grande impacto ao mercado bancário uma vez que existem grandes concorrentes como Bradesco, Banco do Brasil, Satander Real, HSBC, entre outros. No mais, acho saudável os bancos brasileiros se unirem para ganhar força e competirem no mercado global, como fez a Ambev.
O "problema" que as pessoas enxergam é mais no plano cultural - e não se restringe ao Brasil. Não sei exatamente a causa, mas é senso comum que os bancos são maus, só pensam em dinheiro e tudo o que fazem é ruim. Puro preconceito. Nos esquecemos que sem eles o sistema financeiro quebraria e investimentos, empresas e empregos desapareceriam em todo o mundo. Foi o que aconteceu nesta última crise internacional.
Claro que eles também não são santos e cobram taxas exorbitantes visando lucros exorbitantes. Mas ai também entra a nossa parcela de culpa: enquanto utilizarmos cheque especial pagando 150% a.a., cartão com anuidades que chegam a R$ 400,00, rotativo do cartão de crédito pagando 9% a.m., guardarmos nosso dinheiro em fundos que cobram 3% ou 4% de taxa de administração... veremos os bancos com tais lucros exorbitantes e não adianta reclamar de concentração de poder.
Se querem acabar com isso, e isso sim é discussão que vale a pena, parem de se endividar como loucos e procurem outros lugares para guardar dinheiro como Tesouro Direto ou Bolsa de Valores.
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carlos esposito (11) 19/02/2009 12h00
carlos esposito (11) 19/02/2009 12h00
Que vergonha.
E pior, o BC mais do que ciente de que a única atividade economica que tem lucros mais que exorbitantes é a do proprio sistema financeiro, alega que a fusão é positiva nesse momento de crise internacional. Conversa para boi dormir.
A Febraban é muito mais poderosa que esses coitadinhos do Lula e Fernando Henrique juntos. 15 anos protegendo o lado mais forte de maneira improporcional.
O custo social que esses "agiotas legalizados" geram à sociedade é muito maior. Desestabilizam lares, familias e geram muito desemprego para a rede produtiva. Afinal, quem aguenta pagar 4,5 ou 10 % de juros ao mês ? Isso não existe em nenhum outro pais do mundo e somente no Brasil.
Depois vem o Mantega com conversa para boi dormir comentando que se aumentarem os juros os banqueiros vão dar um tiro no pé. Pura demagogia.... Vcs teriam duvida caso existisse no Brasil um candidato a presidente chamado "Febraban" se ele não seria eleito ? Chegou em um ponto que o poder deles é imensurável.
Pobre da Jornalista Salete Lemos que foi a única que teve coragem de critica-los no ar e sumariamente demitida. Afinal, qual rede de comunicação vai arriscar perder as propagandas milionarias mostrando o lado "bonzinho" dos mesmos.
Esse Brasil é uma piada. Agora, vamos todos comemorar essa fiusão é mostrar simultaneamente o nosso lado patriotico e porque não dizer idiota tentando nos convencer que a rede financeira no Brasil não é um oligopólio.
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Adm. Antonio Prenholato (47) 19/02/2009 11h26
Adm. Antonio Prenholato (47) 19/02/2009 11h26
Êpa !!!
Cada vez mais a concentração do poder, financeiro, no Brasil está em direção ao MENOR número de INDIVÍDUOS.
Por acaso, estes dois bancos estavam passando por dificuldades com a atual crise econômica ???
É certo que não, veja seus lucros !!!
Então porquê a sua junção e contra QUEM ???
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